27ª Bienal Internacional de São Paulo

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27ª Bienal Internacional de São Paulo

Terça, 17 de outubro de 2006, 13h44  Atualizada às 13h54

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Público pode interagir com "bolha gigante" na Bienal 2006
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A 27ª Bienal começou há mais de uma semana e já atraiu vários curiosos, mesmo com o baixo interesse em produções de arte. O crítico e especialista em arte, Joviniano Borges da Cunha, ressaltou algumas obras imperdíveis da edição 2006 e mostra aos Internautas como aproveitar o evento em apenas uma hora, mesmo sem qualquer informação sobre os artistas.

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Térreo
As obras expostas no térreo são marcadas pela primeira impressão dos visitantes, que podem ver os trabalhos como algo "positivo" ou "negativo". Para Borges da Cunha, o conceito vai um pouco além: "A Bienal é sempre um grande parque. Vira uma atração turística", explica. "Isso é fantástico, não tem que elitizar a arte. O estranhamento ocorre no primeiro momento em que se olha. Em um segundo momento, as pessoas vão tentar saber o que realmente significa aquilo".

Logo na entrada, as obras de Jane Alexander, Laura Lima e Marepe são as mais atrativas e visualmente mais ricas.

Jane Alexander utiliza o tema Como Viver Junto para fazer uma crítica social. Um dos trabalhos que mais chama atenção é o Congo Honeymoon, produção que mostra uma espécie de ave em um cercado eletrificado. "No caso de Jane, o trabalho dela é sobre segurança e violência", acrescenta Borges.

A segunda grande atração do andar térreo é a obra de Laura Lima. A artista disponibiliza roupas de plástico transparente para que os visitantes interajam com a arte. "Me lembra de certa forma os trabalhos de Lígia Clark, que mostra obras para vestir".

1º Andar
A atração mais visível e curiosa da Bienal sem dúvidas é a famosa bolha de plástico, onde os visitantes podem entrar e escalar os andares através de uma escada. Criada por Tomas Saraceno, a obra ocupa três andares da Bienal. "O interessante é que parece um formigueiro transparente para quem vê de fora", explica Borges da Cunha.

Outro ponto forte do 1º andar são as fotos e os vídeos da artista Lida Abdul, que nasceu no Afeganistão e vive em Los Angeles. Suas obras fazem um paralelo com a guerra e além de mostrar casas destruídas, retrata uma possível transposição de paz com todas elas sendo pintadas de branco. "O que me impressiona é que ela veio do Afeganistão. É muito difícil encontrar mulheres com força artística neste País".

A inusitada obra Higher Education, de Servet Koçyigit, propõe uma nova organização do espaço. "São várias carteiras escolares empilhadas, cada uma com uma criança. É muito interessante", brinca.

2º Andar
Neste bloco, Dominique Gonzalez-Foerster, Alberto Baraya, e Ligia Koch "roubam" a cena. Baraya propõe um "museu de plantas artificiais" com um curioso herbário. "Ele ia em casas do Acre, coletava plantas artificiais nas casas e catalogava", explica.

Gonzalez-Foerster propõe uma extensão do espaço da Bienal através de uma imitação. O artista reproduz a rampa ambiental, que pode ser usada pelos próprios visitantes.

A fotógrafa brasileira Lucia Koch usa sua arte fotografando dentro de caixas. Ela utiliza embalagens de macarrão e leite para criar fotos com diferentes "sensações". "A impressão é muito mais ampla. Parece que aquilo é um espaço, uma sala."

3º andar
Joviniano Borges da Cunha cita o terceiro andar como um local de "estrelas". A cubana Ana Mendieta é uma delas. "Ela tenta se inserir no espaço".

Ana, que mora nos Estados Unidos, faz performances de vídeo. Em um dos trabalhos expostos na Bienal, ela se enterra embaixo de pedras e vai se mexendo até "brotar" do chão.

Gordon Matta-Clark é outro astro citado. Ele utiliza casas, vilas e apartamentos serrados para mostrar sua arte. "Gordon faz buracos na parede e através deles podemos enxergar a paisagem que fica do outro lado".

Por último, a obra de Pieter Hugo é outro ponto essencial na visita de uma hora à Bienal. O artista traz fotos de pessoas e animais em um cotidiano único. "Tem homem de mão dada com macaco, homem segurando uma hiena na coleira", explica Borges da Cunha.

Em uma das fotos, um macaco veste a mesma roupa e demonstra os mesmos trejeitos que um homem, também retratado. "Você tem certeza que foi o macaco que levou o homem para tirar a foto, de tão humano que ele é", brinca.

Redação Terra