A programação oficial do Carnaval de Manaus terminou no sambódromo, com o desfile de trios elétricos, que se revezaram durante dois dias
Foto: Arnoldo Santos/Especial para Terra
- Aroldo Santos
- Direto de Manaus
Nem samba-enredo, nem axé music, nem frevo. A programação oficial do Carnaval de Manaus terminou no sambódromo, com o desfile de trios elétricos, que se revezaram durante dois dias com dezenas de atrações musicais e atraindo um público, estimado pela Polícia Militar (PM), em cerca de 50 mil pessoas na noite de segunda-feira, e de 80 mil nesta noite de terça-feira. A única diferença para outros lugares do País é que o Carnaval do manauara foi encerrado ao ritmo do boibumbá. Há 11 anos que o Carnaboi encerra a programação oficial carnavalesca organizada pela Secretaria Estadual de Cultura.
A diferença para os Carnavais do resto do País chama atenção dos visitantes e contagia até quem vem da terra do frevo. "Olha que Recife já tem um Carnaval quente, mas isso aqui é diferente e muito bom", diz o pernanbucano Harry Araújo, recém-chegado a Manaus para trabalhar em uma empresa do pólo industrial da Zona Franca. Ao lado de mais dois colegas, um paulista e um gaúcho, Harry participou da festa carregando uma grande bandeira do seu Estado.
Entre o público local, a rivalidade de Garantido e Caprichoso se traduzia na divisão de cores. Bandeiras e adereços azuis e brancos do Caprichoso e vermelhos e brancos, do Garantido. Como se fosse um Gre-Nal, um Fla-Flu ou um Ba-Vi, clássicos do futebol brasileiro nos estados, não faz parte da prache do Carnaboi ficar em cima do muro. A escolha é feita desde pequeno. "Eu venho todos os anos com toda a minha família. E toda ela é Garantido", diz Ana Paula Rodrigues, vendededora, que estava com o único filho, Enzo, de um ano e meio de idade. O pequeno Enzon, com uma camisa do Garantido.
Para entrar na passarela e acompanhar qualquer trio-elétrico, bastava estar vestido com um tururi oficial dos artistas. A família do professor Valdeir Câmara (mulher, filho e sobrinha) variou de artista, mas brincou junta. "Isso aqui é um brincadeira pra família. Eu venho sempre, mas é a primeira que eles (filho e sobrinha) vêm", diz o professor.
O sucesso do Carnaval ao ritmo de boi é comemorado pelos artistas que participam diretamente do festival folclórico de Parintins, realizado no mês de junho todos os anos. "É a prova de que o boi é um ritmo que é difundido em junho em Parintins, mas é tocado o ano inteiro no Amazonas. Nada melhor pra se representar isso do que o Carnaboi", avalia o cantor Edilson Santana, que é o amo do boi Caprichoso, um dos personagens principais da apresentação feita em Parintins.
Nas duas noites (segunda e terça), o Carnaboi reuniu os principais artistas do estilo musical que ficou notabilizado pelo festival folclórico de Parintins (interior do Amazonas), onde as associações folclóricas Garantido e Caprichoso fazem o duelo dentro do bumbódromo da cidade. Em Manaus, os artistas promovem uma espécie de duelo onde representantes dos dois bois se revezam na passarela que, antes, era exclusiva do samba.
Como se fossem blocos do Carnaval de Salvador, cada artista que cai se apresentar nos trios elétricos vendem seus tururis, uma versão cabocla do abadá dos blocos baianos. E estrutura segue as exigências do espetáculo. Técnicos de som, seguranças, iluminadores e músicos, todos trabalham pra receber os foliões que, neste caso, são chamados de brincantes. Um dos detalhes mais curiosos é que todas as músicas, chamadas de toadas, têm uma coreografia própria. O público frequentador já sabe de cor cada passo. Aí, tudo vira um grande bailado, com direito a torcidas organizadas, bandeiras e muito show de artistas desconhecidos em uma passarela que, antes era do samba, agora é do boi bumbá, mas que continua sendo do povo.
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