atualizado às 16h38

Curador da Flip faz críticas a atitudes de diretor francês em debate

Manuel da Costa Pinto disse que preconceito de Claude Lanzman contra intelectual é forma de nazismo Foto: Walter Craveiro / Divulgação
Manuel da Costa Pinto disse que preconceito de Claude Lanzman contra intelectual é forma de nazismo
Foto: Walter Craveiro / Divulgação
 
Claudia Andrade
Direto de Paraty

Ao falar sobre os destaques da 9ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que termina neste domingo (10), no Rio de Janeiro, o curador do evento, Manuel da Costa Pinto, fez duras críticas ao francês Claude Lanzmann. O cineasta de Shoah, filme de mais de nove horas de duração que traz depoimentos de sobreviventes e agentes dos campos de extermínio foi taxado de "nazista" pelo curador, que defendeu o mediador do debate realizado na última sexta (8), o teórico e crítico literário Márcio Seligmann-Silva.

"O Lanzmann tem uma vaidade intelectual que gera impaciência com perguntas. Eu defendo as perguntas mais complexas. Acho terrível quando alguém fala que foi uma mediação acadêmica, porque a literatura é complexa. As pessoas estão aqui para ver a figura do autor em cena, para ter uma noite agradável, para ter a interação com o autor enquanto pessoa, sim, mas a obra vem à frente do autor e a obra não é fácil".

O curador classificou Seligmann-Silva como "o maior crítico de sua geração" e lembrou que o francês fez parte da geração do filósofo Jean-Paul Sartre, tornando "lamentável" sua atitude durante o debate. "Esse preconceito que há contra o intelectual, contra o acadêmico, é uma coisa nazista. Infelizmente, uma pessoa que trabalhou tanto com essa matéria-prima acaba reproduzindo uma atitude dessa, ser contra a discussão intelectual, filosófica. É grave isso. A atitude dele foi de cancelar o debate em nome de uma espetacularização de si mesmo. É lamentável o que aconteceu".

Lanzmann irritou-se quando o mediador do evento passou a discorrer sobre temas paralelos relacionados à sua obra, sem falar diretamente do livro de memórias A Lebre da Patagônia. Chegou a dizer que abandonaria o palco se o mediador não falasse do livro. Foram muitas as reações do público ao final da palestra, alguns considerando o mediador despreparado para a mesa e vários outros classificando o convidado internacional de chato, estúpido, egocêntrico, rabugento e implicante.

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