São Clemente abre o primeiro dia de desfiles no Rio de Janeiro
Foto: Dhavid Normando/Futura Press
Única escola de samba da zona sul do Rio de Janeiro, a São Clemente foi a responsável por abrir o Carnaval carioca. Com o enredo O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza, a agremiação levou as belas paisagens da cidade para a Sapucaí. Doze minutos após o horário programado, Igor Sorriso, intérprete da São Clemente, deu início ao desfile com o grito de guerra da escola.
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Composta por 15 bailarinos, a comissão de frente levou para a avenida o clima litorâneo do Rio. Vestidos de amarelo e com capacetes que lembram o calçadão de Copacabana, eles andavam de bicicleta e pulavam corda. Um deles, vestido de vermelho, carregou uma prancha e fez referência a um dos esportes mais praticados nas praias cariocas: o surf.
A comissão fez uma brincadeira com o "conselho deliberativo divino" para criação do Rio de Janeiro. Segundo a escola, Deus, Seu Jorge e Nossa Senhora gastaram dois dias para discutir como criar a cidade, conhecida como Cidade Maravilhosa. O segundo carro alegórico, "Salve São Jorge do Rio de Janeiro", representou a construção da metrópole. Assim como os grandes anjos que fazem parte da alegoria, todos os destaques vestiam roupas de operários. Curiosidade: o responsável por dirigir o carro, que normalmente vem "escondido" dentro da alegoria, veio em cima dele. Já os empurradores, que costumam vir atrás usando roupas comuns, vieram dos lados e fantasiados.
Em seguida, veio a terceira alegoria: "Real Horto". Um chafariz gigantesco, réplica do que existe no Jardim Botânico, espirrava água nos destaques que compunham o carro.
Diferente das demais escolas, os coordenadores de bateria da São Clemente não utilizam apitos. Segundo eles, isso evita chamar a atenção dos jurados para quaisquer possíveis falhas na percussão.
Com um bote inflável enorme, o carro "Projeto Salvação" foi o sexto da São Clemente. Ele mostrou os problemas das chuvas no Rio de Janeiro. O último trouxe como destaque o gari Renato Sorriso que, ao fim da apresentação, voltou para a avenida, só que para trabalhar.
Quinhentos e sessenta componentes, vestidos com as sete cores do arco-íris, deram vida à ala "Ser carioca é...". Ela representou os sentimentos do moradores da cidade e preencheu grande parte da Sapucaí com seus sambistas.
Faltando apenas dois minutos para atingir o tempo máximo permitido para a passagem pela avenida do samba, a São Clemente finalizou sua participação no primeiro dia de desfiles do grupo especial. Foram 80 minutos, que levaram para a Sapucaí 3,3 mil componentes, divididos em 31 alas, e sete carros alegóricos.
Histórico
Em 1951, um grupo de jovens do bairro de Botafogo participava de uma equipe chamada São Clemente Futebol Clube. O time criado em homenagem à rua em que se reuniam vestia as cores azul e branco. Eles faziam excursões para jogar em outras cidades e em uma dessas viagens, com destino à Bananal, também no Rio de Janeiro, o grupo começou a batucar em um pedaço de madeira. A empolgação foi tanta que eles resolveram criar a partir daquele momento o Bloco de Sujos, que passou a desfilar no Carnaval pelo bairro de Botafogo com as cores azul e branca.
Ficha técnica
Presidente: Renato Almeida Gomes
Carnavalesco: Fabio Ricardo
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Bira e Jaqueline
Intérprete do samba: Igor Sorriso
Rainha da Bateria: Bruna Almeida
Cores: Amarelo e preto
Posição no Carnaval de 2010: Campeã do grupo de acesso
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