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 Pianista Arthur Moreira Lima fala sobre bicentenário de Chopin
01 de março de 2010 18h57 atualizado às 19h05

O pianista Arthur Moreira Lima declara que Chopin sempre foi uma de suas maiores inspirações

Nesta segunda-feira (1), em meio ao bicentenário do nascimento do compositor e pianista polonês Frédéric Chopin, um brasileiro e grande conhecedor de sua obra concedeu uma entrevista exclusiva ao TV Terra.

Arthur Moreira Lima teve seu primeiro contato com a música clássica de Chopin ainda criança, durante suas primeiras aulas de piano. Há mais de 40 anos, ficou em segundo lugar em um concurso na capital polonesa, batizado como Chopin de Varsóvia. Começava aí a grande paixão de Moreira Lima pela obra de Chopin.

Com 264 peças catalogadas, o artista polonês tem 80% de sua obra gravada pelo por Moreira Lima, que ganhou projeção internacional a partir do concurso. "Chopin é o mais importante compositor para piano, pois ele revolucionou a escrita pianística, explorando a fundo as possibilidades do instrumento", revela.

Entre obras como Valsa do Adeus e Mazurca, Chopin é considerado um pianista poético, misturando a forma clássica de compor e o estilo romântico, com uma forma rígida e disciplinada. "Eu ainda me surpreendo com a obra dele, mesmo após tantos anos. Foi um herói que queria fazer parte da libertação da Polônia. Era meticuloso, caprichoso em suas composições e anotações, além de ter sido um grande professor", declara Moreira Lima.

Perguntado sobre o desinteresse dos jovens pela música clássica, o brasileiro explica que a velocidade e excesso de informação impedem que os jovens a incorporem no seu repertório cultural. "Há um interesse muito grande pela música clássica. Eu já dei concertos em diversos locais do Brasil e percebo que o interesse do público é muito grande", complementa o artista e criador do projeto Piano pela Estrada, que leva a música erudita em um caminhão e realiza concertos nos mais diversos cantos do Brasil.

Moreira Lima, ainda falando de arte nacional, traça um paralelo entre Chopin -o primeiro artista a utilizar o nacionalismo na música - e o brasileiro Heitor Villa Lobos, grande influência cultural e artística da música clássica brasileira, que teve grande impacto em nossa cultura a partir da Semana de Arte Moderna de 1922.

Chopin é autor da célebre frase: "Bach chegou próximo de Deus com sua música. Beethoven abraçou o Homem e o infinito. Eu não vou tão alto. Eu decidi que a alma e o coração do homem são meus objetivos como artista". E, lembrando da citação, Moreira Lima complementa: "Chopin disse tudo com seu piano".

Redação Terra