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 Centenário de Luiz Gonzaga deve marcar festas de São João
28 de maio de 2012 14h50 atualizado às 15h48

Os trajes nordestinos e a sanfona são as marcas registradas do Rei do Baião. Foto: Everaldo Vilela/Divulgação

Os trajes nordestinos e a sanfona são as marcas registradas do Rei do Baião
Foto: Everaldo Vilela/Divulgação

Celso Calheiros
Direto do Recife

Em 2012, comemora-se o centenário de Luiz Gonzaga, o maior ídolo musical da cultura nordestina. Não é pouca coisa não! Também conhecido como Lua, o Rei do Baião está para os apreciadores do bom forró assim como Tom Jobim está para a bossa nova. Por isso, este ano as festas juninas vão ser diferentes, vão ter uma característica única. Tanto Caruaru, em Pernambuco, quanto Campina Grande, na Paraíba, dedicam ao ídolo maior a festa de São João de 2012.

O centenário de Luiz Gonzaga já foi tema do desfile da escola de samba Unidos da Tijuca, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, e homenageado pelo desfile do Galo da Madrugada, no Recife.

Luiz Gonzaga se tornou ídolo musical de abrangência nacional em uma época onde os meios de comunicação que davam espaço para a música se restringiam apenas ao rádio. Gravou seu primeiro LP de 78 rotações em 1941, com apenas quatro canções instrumentais. No tempo de Gonzaga, as redes sociais eram formadas nas praças, nos circos, em feiras livres (os supermercados não existiam) e nestes espaços, tocava de tudo.

O sociólogo José Farias dos Santos, autor de Luiz Gonzaga, a música como expressão do Nordeste, conta, em sua dissertação de mestrado pela PUC de São Paulo, que o músico era hábil em tocar na sanfona valsas, jazz, mazurcas europeias e outros estilos comuns da época. Mas, foi tocando as músicas tradicionais nordestinas que ganhou reconhecimento. Hoje, Lua é reverenciado pelo xote, xaxado, toada, forró, além de ter ganhado o posto de Rei do Baião no fim da década de 1940.

O professor de história da pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco, Severino Vicente, avança na identificação da estratégia artística de Luiz Gonzaga, nos anos 30 e 40. "Ele cantou um Nordeste inventado para o nordestino que estava fora de casa, assim como ele", analisa Vicente. O historiador diz ainda que Gonzagão tocava o que o público, que frequentava as feiras do Rio de Janeiro e São Paulo, queria ouvir. "A cidade de origem ganha um espaço diferenciado na memória de quem está longe de casa", explica o professor.

O Rei do Baião foi também uma figura importante na divulgação da imagem do Nordeste para o resto do país. O afilhado do artista, Dominguinhos, reconhece este papel de Gonzaga. "Ele era um artista político que pediu muito pelo Nordeste. Viveu toda uma época puxando a atenção para o lado nordestino, vencendo os preconceitos", afirmou.

A chegada da televisão ao Brasil no início da década de 1950 revelou para o país ritmos mais urbanos, como a bossa nova e o rock. O espaço de Luiz Gonzaga ficou menor, em nível nacional. Nesse período, o músico voltou à estrada com sua vida de viajante. Seu retorno à mídia aconteceu pelas trilhas sonoras das novelas, como a de Saramandaia , de Dias Gomes. Em 1980, Luiz Gonzaga retorna ao cenário nacional, resgatado pelo seu filho, o também cantor e compositor Gonzaguinha - com quem teve uma infância tumultuada.

Luiz Gonzaga Nascimento nasceu em 1912 em Exu, no Sertão do Araripe, em Pernambuco. Foi o segundo de nove filhos e cresceu ouvindo o pai tocar forró nas vilas da região. Desde os oito anos já se apresentava em festas cantando e tocando sanfona, mas só começou de maneira profissional na carreira artística em 1939, depois de se desligar do Exército Brasileiro, onde serviu por 10 anos.

O sanfoneiro começou a se apresentar como músico no Rio de Janeiro com a influência de amigos que conheceu na cidade, tocando chorinho, jazz, blues e foxtrot, além de participar como calouro em programas de rádio.

A década de 1940 foi marcada por grandes sucessos na vida de Lua. Além de tocar, começou também a cantar suas canções nas gravações de LP e adotou o estilo nordestino de se vestir, com o conhecido chapéu de couro, como forma de caracterizar suas apresentações. Luiz Gonzaga morreu aos 76 anos, em 1989.

Especial para Terra
  1. Este ano, as festas juninas do Nordeste homenageam o centenário do cantor e compositor Luiz Gonzaga.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  2. O Rei do Baião nasceu em 13 de dezembro de 1912 na vila de Exu, em Pernambuco. Na homenagem, frase do refrão de Qui Nem Jiló composta em parceria com Humberto Teixeira, em 1960.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  3. Casa onde o sanfoneiro morou na infância, em Permanbuco.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  4. Ainda jovem, o artista já segura seu instrumento inseparável: a sanfona.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  5. A imagem de Lua ficou marcada pela vestimenta nordestina que adotou na década de 1940. O chapéu de couro, inspirado em Lampião, também virou característica do músico.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  6. O LP com o sucesso Asa Branca foi lançada em 1947 por Luiz Gonzaga e seu parceiro, Humberto Teixeira. A música já foi gravada por mais de 10 artistas, incluindo Elis Regina, Lulu Santos e Raul Seixas, que cantou uma versão em inglês.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  7. Luiz Gonzaga (à direita) e o parceiro de muitas composições, Humberto Teixeira, posam para foto na década de 1950.

    Foto: Acervo Museu Luiz Gonzaga de Campina Grande/Divulgação

  8. A estátua fica no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas inaugurado em 1962, no Rio de Janeiro.

    Foto: SeLuSaVa/Divulgação

  9. Alguns objetos do Rei do Baião, como esta sanfona, estão expostos no Memorial Luiz Gonzaga, em Recife, PE.

    Foto: Everaldo Vilela/Divulgação

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