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Vai-Vai irá misturar música erudita com samba na avenida

21 fev 2011
15h42
Carolina Ferreira
Direto de São Paulo

Os cinco carros alegóricos mantidos em segredo no barracão da Vai-Vai, na rua Brazeliza Alves de Sousa, mostram que a escola flertará com a música erudita na avenida, na homenagem ao maestro João Carlos Martins. A junção do erudito com o popular permeará todo o desfile, que tem como enredo "A Música Venceu!", do carnavalesco Alexandre Louzada.

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Desde a largada, um violino fará parte do time de harmonia da agremiação ao lado dos cavacos e violões e executará a melodia do samba da Vai-Vai. "O projeto do nosso desfile foi feito para emocionar as pessoas. O maestro estará o desfile todo costurando essa mistura do erudito com o popular", promete o diretor de Carnaval da Vai-Vai, Lourival de Almeida Campos.

Com 13 títulos de campeã no currículo, a tradicional agremiação do bairro paulistano do Bexiga irá desfilar com aproximadamente 4 mil componentes, divididos em 37 alas. Uma das novidades deste ano é que o abre-alas será dividido em três alegorias distintas, unificadas por um sistema de acoplamento.

Segundo o diretor de Carnaval, os carros e as fantasias pretendem contar de forma muito lúdica e clara a história de vida do pianista. "A história do maestro é marcada por momentos de superação, como a da Vai-Vai que é uma escola que luta há 81 anos para ter uma quadra do tamanho da sua comunidade. João Carlos Martins também luta para perpetuar a sua arte, superando as adversidades e os problemas físicos todos", compara.

Conhecido como um dos maiores intérpretes do compositor Bach, João Carlos Martins teve que abandonar a carreira de pianista após perder os movimentos de ambas as mãos em 2003. Ele é responsável, ainda, por projetos de inclusão social por meio da formação musical de jovens de comunidades carentes.

Lourival de Almeida Campos conta que a escola já tinha tido experiência com o universo da música erudita quando foi campeã com o enredo "Acorda, Brasil", uma obra teatral do empresário Antônio Ermínio de Moraes. "Depois disso, começamos um trabalho artístico da nossa bateria com a orquestra Bachiana, do maestro João Carlos Martins, que se tornou um integrante e amante da Va-Vai", afirma.

Bastidores carnavalescos
Para retratar a vida do maestro, cerca de 70 profissionais trabalham no barracão da Vai-Vai há sete meses como aderecistas, serralheiros, marceneiros, cozinheiros e faxineiros. Há também uma equipe composta por 11 pessoas vindas de Parintins (AM) que mora no espaço desde agosto de 2010. O grupo é responsável pelo trabalho de escultura, arte e serralheria dos carros alegóricos.

Entre os integrantes, está o coordenador de carros alegóricos, José de Deus Souza, 64, mais conhecido como Trovão. Enquanto passa massa de pintura na escultura de um dos carros, ele explica que as peças são feitas de isopor, empapelamento com fibra, massa corrida, pintura artística e adereços. Trovão relembra, ainda, as funções que já teve na escola durante 16 anos de dedicação. "Já fui merendeiro, empurrei carros, participei da alegoria e hoje faço parte da harmonia", enumera.

Cada carro tem um coordenador de adereços que estabelece a comunicação visual, como o carioca William Souza que trabalhou cinco anos como aderecista da Beija-Flor e se dedica exclusivamente a Vai-Vai desde junho. Isso sem falar nos trabalhadores que confeccionam as fantasias no ateliê da escola, localizado no bairro do Cambuci, e em ateliês terceirizados. "O carnaval não para. Estamos trabalhando ininterruptamente desde o desfile das campeãs, quando anunciamos este enredo e vai perdurar até a escola passar a faixa amarela de fechamento do desfile", diz o diretor de carnaval da agremiação.

Lourival de Almeida Campos diz que os integrantes trabalham com intensidade para manter a Vai-Vai competitiva, disputando títulos e criando grandes espetáculos. "É uma questão de honra e motivo de todo nosso trabalho a conquista da 14ª estrela para o nosso pavilhão", afirma.

Coordenador de Carnaval compara história da Vai-Vai à vida do maestro João Carlos Martins
Coordenador de Carnaval compara história da Vai-Vai à vida do maestro João Carlos Martins
Foto: Fernando Borges / Terra
Fonte: Especial para Terra
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