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Carnaval do Rio de Janeiro

Inocentes fala sobre coreanos e carnavalesco diz: "chegou para ficar"

30 jan 2013
11h41
atualizado às 11h44
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Caçula do Grupo Especial, a Inocentes de Belford Roxo estreia na elite do Carnaval carioca com planos ambiciosos de se estabelecer entre as principais escolas de samba do Rio. Para 2013, objetivo é se manter na chamada primeira divisão do samba, marcar posição e se tornar, dentro de alguns anos, uma das escolas postulantes às primeiras colocações. A escola vai abrir os desfiles na Marquês de Sapucaí retratando a história da imigração sul-coreana, que completa 50 anos este ano.

Wagner Gonçalves é carnavalesco da agremiação
Wagner Gonçalves é carnavalesco da agremiação
Foto: Mauro Pimentel / Terra

Confiante, o carnavalesco Wagner Gonçalves promete uma "Coreia tupiniquim" na avenida, mostrando especialmente as relações entre os dois países. Com um investimento variando entre R$ 6 milhões e R$ 6,5 milhões, ele diz que o projeto da Inocentes, fundada há 19 anos, não é tímido, e foi feito para brigas com as outras escolas.

"Se entrar para disputar, tem que ser pra valer. Claro que tem que respeitar as escolas tradicionais, pela experiência e vivência de avenida, mas é uma disputa. Não estou fazendo projeto tímido, estou fazendo projeto para brigar com as outras 11 escolas. Seria pretensão dizer que, hoje, a gente está chegando para disputar. Mas estamos caminhando para isso. Estamos vendo quais são os caminhos, etapas, e daqui a curto, médio prazo, tornar uma escola competitiva mesmo. A Inocentes chegou para ficar", afirma, em entrevista no barracão da escola, na Cidade do Samba.

Nem mesmo o fato de a Inocentes não ter conseguido o esperado patrocínio de empresas coreanas vai atrapalhar o carnaval da escola da Baixada Fluminense, garante Gonçalves. Em dezembro, a agremiação anunciou rompimento com a Associação Brasileira dos Coreanos, com a qual havia assinado carta de intenções anteriormente, para estabelecimento de parcerias para o Carnaval. Embora o dinheiro aguardado não tenha entrado, o carnavalesco da Inocentes assegura não ter alterado o projeto do desfile.

"Nada do projeto foi abortado por não ter vindo o patrocínio. Eu, particularmente, não sinto qualquer diferença. A direção da escola jamais me chamou e disse para cortar algo por falta de patrocínio. Era uma possibilidade, com a qual não contei. Fiz projeto viável, pautado nos orçamentos que eu sei que as escolas têm, e está dando tudo certo", explica.

O orçamento da Inocentes para o Carnaval 2013 está entre os seis maiores do Grupo Especial, acrescenta Gonçalves. Segundo ele, quase todo a preparação para o desfile está encerrada, e faltam toques finais. A Inocentes irá para a Sapucaí com 4.200 componentes, divididos em 27 alas e sete carros alegóricos.

No enredo denominado As sete confluências do Rio Han – 50 anos de imigração da Coreia do Sul no Brasil, a ideia central será guiada pelo rio em questão, que será o fio condutor da história da vinda dos coreanos para o Brasil. Segundo Gonçalves, a Sapucaí será transformada num verdadeiro rio, onde será mostrado e exaltado o intercâmbio entre brasileiros e coreanos. Para o carnavalesco, a Inocentes deve se inspirar na história dos asiáticos para avançar no Carnaval

"A Coreia, em pouco menos de 60 anos, se tornou uma potência, com base na educação e na tecnologia. Nós somos a caçulinha do grupo Especial. Nós podemos nos espelhar na Coreia, e ver que esse crescimento independe de tempo. Temos que ter organização, respeito. Essa troca tem uma correlação direta com a posição da escola agora", comenta.

A expectativa de estrear no Grupo Especial é admitida por Gonçalves, mas ele ressalta que o fato de o desfile da Inocentes passar na avenida imediatamente antes de Salgueiro e Unidos da Tijuca aumenta a responsabilidade da escola.

"São simplesmente a campeã e a vice do Carnaval. Vamos ter que entrar com padrão alto. Aumentamos o volume do Carnaval, será um carnaval grandioso. Investimos muito em movimento, com várias peças articuladas", sustenta, descartando, no entanto, carros coreografados.  "Nosso componente vem espontâneo", acrescenta.

A chegada da Inocentes de Belford Roxo ao Grupo Especial foi marcada por muita polêmica. O título no Grupo de Acesso foi bastante contestado pelas demais escolas, o que levou até mesmo a mudanças na organização do desfile que acontece, a partir deste ano, na sexta e no sábado. Para os adversários, as notas da Inocentes foram bastante discrepantes. O presidente da Inocentes, Reginaldo Gomes, também acumulava o comando da liga que organizava os desfiles do Acesso. O resultado acabou sendo mantido.

Para Wagner Gonçalves, essa questão não vai influenciar a avaliação dos jurados a respeito da Inocentes. Ele diz entender que haja uma certa gritaria de escolas tradicionais como Império Serrano, Estácio de Sá e Viradouro, que foram derrotadas pela Inocentes, mas ressaltou que a qualidade de seu trabalho jamais foi contestada.

"Polêmica sempre vai existir, sobretudo quando tem no grupo escolas tradicionais e ganha uma escola relativamente nova. Ninguém questionou o trabalho, eles questionaram o resultado. E o resultado é um trabalho dos jurados. Se o trabalho fosse questionado, seria muito frustrante mesmo. Quem acompanhou, viu a seriedade do trabalho. Polêmica vai existir, é uma festa como o futebol, tem várias opiniões", afirma.

Fonte: Terra

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