- Beatriz Carrasco
- Direto de Paraty
A dificuldade em adquirir ingressos de última hora para a programação oficial da Festa Literária de Paraty (Flip) levou um grande número de pessoas a participar dos eventos paralelos, na chamada Off Flip. Exposições, exibição de filmes e mesas de debate foram algumas das atrações que resultaram na formação de grandes filas em frente a locais como a Casa de Cultura e a Casa Sesc.
O universo virtual e a questão da sustentabilidade foram abordagens que atraíram a escritora Silvia Schmidt, 49 anos, a participar da conversa com Antonio Campos, curador da Fliporto, que comandou a discussão O Livro na Era Digital, realizada na Casa dos Autores, com entrada gratuita. "Estou caminhando, como escritora, para esse universo. Sinto que o papel já deveria ter sido substituído pelo formato digital, é uma questão de sobrevivência do planeta", comentou a paulistana.
Além destes espaços, a praia e as ruas de pedra também serviram de palco para saraus e intervenções artísticas. Estrangeiros e brasileiros - em grande parte de São Paulo e do Rio de Janeiro - se misturaram aos artistas que expunham seus trabalhos, em projetos como o Sarau Sopa de Letrinhas, que teve como base as areias da praia do Pontal. Poemas de Carlos Drummond de Andrade, homenageado desta 10ª edição da festa, e textos autorais foram declamados na noite de sábado (7), enquanto a mesa oficial acontecia nas proximidades.
Entre os amantes de literatura e novos autores que circularam pelo Centro Histórico de Paraty, também encontraram seus lugares vários índios latino-americanos, que vendiam seus artesanatos, e seguidores da filosofia hare krishna, que buscavam adeptos e ofereciam suas publicações. A atmosfera literária ainda contou com uma exposição fotográfica multimídia, montada próxima à Tenda dos Autógrafos, em que autores participantes de outras edições da Flip apareceram em fotos gigantes e iluminadas em preto e branco. Entre eles, Lygia Fagundes Telles, Ferreira Gullar, Chico Buarque e Antonio Candido.
"O que mais me interessa é saber da literatura que está sendo produzida agora, dos escritores contemporâneos que estão começando a emergir no cenário literário", opinou Mariela Mei, 28 anos, escritora residente em Campinas, interior de São Paulo, que acaba de lançar seu primeiro trabalho autoral. Para ela, a programação principal da Flip deste ano não estava tão boa quanto à do ano passado, em que foi homenageado o modernista Oswald de Andrade, por isso as manifestações nas ruas e a Off Flip foram boas opções para usufruir desta edição do evento.
