Diversão » Diversão

 Ator de 'Hair': quando vi a cena de nudez, me deu vontade de chorar
27 de janeiro de 2012 15h50 atualizado em 28 de janeiro de 2012 às 10h09

Carol Puntel e Reynaldo Machado integram o elenco de 30 atores da peça, em cartaz no Teatro Frei Caneca. Foto: Edson Lopes/Terra

Carol Puntel e Reynaldo Machado integram o elenco de 30 atores da peça, em cartaz no Teatro Frei Caneca
Foto: Edson Lopes/Terra

Depois de uma bem-sucedida temporada no Rio de Janeiro, assistida por mais de 100 mil pessoas, a montagem do musical da Broadway Hair chegou a São Paulo no último dia 13 de janeiro apoiada pelas polêmicas que envolvem sua história. Contudo, apesar do tema complexo, que aborda guerra e preconceito, talvez o que mais chame a atenção no espetáculo seja a cena na qual todos os trinta atores do elenco aparecem nus, de frente ao público. Em entrevista nos estúdios do Terra nesta sexta-feira (27), os atores Reynaldo Machado e Carol Puntel comentaram o trabalho e afirmaram haver tanta emoção no momento da nudez que a plateia dificilmente se concentra nela.

"Fui substituído uma vez e assisti ao espetáculo da plateia. Aquilo foi chocante, me deu vontade de chorar", confessou Reynaldo. "Não pela nudez. É que, na cena, ficamos em volta de um balde com fogo fazendo um protesto, algo bem político. As pessoas acabam não prestando atenção no nu e sim no que ele engloba".

Carol, que já atuou em diversos musicais no País, como O Fantasma da Ópera e Hair, concorda com o colega. Segundo ela, a temática que pauta o espetáculo, focado em um grupo de hippies em protesto contra a Guerra do Vietnã, acaba ofuscando totalmente a nudez do elenco. "É um presente estar nessa peça, que pede muito esforço físico, muito esforço vocal, mas, mais do que tudo, de muito esforço emocional. Ela é originalmente de 1968, mas a mensagem continua totalmente atual. A guerra continua acontecendo, é um produto que gera dinheiro. Mas por que o amor não pode ser um produto também? O amor é de graça, uma maravilha".

No espetáculo, Carol interpreta Scheila, uma jovem que, apesar de ser o elo político do grupo hippie, é herdeira de uma família rica e se recusa a largar os estudos. "É importante isso, porque ela acaba financiando a tribo. No segundo ato, a personagem até fica mais com eles, vai às ruas para gritar contra o Vietnã. No entanto, acho que ela não dorme com a tribo".

Já Reynaldo dá vida ao jovem de black power da peça, um sujeito que prefere fazer graça com a cor negra de sua pele do que perder a cabeça com o preconceito sofrido por seus semelhantes no país, amplamente conhecido pela segregação até a década de 1960. "Meu personagem é um negro de frente, que aborda o tema racial com piadas. De fato, a melhor maneira que ele tem de passar as coisas, suas ideias, é através das piadas", explica. "Claro, tem também uma música que ele xinga bastante", se diverte.

Pressão
Contudo, fazer parte do elenco de Hair não foi nada fácil. Em um gênero cada vez mais em alta no Brasil, que conta com vastos patrocínios de peso para financiar suas montagens, os responsáveis pelo espetáculo chegaram a receber mais de cinco mil currículos de talentosos atores interessados em fazer parte dele. Os 30 felizardos foram aprovados após cerca de 700 audições, comandadas por Charles Möeller e Claudio Botelho.

"Teste é sempre teste, aquela tensão enorme", conta Carol, que precisou se desdobrar para participar das audições para integrar a tribo de hippies. "Na época, eu estava fazendo Cats em São Paulo e o teste foi às 9h da manhã no Rio de Janeiro. Ou seja, tive que ir para lá de manhã e voltar para a capital paulista para a peça à noite".

Reynaldo, por sua vez, não tão conhecido por atuações em musicais quanto sua colega, afirma que estava ainda mais tenso no momento em que precisou mostrar suas habilidades aos produtores. "Eu realmente não acreditei quando passei. Estava na praia, tranquilo, e me ligaram. Foi uma loucura".

Segundo ele, o que ajudou muito no teste foi a forma como Charles Möeller o organizou, dando inicialmente prioridade às técnicas vocais de seus candidatos e deixando a atuação em segundo plano. "Eu acho que a audição de canto antes do resto dá mais liberdade. Ela te deixa relaxado para o teste seguinte, o que foi ótimo para mim".

Hair fica em cartaz em São Paulo até o dia 29 de abril.

Terra
  1. Carol Puntel e Reynaldo Machado estiveram nesta sexta-feira (27) nos estúdios do 'Terra' para falar sobre o musical 'Hair', em cartaz na cidade de São Paulo

    Foto: Edson Lopes/Terra

  2. Atores falaram sobre as polêmicas da montagem, assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho

    Foto: Edson Lopes/Terra

  3. Na peça, 30 atores formam uma tribo hippie que protesta contra a Guerra do Vietnã em ruas norte-americanas no ano de 1968; na imagem, Reynaldo Machado e Carol Puntel nos estúdios do Terra, em São Paulo

    Foto: Edson Lopes/Terra

/arteecultura/foto/0,,00.html