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RJ: escolas de samba se superam e ressurgem das cinzas

5 mar 2011
21h16
DIEGO BARRETO

Foram 576 horas ininterruptas de trabalho, mais de 500 operários em até três turnos, cerca de 50 mil horas a menos de sono. Para reconstruir em pouco mais de 20 dias o que costuma levar um ano para ficar pronto, Grande Rio, União da Ilha e Portela provaram que no quesito superação merecem nota máxima.

As três escolas não tiveram tempo para "velar" o Carnaval que se foi com o incêndio do dia 7 na Cidade do Samba. Sacudiram as cinzas, deram a volta por cima e encaram a avenida a partir de hoje prontas para emocionar o público.

Escola com maior prejuízo - ao menos R$ 10 milhões -, a Grande Rio concluiu sexta-feira uma missão que parecia impossível. Desfilará com oito carros alegóricos e 4 mil componentes fantasiados. O "milagre" de refazer em tempo recorde o desfile sobre Florianópolis, capital catarinense, foi obtido com o suor de 250 operários - metade, voluntários.

"O efetivo do barracão dobrou, tivemos médicos, advogados e professores confeccionando adereços e fantasias", conta Paulo Machado, diretor de barracão da escola de samba.

O servidor aposentado Marco Aurélio Noronha, 67, veio de Santa Catarina para ajudar a escola. "Deixei filho de 7 anos e esposa e viajei para o Rio. Nunca tinha trabalhado com Carnaval, mas quis colaborar de alguma forma", conta Noronha, que deu expediente de até 15 horas diárias na Cidade do Samba.

O barracão também se transformou em alojamento para um turma que "morou" lá desde o incêndio. "A gente dormia quatro horas por dia, as outras 20 dia eram de trabalho. Ninguém voltava para casa. A galera dormia no chão do barracão. Valeu o esforço. Vamos desfilar lindos", anima-se Mauro Ferreira, 31 anos, que chefiou equipe de aderecistas.

Na União da Ilha - que refez mais de 2 mil fantasias e duas alegorias -, até o abre-alas serviu de cama. "A gente dormiu embaixo da costela dos dinossauros", lembra a aderecista Thayama Domingos, 22, que ficou três semanas sem ir para casa.

Leva e traz entre tendas improvisadas
Integrantes da equipe de esculturas da Portela, Maria de Fátima Vasconcelos, 52, e Cleide Gonçalves, 40, literalmente pegaram pesado. Com o "barracão" da Águia dividido entre duas tendas, uma dentro e outra fora da Cidade do Samba, elas precisaram improvisar para transportar as esculturas. "É preciso carregar com cuidado", afirma Maria. "Nosso trabalho já estava pronto, mas vamos conseguir terminar tudo", diz Cleide, otimista.

A primeira-dama da Azul e Branca, Val de Carvalho, também fez hora-extra na Portelinha, em Madureira, onde foram refeitas quase três mil fantasias perdidas no fogo. "Tinha dia que chegava de manhã cedo e saía no meio da madrugada. O mais difícil foi ficar longe da minha filha, mas ela é portelense roxa e entendeu. A sensação agora é de dever cumprido", diz Val, que entregou as fantasias da escola para a comunidade na última sexta-feira.

Na Ilha, presidentes de ala se "mudaram" para a praça de alimentação da Cidade do Samba. "Pela Ilha, a gente fica sem dormir e sem comer. Conseguimos concluir o trabalho. Isso é o que importa", defende Ruth da Silva, 52.

Carnaval no Terra
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Folionas acompanham as marchinhas e clássicos tocados pela Banda de Ipanema, no Rio de Janeiro
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Foto: Murilo Rezende / Futura Press
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