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Carnaval: Gaviões não colaborou com investigação, diz delegado

7 mar 2012
17h47
atualizado às 17h54
Marina Azaredo
Direto de São Paulo

Ao contrário dos discursos de seu advogado, Davi Gebara Neto, ao longo das últimas semanas, a Gaviões da Fiel "não colaborou em nada" nas investigações da polícia a respeito dos tumultos ocorridos na apuração dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, titular da Deatur (Delegacia Especializada no Atendimento ao Turista).

"Só chegamos a esses nomes graças a um trabalho de inteligência e persistência da polícia", exaltou Gonçalves após o depoimento de mais um integrante da agremiação, Edinei Moraes Sarnento, de 36 anos, acusado de participar do incêndio ocorrido depois do início dos tumultos. "Ele admitiu ter colocado fogo, mas disse que foi um momento de nervosismo, de emoção. Que agiu com paixão incendiando o carro verde (alusão à cor da Mancha Verde, adversária da organizada tanto no Carnaval quanto no futebol)".

O delegado afirmou que os nomes dos dois envolvidos só foram descobertos porque, no último domingo (4), dois investigadores se infiltraram em um ônibus da Gaviões da Fiel para ir ao clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, junto com os torcedores. Nas arquibancadas, eles teriam conseguido os apelidos dos envolvidos no incêndio e, assim, chegaram a seus nomes reais - o ex-presidente da organizada Camisa 12 Edinei Moraes Sarnento, conhecido como o 12, e Luciano Zacarias, o "Negão do Barracão".

O curioso foi que, depois de seu depoimento, além de ter sido indiciado pelo incêndio, cuja pena pode chegar a quatro anos de reclusão, Edinei teve sua prisão anunciada por ter débitos de R$ 5 mil em pensão alimentícia. Se sua advogada não conseguir alvará de soltura, o mandado deve ser cumprido ainda nesta quarta.

Seu colega, Zacarias, voltou à delegacia pouco depois de passar no IML (Instituto Médico Legal), onde realizou exame de corpo de delito, e, liberado, a deixou com um largo sorriso no rosto, falando sobre a partida do Corinthians desta quarta, contra o Nacional do Uruguai.

Osvaldo afirmou que a polícia segue acreditando na hipótese de os tumultos terem sido iniciados graças a um acordo entre escolas de samba paulistanas. Tiago Ciro Tadeu Faria, 29, e Cauê Santos Pereira, 20, responsáveis por começar a confusão, voltarão a ser ouvidos no Deatur.

O delegado anunciou ainda que irá sugerir ao Ministério Público a eliminação da Império de Casa Verde, da qual Faria é integrante, do Carnaval da cidade.

Entenda o caso
Faltando apenas uma nota dez para assegurar o título da Mocidade Alegre, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área de apuração, tomou o último envelope das mãos do leitor e o rasgou.

Após o início da confusão, três suspeitos foram flagrados em vídeo ateando fogo em um carro alegórico. Eles usavam camisas da escola de samba Gaviões da Fiel, mas a polícia investiga ainda o envolvimento de integrantes de outras agremiações no tumulto, entre elas a Vai-Vai, a Império de Casa Verde e a Camisa Verde, segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Deatur.

O tumulto fez com que o Gonçalves anunciasse a detenção do principal responsável por ele: Tiago Farias. Cauê Santos Pereira, 20 anos, integrante da Gaviões da Fiel, também foi detido, por atirar objetos. De acordo com o major da Polícia Militar de São Paulo, Alexandre Gaspariano, cinco integrantes de escolas de samba foram detidos.

O tumulto se espalhou no entorno do Sambódromo. Torcedores foram filmados chutando os portões próximos à área da dispersão e, pouco depois, um carro alegórico da Pérola Negra foi incendiado por um grupo identificado pelo delegado como parte da Gaviões da Fiel. A alegoria tinha estrutura de palha, representando um índio gigante, e acabou totalmente destruída pelo fogo.

Na própria terça-feira (21), uma reunião extraordinária entre a Liga das Escolas de Samba e os diretores das agremiações foi montada para decidir o desfecho do Carnaval 2012, que deixou o título com a Mocidade Alegre.

Fonte: Terra
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