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22 de setembro de 2010 • 13h11

Nova edição da Bienal de SP tenta lidar com a política da arte

Trabalho de Tatiana Blass ganhou performance na noite de abertura
Foto: Fernando Borges / Terra
 

Carol Almeida

A política da arte. A expressão é chave para a curadoria da nova Bienal de Arte de São Paulo que abrirá suas portas ao público no próximo sábado (25) com uma seleção de obras que pretende preencher o tão malfadado vazio da edição anterior. Na política da arte, portanto, o espaço é um elemento essencial para entender a seleção de obras feitas pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, ambos com vasta experiência em curadoria que dialogam com o conceito (político) da periferia.

Território ocupado, sem mais espaço para o vazio, está pronta então a nova Bienal de São Paulo, com obras que, numa primeira visita, não têm uma coesão assim tão evidente, mas que pretendem dar conta justamente da ocupação da geografia própria da arte. Vasto assim, tal qual o "Copo de Mar para o Homem Navegar" que dá título a esta edição.

Numa Bienal em que se cria uma "polêmica" sobre uma série em que o artista pernambucano Gil Vicente "mata" entidades políticas e religiosas, entre elas o Papa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se prova que a discussão sobre a política da arte ainda caminha sobre ovos.

Evidência maior disso foi a instalação do coletivo Brigada Argentina por Dilma em uma área da Bienal. O público presente na abertura da noite desta terça-feira (22) questionou a presença dos artistas argentinos que provocaram as pessoas a reagirem com mensagens políticas dispostas no chão. Não é preciso dizer que o efeito (verbalmente violento) foi bem aquém daquilo que, de fato, poderia se tornar um interessante espaço de discussão sobre a reivindicada "política da arte" grifada pela curadoria da Bienal.

Com provocações mais amenas aos olhos brasileiros, vários outros artistas exploraram o espaço como um lugar de debate sobre a política do cotidiano, a mencionar o trabalho da argentina Ana Gallardo, que em visita ao México descobriu um grupo de pessoas da terceira idade que se encontrava todas as semanas para dançar. Gallardo leva então à Bienal alguns desses senhores e senhoras para compartilhar de um "dois pra lá dois pra cá" numa instalação poeticamente batizada de Un Lugar para Vivir Cuando Seamos Viejos (Um Lugar Para Viver Quando Ficarmos Velhos). Se é para falar das políticas de qualidade de vida, a obra diz bastante.

Outro trabalho que delimita sua discussão sobre a ocupação dos espaços é o trabalho da dupla de brasileiros Marilá Dardot e Fábio Morais, que com Longe Daqui, Aqui Mesmo construíram um "labirinto" em que referências como Kafka e Lewis Carroll cruzam portas em uma casa que se pretende crescer como uma biblioteca (os artistas, aliás, aceitam doações de livros dos visitantes da Bienal).

A mídia, fonte e atualmente mira do debate político, também não foi deixada de fora dos debates. Ora pisando sobre jornais, ora observando eles empilhados e enrolados como organismos vivos na obra da australiana Nnenna Okore, o público poderá observar obras que lidam não apenas com a discussão dos meios de informação, como a relação subjetiva com que a Plateia, nome do trabalho do português Pedro Bareteiro que dispõe várias cadeiras diante de uma parede branca, lida com ele, o vazio, preenchido de provocações.

Bienal de São Paulo
Local: Parque do Ibirapuera, Portão 3
Informações: (11) 5576.7600 ou www.fbsp.org.br
Horários: de 2ª a 4ª feira, das 9 às 19h (entrada até as 18h); 5ª e 6ª feira, das 9 às 22h (entrada até as 21h); sábado e domingo, das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Entrada gratuita

Redação Terra