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 Livro marca retorno de escritor americano ao romance erótico
17 de fevereiro de 2012 16h27 atualizado às 17h59

Capa do livro 'House of Hole'. Foto: Divulgação

Capa do livro 'House of Hole'
Foto: Divulgação

Após escrever Vox, o livro que Bill Clinton ganhou de Monica Lewinsky, e The Fermata, o americano Nicholson Baker volta à cena com o romance erótico House of Holes (algo como Casa dos Buracos em tradução livre).

"Posso dizer que o sexo é uma das coisas mais estupendas e que, com este livro, desfrutei mais dele que com nenhum outro. Escrever é algo estranho, porque às vezes é difícil, mas com este livro não foi", afirmou Baker, por telefone, de sua casa em uma pequena cidade do estado do Maine, próximo a Boston (EUA).

O escritor americano transita entre a ficção e não-ficção, pois sua carreira inclui desde um ensaio sobre a política de conservação histórica dos arquivos das bibliotecas, passando por um livro sobre a Segunda Guerra Mundial (Human Smoke) e um recente romance sobre o bloqueio criativo de um poeta malsucedido (The Anthologist).

House of Holes começa quando a adolescente Shandee encontra em uma caverna um braço com grandes habilidades sexuais, que foi abandonado por seu verdadeiro dono em troca de um pênis maior.

Em sua afobação para encontrar o dono do braço, a personagem é conduzida a uma espécie de resort de luxo gerenciado por Lili, em que todos podem realizar suas fantasias sexuais e onde é possível entrar pelos lugares mais inusitados: desde uma câmara de bronzeamento solar até pelos buracos de um campo de golfe.

A insólita viagem dos protagonistas para chegar à Casa dos Buracos fez com que certos críticos associassem a obra a Alice nos País das Maravilhas. Contudo, Baker explicou que o clássico de Lewis Carroll é uma história "muito inocente e séria".

Ele prefere comparar sua história com o quadro O Jardim das Delícias, de Bosco, e a incrível viagem descrita no filme de animação The Yellow Submarine, baseado na canção dos Beatles. Para o escritor, os romances e o cinema erótico "lembram algo mais obscuro, perigoso". Ele aposta em um humor mais surrealista, cheio de diversão e com um vocabulário criado para descrever com exuberância as delirantes situações.

Baker, em vias de escrever outro romance, tem uma sólida formação, que começou na música, disciplina que hoje não exerce. No entanto, reconhece que se House of Holes fosse música, com certeza seria dance music. "Escrever é a ilusão de criar movimento", concluiu.

EFE
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