O Bacalhau do Batata, bloco que percorre as ladeiras de Olinda na quarta-feira de Cinzas, surgiu da insatisfação de um garçom com o fim do Carnaval
Foto: Gil Vicente/Especial para Terra
O garçom Batata, que trabalhava durante a folia, resolveu tirar um sarro naquele ano de 1962 e saiu com um bacalhau pendurado em uma vara pelas ruas
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A brincadeira do garçom foi atraindo gente e hoje, exatos 50 anos depois, arrasta o fim do Carnaval por mais um dia para uma multidão de olindenses
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É assim que conta a sobrinha do já falecido Batata e atual diretora do bloco, Fátima Araújo, que tenta explicar por que o costume de sair com um bacalhau atraiu tanta gente
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No fim da manhã das quartas-feiras pós-Carnaval, centenas de foliões percorrem as ruas íngremes da cidade ao redor do estandarte do bloco, de bonecos de Olinda e algumas pessoas ainda fantasiadas
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"É essa coisa gostosa das pessoas se unirem. Todo mundo de ressaca, podia até ficar em casa, mas vem pra rua se juntar", diz a sobrinha do garçom Batata
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O Bacalhau virou tradição, e com isso criou outros costumes
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Um dos costumes surgiu no fim da madrugada da Quarta-feira de Cinzas de 1995, que acabou definindo o atual local de concentração do Bacalhau
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Quando a música acabou daquele 1995, por volta das 4h, o público pediu para continuar. "Então peguei a orquestra e fiz um arrastão até o Alto da Sé", conta Zuza, da orquestra de frevo e assim se definiu o local de concentração do bloco
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A ideia do arrastão, no entanto, não deu muito certo, e no ano seguinte ele eliminou o arrastão e planejou fazer comida para os foliões
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"Vou fazer munguzá, que dá força e energia para eles conseguirem pular no Bacalhau do Batata", conta Zuza. O munguzá, similar à canjica dos paulistas, mas que costuma levar leite de coco em vez do de vaca, fez enorme sucesso e também virou tradição
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Todo dia antes da saída do Bacalhau, por volta das 5h, o grupo de Zuza serve a iguaria para todos os foliões
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"Às 9h, nós fazemos a troca das camisas, e do munguzá os foliões passam a ser comandados pelo bacalhau", explica Zuza
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A concentração é no Alto da Sé, mas o grupo que vai até lá é minoria - muitos foliões preferem evitar as puxadas ladeiras de Olinda e esperam a passagem do bloco em ruas mais baixas
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O grupo vai crescendo indefinidamente, agregando todos aqueles que ainda quiserem mais um dia de folia
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O som do bloco é feito por orquestras de frevo
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O garçom Batata é retratado em cartazes do bloco
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Os foliões capricham nas fantasias no tradicional bloco da quarta-feira de cinzas
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O Bacalhau do Batata, bloco que percorre as ladeiras de Olinda na quarta-feira de Cinzas, surgiu da insatisfação de um garçom com o fim do Carnaval
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