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 Cartas de Van Gogh revelam um artista racional
05 de outubro de 2009 15h25 atualizado às 16h23

Centenas de cartas de Vincent Van Gogh foram colocadas ao lado das obras de arte que ele discutia em sua correspondência em uma nova publicação, que traça o retrato mais claro até hoje das reflexões por trás do trabalho do artista holandês.

Fruto de 15 anos de pesquisas, a edição de seis volumes inclui 900 cartas escritas por e para Van Gogh, além de esboços de pinturas nas quais ele estava trabalhando quando escreveu as cartas e também ilustrações de mais de 2.000 obras de arte.

"Pela primeira vez, você lê as cartas e ao mesmo tempo vê o mundo visual que Van Gogh tinha na mente," disse Axel Ruger, diretor do Museu Van Gogh.

"Como artista autodidata, ele buscava constantemente se aperfeiçoar, e isso se reflete nas cartas."

Simultaneamente ao lançamento da publicação, o museu vai expor algumas das cartas originais, raramente expostas devido a sua fragilidade, de forma que os visitantes podem vislumbrar o trabalho em andamento do autor e comparar esboços nas cartas com suas pinturas.

Depois de estudar as cartas de Van Gogh tão intensamente, o curador Leo Jansen disse que elas trouxeram à tona um lado metódico e disciplinado do artista, que é mais comumente visto como uma alma atormentada que passou sua vida lutando contra problemas de saúde mental.

"Parece que ele realmente foi um homem muito racional, não o gênio louco que conhecemos," disse Jansen. "Ele tinha plena consciência do que fazia, escolhia suas metas e tentava alcançá-las passo a passo."

O estudo das cartas lado a lado com as pinturas e os desenhos de Van Gogh também ajuda a transmitir a conexão estreita que, para o artista, existia entre a arte visual e a literatura.

"Livros, realidade e arte são todos a mesma coisa para mim," escreveu Van Gogh em carta a seu irmão Theo em 1883.

"Você não acha que é tão interessante e difícil dizer algo bem quanto pintá-lo?," escreveu em 1888 ao colega artista Emile Bernard.

Versões do livro estão sendo publicadas em inglês, francês e holandês, e uma edição na Internet também traz novas traduções para o inglês.

Como muitos outros artistas, Van Gogh viveu pobre e em grande medida ignorado. Depois de morto, foi reconhecido como artista revolucionário cuja influência se estendeu ao século 20.

Grande parte de sua correspondência é composta de cartas que ele escreveu a seu irmão mais jovem, um marchand que vivia em Paris e lhe dava ajuda financeira. Van Gogh descrevia as coisas nas quais estava trabalhando e muitas vezes enviava esboços de seus projetos mais recentes.

"Ele escrevia quase diariamente a seu irmão e confidente Theo. Naquela época isso era normal, na ausência de telefone ou e-mail, cartas eram o meio de comunicação mais óbvio," disse Ruger.

Escritas originalmente em holandês e francês, as cartas também incluem a correspondência do artista com outros familiares e com artistas contemporâneos como Paul Gauguin. Mas apenas 80 delas são cartas escritas por outros a Van Gogh.

"É uma correspondência ligeiramente unilateral," disse Ruger. "Podemos dizer que é uma tragédia que tão poucas cartas escritas a Van Gogh tenham sobrevivido."

Reuters
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