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 Novo livro de Alison Weir conta história da rainha Ana Bolena
18 de dezembro de 2009 14h12

'The Lady in the Tower' é o novo livro de Alison Weir. Foto: Reprodução

'The Lady in the Tower' é o novo livro de Alison Weir
Foto: Reprodução

JANET MASLIN

Com The Lady in the Tower, Alison Weir se insere no grupo de historiadores ávidos por interpretar a história de Ana Bolena. Weir não é uma estranha nesse reino abarrotado. Ela já escreveu The Six Wives of Henry VIII (as seis esposas de Henrique VIII, em tradução livre), Ana foi a segunda; Henry VIII: The King and His Court (Henrique VIII: o rei e sua corte), Ana desempenhou um papel ativo na intriga da corte; Children of Henry VIII (os filhos de Henry VIII), Ana pariu uma filha do rei; e The Life of Elizabeth I (a vida de Elizabeth I), essa filha cresceu e se tornou Elizabeth I, a rainha virgem. Ela também escreveu inúmeros trabalhos adicionais sobre a realeza britânica.

Então por que mais um? Porque desta vez, Weir estuda particularmente de perto um período de quatro meses e busca pela verdade examinando fontes primárias. O foco estreito de The Lady in the Tower vai da morte da predecessora de Ana, Catarina de Aragão, em janeiro de 1536, à decapitação de Ana em maio daquele ano. Weir usa uma abordagem investigativa sobre as forças que derrubaram e levaram Ana a julgamento e execução.

Para crédito de Weir, ela é bem preparada para analisar evidências, desmascarar concepções errôneas e chegar a hipóteses sólidas sobre o que de fato aconteceu a Ana. Seu domínio sobre minúcias é impressionante, assim como seu entusiasmo pelos mínimos aspectos da história frequentemente distorcida de Ana. A desvantagem de Weir é que esse assunto já foi tão dramatizado que seu conhecimento por vezes inconclusivo pode parecer tedioso e seco.

The Lady in the Tower omite descaradamente qualquer menção a Wolf Hall de Hilary Mantel, o romance vencedor do prêmio Man Booker deste ano, que foca com muita perspicácia nas maquinações que fizeram de Thomas Cromwell o arquiteto primordial da destruição de Ana Bolena. Contudo, Mantel fornece um retrato tão prazerosamente inteligente de Ana, e economiza nos detalhes históricos de forma tão deliberada, que esses dois livros viram úteis obras complementares. Wolf Hall é o mais impenetrável. É também de longe o mais vigoroso.

The Lady in the Tower recebe o título de um dos muitos documentos que Weir apresenta para escrutínio, uma carta de origem incerta, algo rotineiro, já que muitos dos detalhes acerca da ruína de Ana vieram à tona muito depois de sua queda. A carta é endereçada "Ao Rei, da Dama na Torre", e apareceu pela primeira vez em 1649. Alguns alegaram que ela fora copiada por Cromwell de uma carta original escrita por Ana em 6 de maio de 1536, enquanto ela estava presa na Torre de Londres.

Historiadores há muito tempo debatem a respeito da autenticidade da carta e possuem muitas razões para isso. Weir se esforça para analisar não apenas as posturas dos historiadores, mas também a essência da carta em si.

Nessa instância, que é típica da abordagem do livro, ela expõe várias reflexões de pesquisadores que discutem se a carta tinha a caligrafia de Ana. Então ela aponta que Ana talvez estivesse tão abalada que precisou ditar a carta, e que a questão sobre a caligrafia pode não ser relevante. (Além disso, talvez ela seja a versão de Cromwell.) A seguir, ela levanta a pergunta sobre o motivo de Cromwell ter guardado esse documento, "por que Cromwell acreditaria ser desejável manter uma carta de Ana protestando sua inocência?" Mais interessante, ela observa que a locução "Dama na Torre" é estranha para uma mulher que se considerava uma rainha. E se Ana não escreveu essa carta, Weir pondera, então quem o fez?

Algumas das visitas investigativas do livro são muito mais palatáveis do que outras. Os detalhes acerca das execuções de Ana e seus supostos amantes e coconspiradores são pelo menos tão medonhos quanto fascinantes. Por que a decapitação foi considerada a forma mais misericordiosa de execução? Por que a espada foi considerada um melhor instrumento do que o machado? Por que o carrasco foi chamado antes do final do julgamento? A espada tinha uma ranhura para fazer o sangue espirrar? Quanto tempo os olhos e lábios de Ana continuaram se movendo após sua cabeça ter sido separada do corpo, e por quantos segundos ela sentiu dor? É preciso ser um entusiasta radical da monarquia para apreciar a busca incansável de Weir por essas informações.

Por outro lado, vale muito a pena examinar os argumentos jurídicos que surgem a partir da morte de Catarina de Aragão: Henrique, claro, lutou para anular seu casamento com Catarina para se casar com Ana, forçando um rompimento com o papado e, portanto, mudando a história religiosa da Grã-Bretanha para sempre. Ele não poderia anular o casamento com Ana até a morte de Catarina, por medo de reacender questões sobre a legitimidade do segundo casamento. E Ana não poderia ter sido julgada por adultério, como ela foi, caso seu casamento com Henrique não tivesse permanecido intacto até aquele momento. Weir muito pacientemente realiza o trabalho de esmiuçar as implicações de alguns dos problemas matrimoniais mais famosos da história e de tentar compreender o estado de espírito de Henrique ao longo do percurso.

Por todo o seu envolvimento íntimo com o apuro de Ana, The Lady in the Tower vale mais a pena por oferecer um panorama mais amplo. A obra acaba ponderando sobre a influência de Ana na vida de sua filha. (Entre suas ilustrações incomuns, há uma representação do anel que Elizabeth usou até sua morte, decorado com uma imagem escondida de sua mãe.) O livro descreve como as interpretações da história de Ana mudaram ao longo dos séculos. E observa que a posição prevalecente dos dias de hoje (de que Ana fora "a causa principal e propulsora da Reforma") pode ser uma afirmação exagerada.

Mais importante, a obra não aposta na relativa inocência ou culpa de Ana, nem alimenta ilusões que romantizam sua história. E se Ana tivesse sido mais esperta que seus inimigos e sobrevivido até a velhice? "É praticamente certo", Weir conclui, "que, morrendo em sua cama, ela não teria desfrutado da carismática e romântica reputação póstuma que possui hoje." E um vasto grupo de historiadores da corte britânica teria que encontrar outra coisa para fazer.

The New York Times
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