Flip começa no Rio sem Dilma, com protesto e "bicho papão"

Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio, começou nesta quarta-feira (6) e seque até domingo (10) Foto: Divulgação
Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio, começou nesta quarta-feira (6) e seque até domingo (10)
Foto: Divulgação
 
Claudia Andrade
Direto de Paraty

A nona edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, começou na noite desta quarta-feira (6) sem a participação da presidente Dilma Rousseff, mas com protestos de professores da rede pública estadual e uma homenagem ao "bicho papão" Oswald de Andrade. O termo foi usado pelo crítico literário Antonio Candido na palestra de abertura do evento, que vai até o próximo dia 10.

Palestra não, como o próprio Candido definiu: sua participação foi como a de um amigo do modernista com depoimentos, que sabia que por trás da tal lenda de "bicho papão" havia uma pessoa "extremamente afetiva" e que tinha como principal traço de personalidade a mobilidade. "Em tudo o que se referia a opiniões, a coisas momentâneas, havia essa mobilidade. Mas ele era de uma extrema constância no que se referia à ideias", contou.

Para Candido, a mitologia criada em torno da personalidade do modernista atrapalhou o conhecimento de sua obra. Relembrando passagens da vida do escritor, disse que Oswald de Andrade "gostava de brigar e desbrigar" e não guardava rancor: "passava a explosão, estava acabado o caso". Na descrição de Candido, o modernista era alguém que "precisava de afeto, companhia, aplauso".

"Em 1943 eu escrevi um artigo muito severo sobre um livro que ele tinha publicado e ele escreveu outro, mais severo ainda. Depois nos reencontramos e ele disse: "eu te ataquei severamente e você manteve a serenidade. Proponho sermos amigos. E daqui em diante você pode escrever o que quiser sobre mim", relembrou, arrancando risos da plateia que lotou o auditório para acompanhar o evento.

Protesto
Ao deixar o auditório, o publico se deparou com um protesto de professores do Rio de Janeiro que estão em greve há um mês. Em faixas e cartazes, os profissionais criticaram a destinação de recursos para obras da Copa do Mundo 2014, em detrimento dos investimentos em educação.

"O governo investe milhões em reformas superfaturadas de estádios. O dinheiro que deveria ir para a educação está nas mãos de empresários", criticou o professor de inglês Leonardo da Silva Oliveira, 24 anos.Entre outras reivindicações, os professores querem um reajuste de 26% dos salários, reformas nas escolas e descongelamento do plano de carreira dos funcionários. A mobilização ocorre na Flip, segundo os manifestantes, pela visibilidade do evento e pela expectativa da participação do governador Sérgio Cabral (PMDB).

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, participou da abertura da Flip, que também deveria ter contado, pela primeira vez, com a presença de um Presidente da República. A crise envolvendo o Ministério dos Transportes, contudo, impediu que a presidente Dilma viajasse a Paraty para prestigiar o evento.

Terra