Empolgadas meninas usam belos vestidos e saltos, que seriam inviáveis nas ruas de um bloco
Foto: Bruna Prado/Futura Press
- Fabiano Rampazzo
- Direto do Rio de Janeiro
Nesta madrugada de sexta para sábado o Monobloco, liderado pelo músico Pedro Luís, fez seu penúltimo show-ensaio antes da saída do bloco às ruas do Rio, que ocorre no domingo pós-carnaval, dia 21. Como de costume, o show aconteceu na Fundição Progresso, na Lapa, e, também como de costume, o lugar lotou. Nem os salgados R$ 80 do ingresso afastaram os fãs do bloco, que tomaram a pista e a arquibancada em volta do palco. O que se viu ali dentro foi um público bastante animado, mas diferenciado do que se vê normalmente no carnaval de rua do Rio de Janeiro. Ao menos o Monobloco não é para qualquer bico.
O show da banda atrasou um pouco, mas, quando começou, veio que veio. Cativante, o grupo canta marchinhas e músicas de carnaval conhecidas do público e, com uma bateria grande e afiada, põe todo mundo na roda. "Isso aqui é bom demais, sou fã deles, venho todo ano", disse Ricardo Lins, empresário de 27 anos. Este ano o Monobloco completa 10 anos.
Gosto pra tudo
No meio da pista lotada, a quantidade de gente e ausência de ventilação fazia o local causar inveja às melhores saunas da cidade. Fato que não pareceu ser problema para ninguém ali. "Vale muito à pena, o som é muito bom e eu prefiro assim. Aqui tem uma estrutura que não existe nas ruas. Você tem banheiro fácil, bar, comida, não tem briga, não tem furto, é perfeito", disse a professora de educação física, Juliana Mesquita, de 32 anos. Certo. Só quem nem todo mundo pensa assim.
Ainda longe, bem longe do final da apresentação do grupo, a auditora Michelle Glória, de 35 anos, e sua amiga Ângela Brusa, de 38, foram embora descontentes. "Pra mim decepcionou. Muito calor, abafado, muvuca, faltou espaço", disse Ângela. "Acho que falta também aquela energia da rua, onde aparece e canta quem quiser", completou Michelle.
Meninas do Brasil
De Belo Horizonte, a Amanda. De Varginha, a Mariana. Lara e Lui vieram de Natal. Thaline é a representante de Petrolina. Gabi, única fluminense, veio de Petrópolis. E a Amanda (de novo?), pois é, mas é outra, essa veio de Fortaleza. O que elas têm em comum? Fora o fato de serem todas amigas e não desgrudarem nem quando uma delas vai comprar água, o gosto pela folia. Empolgadas com o show do Monobloco que estava para começar, elas, dentro da Fundição Progresso, desfilavam seus belos vestidos e saltos, figurino que nas ruas de um bloco de morro seria inviável.
"Não queira saber como nos conhecemos que a história é longa pra burro. Resumindo, dá pra dizer que foi na mesma faculdade", disse Gabriela Lopes, a publicitária de Petrópolis. Os homens, fãs do Monobloco presentes no Fundição, agradeceram a visita. "É muita mulher bonita de uma vez só. Isso aqui nem parece Carnaval, parece desfile de moda", disse o advogado Rodrigo Aguiar, de 29 anos, mais um que confessou preferir o mono e hermético bloco que se apresentou na madrugada de sábado na Fundição Progresso, aos acessíveis e populares blocos de rua.
O que não se pode negar é que o Monobloco atende a um público e demanda que claramente existem no Rio de Janeiro. Salvo raras exceções, quem estava dentro não sairia por nada. E, do lado de fora, muita gente querendo entrar. Cambistas comprando, vendendo e inflacionando os ingressos, o bloco de Pedro Luis lembrou jogo de final de campeonato. Enfim, uma opção a mais no democrático carnaval do Rio de Janeiro.
- Terra





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