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 Na despedida dos jegues, Arruda é alvo predileto de "coices"
15 de fevereiro de 2010 18h03 atualizado às 18h35

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Mudança do Garcia é conhecido pela sua irreverência e pelas críticas políticas e sociais. Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

Mudança do Garcia é conhecido pela sua irreverência e pelas críticas políticas e sociais
Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

Vagner Magalhães
Direto de Salvador

O bloco carnavalesco Mudança do Garcia, que se apresentou na tarde desta segunda-feira no circuito Barra-Ondina do Carnaval de Salvador, não poupou os políticos locais e principalmente o governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

O Mudança do Garcia é conhecido pela sua irreverência e pelas críticas políticas e sociais. Neste ano, 11 jegues de 18 cavalos fizeram a sua última apresentação no Carvaval baiano. Na semana passada, em reunião com o Ministério Público da Bahia, o bloco se comprometeu a não utilizar mais animais na festa.

Entre os foliões, o mensalão do governo do DF foi o tema predominante. Não faltou dinheiro em pastas, meias e cartazes contra Arruda. Apesar de as festas de fim de ano já terem se encerrado, alguns panetones também estiveram na folia.

Faixas com os dizeres "Arruda, a Justiça é cega, mas não muda. O seu lugar é na Papuda", ou "É no paletó, é na bolsa, é na cueca. Onde mais vão esconder o nosso dinheiro", podiam ser vistas no trajeto. "Arruda na Bahia é coisa sagrada. Em Brasília é DEMoníaca", dizia outro.

Luiz Mendes, 44 anos, um dos coordenadores do bloco, afirmou que o fim do desfile dos jegues mata um pouco a tradição do carnaval baiano. "O nosso bloco tem 55 anos e sempre trouxe as carroças. Ano que vem vamos ver se conseguimos uns bugueiros e novos porta-estandartes. A crítica política e social vai continuar, independente do meio de transporte", disse.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, também não foi poupado. "Não seja um lobo mau neste Carnaval", dizia um cartaz em referência ao político.

O bloco de protesto, nascido no bairro popular do Garcia, se tornou um patrimônio do Carnaval baiano e, com essa medida, pode iniciar sua decadência, já que o uso de jegues, cavalos, burros, que carregam cartazes com críticas a políticos, ficará proibido a partir de 2011.

Redação Terra
  1. Populares aproveitaram para criticar polêmicas do governo e pedir melhorias

    Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

  2. A Mudança do Garcia, tradição da segunda-feira de Carnaval, segue em direção ao Campo Grande, em Salvador

    Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

  3. Charlin Chaplin esteve presente na Mudança do Garcia

    Foto: Antônio Reis/Especial para Terra

  4. Os protestos, que também são marca da Mudança, esse ano criticam o Bolsa Família, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef e o prefeito João Henrique

    Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

  5. Como já é de costume, o grupo abusa da irreverência com carroças puxadas por cavalos e jegues

    Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press

  6. No bloco, até dinheiro escondido na meia, em alusão aos corruptos, apareceu

    Foto: Antônio Reis/Especial para Terra

  7. No bloco vale de tudo, desde fantasias inusitadas a protestos

    Foto: Antônio Reis/Especial para Terra

  8. Mudança do Garcia entrou na avenida com os burros e placas contra corrupção

    Foto: Antônio Reis/Especial para Terra

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