Diversão » Diversão

 Obras de Warhol ajudam leilão a ultrapassar os US$ 134 milhões
13 de novembro de 2009 15h40 atualizado às 15h42

200 One Dollar Bills - Andy Warhol. Foto: Divulgação

200 One Dollar Bills - Andy Warhol
Foto: Divulgação

Carol Vogel

Foi o grande leilão da temporada. Quando um dos mais importantes quadros de Andy Warhol -um de seus primeiros trabalhos em silk-screen- chegou ao pregão no leilão de arte contemporânea da Sotheby's na noite de quarta-feira (11), Tobias Meyer, o pregoeiro, abriu o procedimento pedindo US$ 6 milhões, e ficou atônito quando recebeu de imediato um lance pelo dobro desse valor.

O preço subiu em velocidade estonteante, em uma disputa entre cinco colecionadores por uma imagem clássica, 200 One Dollar Bills. A pintura terminou arrematada por US$ 43,7 milhões (incluindo os honorários da Sotheby's), mais de três vezes o valor mais alto estimado, que era de US$ 12 milhões. A Sotheby's não identificou o vendedor, ainda que pessoas familiarizadas com a coleção afirmem que eram peças do acervo de Pauline Karpidas, uma colecionadora londrina.

Pouco mais de um ano depois que uma calmaria causada pela crise do mercado financeiro atingiu o mercado de arte, compradores abastados não hesitaram em pagar caro por trabalhos de artistas de primeira linha. O total arrecadado pelo leilão superou as estimativas da Sotheby's, atingindo os US$ 134,1 milhões, bem acima dos US$ 67,9 milhões que a casa apresentara como estimativa mais elevada. Dos 54 trabalhos em oferta, apenas dois não foram arrematados. A noite também eclipsou o leilão da Christie's com obras do pós-guerra e de artistas contemporâneos, que arrecadou US$ 74,1 milhões na noite de terça-feira (10). Embora os dois eventos envolvessem obras de artistas conhecidos, o da Sotheby's contava com número suficiente de obras de peso para garantir uma noitada de grande sucesso.

Dada sua condição impecável, 200 One Dollar Bills era uma oferta tentadora para qualquer colecionador de Pop Art. Se acrescentarmos a isso a proveniência da peça ¿que um dia fez parte da célebre coleção de Robert Scull, o magnata das frotas de táxi-, o quadro era certamente uma atração irresistível.

Os preços finais incluem a comissão paga à Sotheby's: 25% dos primeiros US$ 50 mil de preço; 20% dos US$ 50 mil seguintes até o valor de US$ 1 milhão e 12% sobre o valor restante. Os valores estimados não consideram as comissões.

Quadros de Warhol de épocas e sobre temas diferentes atraíram ofertas generosas. Um auto-retrato de 1965, cujo valor mais alto havia sido estimado em US$ 1,5 milhão, foi arrematado por Laurence Graff, o comerciante de joias londrino, com um lance de US$ 5,4 milhões (ou US$ 6,1milhões com a comissão da Sotheby's incluída). Warhol em pessoa deu o quadro a Cathy Naso, na metade dos anos 60, quando ela trabalhava em sua Factory, depois da escola.

Assustada com a possibilidade de que o quadro viesse a ser roubado, Naso o escondeu no armário de sua casa em Connecticut. Como resultado, as cores púrpura e vermelho do fundo estão tão brilhantes hoje quanto na data em que foi pintado, e os colecionadores estavam cientes disso. Graff, que estava sentado na primeira fila da sala de leilões da Sotheby's na avenida York, não se deixou intimidar pelos cinco outros concorrentes que fizeram lances.

"É uma pérola", ele disse, depois do leilão. "Vim a Nova York por ele e pelo pequeno Dora Maar", ele disse, em referência a um quadro de Picasso leiloado pela Sotheby's na semana passada. "E consegui os dois".

Até mesmo os desenhos de Warhol conseguiram preços sólidos. Um desenho de uma pilha de dinheiro, de 1962, superou as expectativas quando o marchand Larry Gagosian, de Manhattan, o adquiriu por US$ 4,2 milhões, acima da estimativa mais elevada, de US$ 3,5 milhões.

E uma das pinturas em silk-screen da série Tunafish Disaster, de Warhol, datada de 1963 e colocada à venda por Gagosian, também foi arrematada. O valor estimado era de entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, e Jose Mugrabi, um negociante de arte de Nova York, adquiriu o quadro por US$ 1 milhão (ou US$ 1,2 milhão, incluída a comissão). Na Christie's, na noite de terça-feira (10), uma composição mais bem realizada, sobre o mesmo tema, colocada à venda pelo magnata do papel-jornal Pete Brent, tinha valor estimado entre US$ 6 milhões e US$ 8 milhões, mas não surgiram lances.

Em contraste, na quarta-feira (11), Gray Numbers, quadro de Jasper Johns datado de 1957, atraiu forte interesse. Em 2003, a peça foi adquirida pelo colecionador Richard Hedreen, de Seattle, por US$ 5,2 milhões. Na quarta-feira (11), o valor mais alto estimado para o quadro era de US$ 7 milhões, e o lance vencedor foi de US$ 8,7 milhões. Philippe Segalot, um marchand de Manhattan que participou sem sucesso do leilão por 200 One Dollar Bills, disse que "em minha opinião, o quadro vale o montante pago. É raro e excelente. E a estimativa modesta ajudou a encorajar lances. Foi realmente uma ótima noite para Warhol."

The New York Times
The New York Times