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Com tumulto e brigas, bloco Bola Preta fica sem recorde no RJ

9 fev 2013
16h09
atualizado em 10/2/2013 às 00h33
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Quando começou o desfile do Cordão da Bola Preta, no centro do Rio de Janeiro, o bloco mais tradicional da cidade tinha dois objetivos: alegrar a multidão e bater oficialmente um recorde que ainda pertence ao Galo da Madrugada, que também desfilou na manhã deste sábado no Recife - se tornar o maior bloco de Carnaval do mundo. O primeiro resultado certamente o grupo atingiu com uma hora de gente que acordou cedo e desde 7h já estava na Avenida Rio Branco se divertindo. O segundo não foi possível.

Segundo a empresa pública de turismo do Rio de Janeiro (RioTur), o Bola Preta arrastou 1,8 milhão de foliões para a Avenida Rio Branco. O número é inferior ao do ano passado quando, de acordo com a prefeitura, o bloco levou 2,3 milhões de pessoas para a avenida. A expectativa em 2013 era de 2,5 milhões. Representantes do Guinness, o livro dos recordes, que estavam na cidade para avaliar a passagem do Bola Preta ainda vão emitir um parecer, mas o resultado frustrou um pouco a organização. "A gente tinha expectativa de bater o recorde. De qualquer forma, acho que continuamos a ser o maior bloco do mundo com o desfile do ano passado", disse o presidente Pedro Marinho.  

Para a popularidade do Bola Preta contam vários atributos. O primeiro é a antiguidade. Fundado em 1918, é o primeiro bloco do Rio, o único remanescente dos tradicionais cordões carnavalescos do início do século XX. Para completar, tem um trio de beldades famosas que causa admiração: além da cantora Maria Rita, madrinha do bloco, as atrizes Leandra Leal e Desirré Oliveira encarnam a porta-bandeira e a rainha de bateria, respectivamente. Esta última, grávida de cinco meses, já pensava até no desfile de 2014. "Não vejo a hora de trazer o meu príncipe Andrei (o nome escolhido para o filho) no meu colo para desfilar ano que vem", diz.

Quem também acompanhou o bloco foi a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O bloco tinha cartazes pedindo que as pessoas se preocupassem que as crianças não fossem vítima de violência. No entanto, o Terra flagrou algumas com pouco mais de 5 anos trabalhando na avenida vendendo cerveja. A ministra disse que esta é uma realidade que ainda existe no país e pediu conscientização e denúncias no telefone 100. "É muito importante que haja engajamento de todos os personagens da sociedade", disse. 

Enquanto os integrantes do bloco usavam roupas brancas com bolas pretas, o público em geral ousava nas fantasias - com as cores do bloco ou não. Wandim dos Santos saiu de Campo Grande, na zona oeste da cidade, com 17 amigos. Todos fantasiados de coelhinhas. Uma fantasia divertida e com muito estilo. "Tivemos de comprar tecido, contratar costureira e até grafiteiro para pintar nossa fantasia. Custou cerca de R$ 480, mas vale a pena. Todo mundo se diverte muito e o Bola Preta é de graça", contou. 

Toda esta alegria é uma forma também de esquecer o momento difícil por que passa o Bola Preta. O clube tem dívidas que ultrapassam os R$ 2 milhões e corre risco de ser dissolvido num futuro próximo - depende de desfechos de ações judiciais. A sede que ocupa, na Rua da Relação, é um imóvel cedido pelo estado depois que o bloco foi despejado. "Uma coisa não tem nada a ver com a outra. "Este é o momento para nos descontrairmos. Nossa situação realmente é muito difícil, mas isso não abala o nosso Carnaval. Esta multidão aqui está de prova disso. Vestiram preto e branco para vir pular aqui no centro", disse o presidente.

O clube tem apenas 360 associados e precisa se virar em festas para juntar dinheiro. O Carnaval é também um momento de gastos elevados:  toda a estrutura para o desfile custa cerca de R$ 180 mil - apenas R$ 50 mil foram repassados pelo governo do estado e pela prefeitura. "Precisamos que o poder público tenha um pouco de sensibilidade. O Bola Preta é um patrimônio cultural da cidade. Cabe ao Rio de Janeiro cuidar do Bola Preta para que ele não passe por novas humilhações", pediu Marinho, já emocionado com o estandarte do bloco durante o desfile. 

 

Durante sua passagem pela Rio Branco, o bloco também teve problemas. Além da falha no som que causou um coro debochado dos foliões - "bola murcha! bola murcha! bola murcha! -, ocorreram muitas brigas durante a dispersão. As pessoas ficaram desesperadas porque não conseguiam se desvencilhar da massa. Muitas passaram mal. Uma viatura da Polícia Militar que estava no meio do público teve o para-brisas quebrado. 

Carnaval ao vivo no Terra
O Terra transmite entre os dias 7 e 12 de fevereiro a passagem dos principais trios-elétricos pelos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande de Salvador ao vivo e de graça no Terra via computadores, tablets, smartphones ou televisores conectados. A transmissão será em alta definição (HD) ou qualidade standard - dependendo da disponibilidade de banda do usuário - para todo o Brasil e demais países da América Latina. O portal também transmitirá tradicionais bailes e blocos de rua do Rio de Janeiro. Já no dia dos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo, o público poderá acompanhar todos os detalhes através de narração minuto a minuto e a apuração nota a nota que definirá as campeãs.

 

Fonte: Terra
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