
- Marina Azaredo
- Direto de Paraty
No Brasil para lançar o livro A Eternidade do Instante (2005), a escritora cubana Zoé Valdés disse, nesta sexta-feira (6), na Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), que não acredita nas mais recentes reformas políticas do regime de Raúl Castro.
"Não tenho a mínima confiança nas reformas de Castro II. Em 53 anos de ditadura já houve outras medidas nesse sentido e sempre cai na mesma coisa. Esses dois camaradas deveriam deixar o poder e permitir que o povo cubano decida pelo seu destino. Isso serial ideia", defendeu a escritora, exilada desde 1995 em Paris, França.
Nascida em 1959, ano da Revolução Cubana, Zoé Valdés atacou as mudanças anunciadas pelo líder político em abril de 2011. Entre as reformas para tentar tirar o país da crise sem renunciar ao socialismo estão o incentivo a pequenos negócios privados, a redução de cargos estatais, a descentralização da gestão de empresas públicas e o corte de despesas sociais. Porém, em maio de 2012, autoridades católicas em Cuba informaram que a lentidão das mudanças está frustrando os cidadãos da ilha caribenha.
Com mais uma dezena de romances escritos, como O Todo Cotiadiano, lançado no Brasil no ano passado, Zoé é uma das mais latentes opositoras do regime socialista dos irmãos Castro. Em seu blog oficial ( zoevaldes.net), ela discute política, sociedade e literatura, sempre com ênfase para a situação cubana.
Agora, ela lança A Eternidade do Instante no Brasil, um romance que narra as aventuras de um jovem chinês até Cuba a procura do pai.
Perguntada sobre o desrespeito do mundo intelectual em relação a Fidel Castro, a escritora disse que o ex-ditador é um personagem sem interesse. "Isso é romantismo do passado. Os intelectuais não estão nem aí para ele".
Leitora assídua dos brasileiros Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Cecília Meirelles e Lygia Fagundes Telles, Zoé também lembrou da sua vida antes do exílio e contou que o governo cubano queria lhe pagar apenas US$ 1 por todo seu trabalho com seu livro de estreia, Vagón para fumadores , de 1986.
"Tive problemas logo quando fui para o exílio, cheguei a pesar 43 kg", disse. "Com o racionamento de comida em Cuba, não gostava de comer, tive que aprender a me alimentar".
Ao longo de sua carreira de escritora, Zoé ganhou importantes prêmios internacionais, como o alemão Liberatur Preis, a Ordem de Artes e Letras francês e o espanhol Premio de Novela Ciudad de Torrevieja.
