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 Ian Page completa 'Zaide', ópera inconclusa de Mozart
24 de fevereiro de 2010 17h20 atualizado às 20h24

Ópera do compositor ganhou complemento com outra peça, também de sua autoria. Foto: Divulgação

Ópera do compositor ganhou complemento com outra peça, também de sua autoria
Foto: Divulgação

O diretor de orquestra britânico Ian Page decidiu completar a ópera Zaide, que Mozart deixou inconclusa, com outra música do próprio compositor salzburguês.

A estreia mundial da ópera ocorrerá em 24 de junho no teatro londrino de Sadler's Wells, especializado em dança moderna, e estará seguido de uma nova apresentação dois dias depois.

Page pediu ao poeta Michael Symmons Roberts e ao dramaturgo Benjamin Power o correspondente libreto, enquanto Melly Still se encarregará de colocar a obra em cena, comunicaram fontes da Classical Opera Company, conjunto especializado no repertório do período clássico, fundado por Page em 1997.

Mozart (1756-1791) começou a compor Zaide em 1779, aos 23 anos, quando estava ansioso para deixar Salzburgo, cidade que descreveu como uma prisão.

Frustrado pela falta de oportunidades de escrever ópera que começou Zaide sem ter recebido nenhum pedido expresso.

Após terminar os dois primeiros atos, que incluem a célebre ária Ruhe sanft, a deixou de lado depois de receber a encomenda para compor Idomeneo.

Pouco convencido da qualidade da música que havia escrito, Mozart considerou Zaide séria demais para o gosto vienês e nunca chegou a acabá-la.

Foram conservados apenas 60 minutos de música, mas a partitura e o libreto ficaram incompletos.

Embora nessa ópera a música estivesse ligada a diálogos no lugar de recitativos cantados, o texto não existe mais.

Para completar Zaide, Page optou por utilizar música escrita por Mozart pelos mesmos anos, a fim de dar consistência musical ao conjunto.

Page encarregou a tradução do texto cantado ao poeta Michael Symmons Roberts e o texto falado ao dramaturgo Ben Power, que recebeu auxílio da coreógrafa e diretora cênica Melly Still.

Embora a história original de Mozart se desenvolva em um harém turco, Still optou por uma decoração contemporânea, que não pertencem, no entanto, a um momento ou lugar específico, para explorar temas como a tirania, o abuso de poder e o poder do amor.

Page deseja repetir com Zaide o êxito conquistado com a reconstrução de Artaxerxes, ópera barroca do compositor britânico Thomas Arne, que estreou na Royal Opera House londrina.

EFE
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