
- Marina Azaredo
- Direto de Paraty
Considerado "o grande romancista norte-americano" pela revista Time em 2010, o escritor Jonathan Franzen disse, na última mesa da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) desta sexta-feira (6), que já se considerou uma fraude.
"Há 48h eu estava pensando: 'sou uma fraude, vão me descobrir'. Mas aí eu tomei um café e café é a solução', brincou. Ao lado do jornalista e crítico literário Ângel Gurria-Quintana, o escritor discutiu seu livro Liberdade, considerado pelo jornal The Guardian "o livro do ano, e do século", quando foi lançado há dois anos.
Liberdade apresenta a história de três pessoas - um casal e um rockstar - que se conhecem no final dos anos 1970 e, ao longo dos anos, se juntam em uma série de sentimentos e crises que culminam em conflitos na primeira década do século XXI. Assim como As Correções, que lhe rendeu o National Book Award em 2001, seu quarto romance mergulha na tragédia familiar para escancarar os sonhos e ideologias da classe média norte-americana.
Sobre sua intrínseca característica de apresentar dramas familiares, Franzen citou Liev Tolstói: "se tudo está bem com a pessoa, por que você leria sobre ela?" e disse que "para quem escreve romances, a vida não é interessante o suficiente".
Na conversa de pouco mais de uma hora, o escritor rebateu as críticas que Liberdade é uma resposta aos ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2011. "Não é uma resposta. O que aconteceu foi um ataque midiático e político com base em um ataque terrorista. Sou contra a politização do 11 de setembro".
Franzen ainda contou que seus personagens têm um pouco do autor, mas os odeia quando eles são muito parecidos com ele. O escritor também defendeu o papel do romance como entretenimento. "Vivemos em um mundo cheio de distrações e para conseguir reter a atenção do leitor o romance tem que ter entretenimento. A solução não é apenas entreter, mas usar a capacidade de entretenimento para preservar a possibilidade de individualidade. Em resumo, acho que estamos tentando salvar a humanidade através do entretenimento."
