- Marina Azaredo
- Direto de Paraty
Enquanto os autores convidados da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) pouco circulam pelas ruas de Paraty, permanecendo sossegados em suas pousadas e comendo nos restaurantes caros da cidade, um escritor que foi a cara do movimento modernista brasileiro se tornou a figura mais assediada e clicada de todo o evento. Homenageado da 10ª edição da festa, Carlos Drummond de Andrade, morto em 1987, ganhou uma estátua em bronze em frente à casa onde a editora Companhia das Letras, atual responsável pela publicação de sua obra, montou seu stand, e passou a ser fotografado por praticamente todos os pedestres que circulavam pelo local.
"Drummond tem uma poesia muito rica, cheia de sutilezas que nem sempre a gente consegue perceber", exaltou o escritor paulistano Eduardo Fernandes, que, ao lado do filho, seu xará, de 14 anos, visita pela segunda vez a cidade para curtir a festa. "É claro que os autores estrangeiros são o grande chamariz, mas, para mim, os melhores momentos da Flip deste ano foram as palestras sobre o Drummond. É muito bom quando se dá ênfase a um brasileiro como ele", prosseguiu, citando Rosas dos Ventos e Antologia Poética como seus trabalhos favoritos do autor.
A cada minuto que alguém se sentava para tirar uma foto ao lado da figura poeta-símbolo do movimento modernista no Brasil, outro aguardava para fazer o mesmo no banquinho onde a estátua estava postada. "Sou apaixonada pelo Drummond", derreteu-se a coordernadora pedagógica Ana Flávia dos Reis Corrêa, natural de Aparecida (SP). "E, afinal, quem não gosta do Drummond?", brincou a professora carioca Elizabete Covas.
De fato, não faltaram profissionais da área educacional admirando a imagem do centenário escritor. Muitos deles, inclusive, usaram o gancho da homenagem para ensinar seus alunos mais a respeito dele, um dos mais renomados da literatura brasileira. "Mostrei as poesias deles para as crianças e elas gostaram demais", disse a professora Benedita de Jesus, que dá aulas para o ensino fundamental em uma escola de Paraty. "Gosto de trabalhar com sua obra e sempre agrado meus alunos com ela", concordou Maria Tereza Santos, de Paraíbuna, interior de São Paulo.
Mas nem só admiradores foram atraídos pela imagem serena de Drummond. A dona de casa paulista Delzuíta Ferreira de Oliveira se sentou ao lado da estátua, a observou por alguns instantes e quis também sua foto, apesar de desconhecer a figura do escritor. "Não, não sei quem é. Só que como todo mundo estava tirando, eu também quis tirar a minha", se diverte.
- Os pequenos Katelyn e Kevin, 8 anos, e Djorn, 13, se sentaram no banco e foram fotografados ao lado da estátua em bronze de Carlos Drummond de Andrade, que se tornou atração nas ruas de Paraty Foto: Marina Azaredo / Terra
- A coordenadora pedagógica Ana Flávia dos Reis Corrêa, de Aparecida, disse: "sou apaixonada pelo Drummond" Foto: Marina Azaredo / Terra
- A professora do Ensino Fundamental Elizabeth Covas, do Rio de Janeiro: "quem não gosta de Drummond?" Foto: Marina Azaredo / Terra
- A professora Benedita de Jesus ensina Drummond a crianças do ensino fundamental em Paraty Foto: Marina Azaredo / Terra
- O professor goiano Lucas Souza Pires: "adoro o trabalho do Drummond" Foto: Marina Azaredo / Terra
- A paulista Maria Tereza Santos também ensina Drummond, na cidade de Paraíbuna Foto: Marina Azaredo / Terra
- A dona de casa Delzuíta Ferreira de Oliveira: "não sei quem é, mas como todo mundo estava tirando foto..." Foto: Marina Azaredo / Terra