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Psicanalista Anna Verônica Mautner relembra vida na biblioteca

25 jan 2011
20h04
Paulo Noviello
Direto de São Paulo

Muitos antigos frequentadores da Biblioteca Mário de Andrade, alguns desde sua inauguração, foram prestigiar a reabertura do local que foi ponto de encontro da intelectualidade paulistana entre as décadas de 40 e 70. A psicanalista e cronista do jornal Folha De S. Paulo Anna Verônica Mautner, 75 anos e há seis décadas habitué da biblioteca, era uma das mais festejadas. A todo momento sendo cumprimentada pelos presentes, ela falou com o Terra sobre sua ligação especial com a Mário de Andrade, começando com uma brincadeira sobre tantos cumprimentos: "Odeio essa puxação de saco."

Nascida na Hungria em 1935, Anna veio com a família para São Paulo aos quatro anos, e começou a frequentar a biblioteca na adolescência. "Eu era pobre, não miserável, mas pobre, e naquele tempo a gente se juntava aqui. Era perto da Praça da República, do Theatro Municipal, dos cinemas, da antiga sede do Museu de Arte Moderna. Nós vínhamos aqui porque era de graça, um lugar descompromissado. Aqui nos tornamos intelectuais. Líamos muito, mas o mais importante não era o acervo da biblioteca, eram as pessoas, as conversas no hall. Essa minha geração, que tem entre 75 e 80 anos hoje, vinha aqui estudar para o vestibular. Outros pontos de encontro eram o antigo prédio da Faculdade de Filosofia da USP, os barzinhos da Maria Antonia, o barzinho do MAM, o Paribar, quando tínhamos dinheiro. Íamos aos concertos no Theatro Municipal, assistir a filmes na Cinemateca", relembra a psicanalista.

Ela conta que naquela época era difícil as pessoas se encontrarem em festas ou nas casas dos outros, e o saguão da Biblioteca Mário de Andrade, com a estátua A Leitura ao centro, era o ponto de encontro oficial. "Ninguém marcava hora para vir pra cá. A gente chegava e se encontrava. E a motivação era intelectual, não tinha muito namoro. Pode até ter saído algum casamento dali, mas não era esse nosso objetivo", brinca. E ela acha que hoje a cidade carece destes pontos de encontro. "A cidade precisa de lugares assim, gratuitos, que não precisa de crachá, ficar sócio, um local descompromissado. Outro dia dei uma palestra e o público era igual a gente era lá atrás, misturava branco, preto, amarelo, pobre, rico. É dessa convivência e dessa diversidade que a cidade precisa."

A psicanalista acha que falta hoje à cidade espaços de convívio como a biblioteca
A psicanalista acha que falta hoje à cidade espaços de convívio como a biblioteca
Foto: Divulgação
Fonte: Redação Terra

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