Carnaval de São Paulo

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22 de fevereiro de 2012 • 09h52 • atualizado às 10h27

Apuração: polícia de SP tenta identificar envolvidos em confusão

Torcedores invadiram o palco durante a apuração na tarde de terça-feira
Foto: Elisa Rodrigues / Futura Press
 
Marina Novaes
Direto de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo tenta identificar outros torcedores envolvidos no tumulto durante a apuração do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval paulista, que terminou com dois presos nesta terça-feira (21). De acordo com o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), os vídeos e imagens da confusão de ontem apontam que várias pessoas "incentivaram" a invasão do local onde estavam sendo lidas as notas das agremiações, no sambódromo do Anhembi, na cidade de São Paulo.

Ontem, foram presos Tiago Tadeu Ciro Faria, 29 anos, e Cauê Ferreira, 20 anos, que passaram a noite no 2º Distrito Policial (Bom Retiro). Por volta das 10h15 desta quarta-feira, ambos foram levados ao Instituto Médico Legal Oeste, localizado na região da Ceagesp, para a realização de exames de corpo de delito antes da transferência para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. Segundo a polícia, eles foram identificados como os torcedores que rasgaram as notas dos jurados, dando início à confusão no sambódromo, que terminou ainda com o incêndio de carros alegóricos.

De acordo com o delegado, Faria é membro da diretoria da escola Império de Casa Verde e tem passagem pela polícia por roubo a caixa eletrônico e formação de quadrilha, em 2001. Já Ferreira é membro da Gaviões da Fiel, mas não tem antecedentes criminais. Ambos vão responder por supressão de documentos e danos ao patrimônio público.

Em depoimento ontem, os torcedores presos disseram ter ficado revoltados após saberem de um acordo para que nenhuma escola do Grupo Especial fosse rebaixada neste ano. "Agora vamos atrás de quem incentivou a invasão. Pelas imagens, sabemos que eles não agiram sozinhos", afirmou o delegado.

Faria e Ferreira foram ouvidos inicialmente na sede do Deatur dentro do Anhembi, e transferidos por volta das 4h para o 2º DP. Eles dividiram cela com outros 14 detentos e não receberam visitas. Pela manhã, uma mulher foi à delegacia à procura de Faria, mas ela não quis dar entrevista e não pôde visitá-lo.

Entenda o caso
Uma confusão promovida por integrantes de escolas de samba interrompeu a apuração do Carnaval de São Paulo nesta terça-feira (21). Faltando apenas uma nota dez para assegurar o título para a Mocidade Alegre, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área de apuração, tomou o último envelope das mãos do leitor e o rasgou.

O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), anunciou a detenção do principal responsável por todo o tumulto. Caue Santos Pereira, 20 anos, integrante da Gaviões da Fiel, também foi detido, este por atirar objetos. De acordo com o major da Polícia Militar de São Paulo, Alexandre Gaspariano, cinco integrantes de escolas de samba foram detidos.

Com isso, a confusão se tornou generalizada e a leitura das notas foi interrompida. Até este ponto, a Mocidade Alegre liderava a apuração com um total de 160 pontos. Solange Bichara, presidente da agremiação, evitou considerar a escola campeã do Carnaval de 2012. "Não posso me considerar campeã por algo que não aconteceu", afirmou.

Uma reunião extraordinária entre a Liga das Escolas de Samba e os diretores das agremiações foi montada para decidir o desfecho do Carnaval 2012. O Presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira, citou o artigo 29 que diz que, quando um jurado não vota, a nota estabelecida é 10. Dessa maneira, todos os votos que não haviam sido contabilizados foram 10 e a Mocidade, que já estava liderando a contagem, se tornou a vencedora.

O tumulto se espalhou no entorno do Sambódromo. Torcedores foram vistos chutando os portões próximos à área da dispersão. Pouco depois, um carro alegórico da Pérola Negra foi incendiado por um grupo ainda não identificado. A alegoria tinha estrutura toda de palha, representando um índio gigante, e foi totalmente destruída pelo fogo.

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