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 Equipes juniores de dança saltam para as grandes ligas
20 de abril de 2010 09h06 atualizado às 10h00

Festival no Joyce Theater traz grupos com desempenhos variados. Foto: The New York Times

Festival no Joyce Theater traz grupos com desempenhos variados
Foto: The New York Times

Gia Kourlas

Para jovens dançarinos, uma trupe júnior pode ser várias coisas: um lugar para ser notado e aprimorar sua técnica, impedir complicações irritantes -como outros dançarinos melhores-, um caminho para um contrato com uma companhia. O 1, 2, 3 Festival, no Joyce Theater, traz três grupos do tipo com desempenhos variados: Ailey II, ABT II e Taylor 2.

Na noite de quarta-feira, a Ailey II, coordenada pela diretora artística Sylvia Waters, ofereceu um programa típico da Alvin Ailey American Dance Theater: cheio de dançarinos talentosos e fraco em coreografia. Os 12 dançarinos, que começaram com Echos, livremente baseado na jornada da família do coreógrafo Thang Dao do Vietnã aos Estados Unidos, fazem um bom trabalho em dar a uma dança fraca a importância que ela merece. Eles estariam prontos para se juntar à companhia principal. A coreografia de Dao é previsível, a começar com sua abertura timidamente militar.

Os dançarinos ficam de perfil, vibrando seus corpos até baterem um pé flexionado e se agacharem ao chão. A presença mais sedutora é Ghrai DeVore, uma criatura ágil e andrógina -ela lembra um pouco Grace Jones- cuja força é temperada com flexibilidade.

DeVore aparece novamente em Essence, de Christopher L. Huggins, um solo pujante que envolve -suspiro- uma cadeira, e também em Divining, de Judith Jamison. O lado mais alegre da Ailey II é evidente em Proximity..., de Carlos dos Santos Jr., um olhar frenético sobre relacionamentos.

Das três companhias, a mais verde é a ABT II, dirigida por Wes Chapman. Na noite de quinta-feira, a trupe abriu com Interplay, um delicioso balé de 1945 de Jerome Robbins que pode parecer ultrapassado quando certas exigências -como uma forte técnica difusa por uma jovialidade jazzística- não são cumpridas. Apesar de permitir vislumbrar dançarinos promissores como Colby Parsons, Brittany DeGrofft e Calvin Royal III, a apresentação parece ter parado no passado.

Essa sensação de ultrapassado continua nos balés recentes de Roger VanFleteren (Pavlovsk, que inclui uma partitura para cordas de Karen LeFrak) e Edwaard Liang (Ballo Per Sei, desenvolvido para Vivaldi). Em Pavlovsk, uma viúva visita a estátua de seu marido, um general russo assassinado que retorna à vida. Ballo Per Sei, embora convencional, mostra uma mudança por parte de Liang, cujos balés tendem a trazer gestos rígidos com ampla angularidade emocional. Aqui, ele cria uma obra que os dançarinos conseguem apresentar com certa facilidade, mas isso não compensa por sua voz artística ambígua.

Quando a ABT II era a ABT Studio Company dirigida por John Meehan, havia a sensação de que poderia ser tão gratificante estar na companhia júnior quanto na principal; ele cultivava coreógrafos e dançarinos. Agora, o rigor ousado do grupo desapareceu, e a ABT II é só mais uma companhia júnior.

A Taylor 2, no entanto, é um tipo de milagre. Essa companhia secundária, liderada por Paul Taylor e pela diretora de ensaios Ruth Andrien, tem a metade do número de dançarinos das ramificações da Ailey e da American Ballet Theater -seis- e ainda se apresenta com mais sagacidade. Na noite de sexta-feira, a trupe apresentou uma parada de clássicos de Taylor: Aureole, 3 Epitaphs (figurino de Robert Rauschenberg), Company B e Esplanade.

Nic Ceynowa está maravilhoso no difícil solo Aurele, que Taylor criou para si mesmo: usando a largura de suas costas e a coluna para mudar de forma, ele possui uma fluidez felina preso ao chão e com peso controlado. A pequena Madelyn Ho, delicada e espirituosa em I Can Dream, Can¿t I? da Company B, se torna audaz nos impulsos de Esplanade.

Mas todos os dançarinos são talentos consideráveis. Ao apresentar uma nova versão de Esplanade diminuindo dos costumeiros nove para seis dançarinos, eles reuniram coragem e habilidade, provando que a Taylor 2 é a anomalia do festival: a única coisa júnior neles é a disposição em fazer qualquer coisa para ganhar um papel na apresentação, não importa quão grande ou pequeno.

(Tradução: Amy Traduções)

The New York Times
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