
O reflexo das ditaduras latino-americanas e da violência política colombiana nas letras da região será abordado durante a programação da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que começa na próxima quarta-feira (6).
O festival, considerado referência no circuito cultural da América Latina, reunirá durante os próximos cinco dias cerca de 30 autores de 13 países em torno de 18 mesas de discussões literárias.
A 9ª edição do evento será dedicada ao dramaturgo brasileiro Oswald de Andrade, falecido em 1954, por sua contribuição ao Modernismo do País depois da publicação do Manifesto Antropófago (1928).
As dissertações dos escritores serão acompanhadas pelos amantes da literatura que visitam a Flip, no litoral sul do Rio de Janeiro, que exala história com sua rica arquitetura colonial.
A lista de convidados da Flip, por onde passaram escritores como Orhan Pamuk, Isabel Allende e Eric Hobsbawm, estará liderada pelos colombianos Laura Restrepo e Héctor Abad Faciolince, que no próximo domingo discutirão sobre as cicatrizes que as ditaduras latino-americanas e da violência política na Colômbia.
Restrepo, autora do premiado romance Delírios, se exilou no México e na Espanha depois das ameaças de morte que recebeu nos anos 1980 por sua aproximação ao então movimento guerrilheiro colombiano M-19.
Em 2009 publicou sua última obra, Heróis Demais, ambientada no regime ditatorial de Jorge Videla na Argentina da segunda metade da década de 1970.
O assassinato em 1987 do humanista colombiano Héctor Abad Gómez pelas forças paramilitares inspirou seu filho Héctor Abad Faciolince a escrever seu primeiro trabalho, Somos o esquecimento que seremos, um romance na qual reflete a personalidade de seu pai e seus anos de luta em defesa dos direitos humanos.
A Flip começa com uma conferência do professor José Miguel Wisnik e de Antonio Cândido, reconhecido crítico literário, sobre a obra e a personalidade de Oswald de Andrade, que estará precedida por um show de Elza Soares e Celso Sim.
Nos debates literários, acompanhados pelo público em telões e transmitidos ao vivo pela internet, estará o romancista brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, que na próxima sexta-feira (8) participará com o psicanalista Contardo Calligaris em um encontro para analisar as diferenças entre a crônica e o gênero de ficção.
O ensaísta americano James Ellroy esmiuçará um dia depois o clima de corrupção e violência racial que reflete em algumas de suas obras, que inspiraram clássicos longas-metragens como Dália Negra e L.A. Confidential.
Em paralelo à realização da Flip, a organização preparou uma programação alternativa que inclui 200 atos como a projeção de filmes, exposições e atividades orientadas ao público infantil e juvenil com as quais se pretende estimular a leitura.
