Mudança do Garcia é conhecido pela sua irreverência e pelas críticas políticas e sociais
Foto: Marco Aurélio/Agência A Tarde/Futura Press
- Vagner Magalhães
- Direto de Salvador
O bloco carnavalesco Mudança do Garcia, que se apresentou na tarde desta segunda-feira no circuito Barra-Ondina do Carnaval de Salvador, não poupou os políticos locais e principalmente o governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
O Mudança do Garcia é conhecido pela sua irreverência e pelas críticas políticas e sociais. Neste ano, 11 jegues de 18 cavalos fizeram a sua última apresentação no Carvaval baiano. Na semana passada, em reunião com o Ministério Público da Bahia, o bloco se comprometeu a não utilizar mais animais na festa.
Entre os foliões, o mensalão do governo do DF foi o tema predominante. Não faltou dinheiro em pastas, meias e cartazes contra Arruda. Apesar de as festas de fim de ano já terem se encerrado, alguns panetones também estiveram na folia.
Faixas com os dizeres "Arruda, a Justiça é cega, mas não muda. O seu lugar é na Papuda", ou "É no paletó, é na bolsa, é na cueca. Onde mais vão esconder o nosso dinheiro", podiam ser vistas no trajeto. "Arruda na Bahia é coisa sagrada. Em Brasília é DEMoníaca", dizia outro.
Luiz Mendes, 44 anos, um dos coordenadores do bloco, afirmou que o fim do desfile dos jegues mata um pouco a tradição do carnaval baiano. "O nosso bloco tem 55 anos e sempre trouxe as carroças. Ano que vem vamos ver se conseguimos uns bugueiros e novos porta-estandartes. A crítica política e social vai continuar, independente do meio de transporte", disse.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, também não foi poupado. "Não seja um lobo mau neste Carnaval", dizia um cartaz em referência ao político.
O bloco de protesto, nascido no bairro popular do Garcia, se tornou um patrimônio do Carnaval baiano e, com essa medida, pode iniciar sua decadência, já que o uso de jegues, cavalos, burros, que carregam cartazes com críticas a políticos, ficará proibido a partir de 2011.
- Redação Terra














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