atualizado às 16h07

Música clássica, Beatles e Roberto Carlos: dá tudo em samba no Rio

Bloco mistura samba com música erudita nas ruas do Rio de Janeiro Foto: Ricardo Matsukawa  / Terra
Bloco mistura samba com música erudita nas ruas do Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
 
Carol Almeida
Direto do Rio de Janeiro

Chopinho com Chopin, Cartola com Ravel, Villa-Lobos com Noel. Para levar a sério essa atípica mistura da MPB com a música clássica, só mesmo na brincadeira do Carnaval. Criado para desfilar pela primeira vez este ano no Rio de Janeiro, o bloco Feitiço do Villa nasce oficialmente neste 5 de março em que se comemora o aniversário de Heitor Villa-Lobos e, por tabela, Dia Nacional da Música Clássica. Propício, portanto, àquilo que o próprio compositor homenageado era exímio em fazer: unir referências do popular e o erudito. Nesse "samba do crioulo doido", o Feitiço do Villa animou ensopados foliões que, a despeito da chuva, cantaram junto Cabeleira do Zezé em ritmo de Ode a Alegria, de Beethoven, e sambaram ao som de Primavera, de Vivaldi, entre outras combinações pouco comuns.

Formado por músicos da Orquestra Petrobrás Sinfônica, do Teatro Municial do Rio, da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra da Universidade Federal Fluminense, o grupo teve ainda este ano a ilustre participação da soprano brasileira Mirna Rubim, que fez uma performance pra lá de bem-humorada, colocando a tal cabeleira do Zezé em tom de ópera. "A ideia do bloco já vem de anos, mas pra colocar ele na rua era preciso ter um apoio de produção. E aí a Heloísa Fischer (jornalista e produtora) deu isso pra gente", explicou o maestro do Feitiço, Carlos Prazeres, enquanto tentava ajeitar a franja loira de sua peruca. Nada estranho para um maestro que, no palco, pedia para as meninas adicionarem ele no Facebook.

Entre o público, fantasias pouco comuns e dificilmente reconhecidas ao olho nu de referências: as amigas Vera Vitis, Irene Capille e Miriam Sabona saíram de Carmen, sim, a Carmen personagem da famosa ópera de Georges Bizet. Difícil é achar alguém que identifique tal alusão.

Dá tudo em samba
Pode-se dizer, sem medo de exagerar, que no Carnaval carioca deste ano, absolutamente tudo termina em samba. E não apenas a música clássica. A adaptação de várias referências musicais em marchinhas e sambas é uma atração à parte no Carnaval do Rio em 2011. Na próxima segunda-feira, 7 de março, duas apresentações com essa proposta se destacam: Sargento Pimenta e Exalta Rei. Em outras palavras: são os Beatles e o Rei Roberto Carlos ao som da batucada.

O Sargento Pimenta, que está sendo muito aguardado este ano, vai sair oficialmente às 15h do bairro de Botafogo colocando All My Loving como marchinha, Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band como samba e Hard Day's Night como funk, entre outras estranhas e engraçadas transformações.

Nesse mesmo dia, a partir das 22h, no Teatro Odisséia (Lapa), o grupo que foi uma das grandes revelações do Carnaval do Rio em 2009, o Exalta Rei, coloca clássicos de Roberto Carlos em surdos, pandeiros, chocalhos e tamborins. No repertório, Como É Grande o Meu Amor Por Você, Emoções, Eu Sou Terrível e vários outros hits.

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