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19 de janeiro de 2013 • 14h21 • atualizado às 14h32

Corpo de Walmor é velado; cemitério aguarda autorização para cremação

O corpo de Walmor Chagas, morto nesta sexta-feira (18), está sendo velado desde as 11h30 no cemitério e crematório Parque das Flores, em São José dos Campos (SP)
Foto: Nilton Cardin / Agência Estado
 

O corpo de Walmor Chagas, morto nesta sexta-feira (18), está sendo velado desde as 11h30 no cemitério e crematório Parque das Flores, em São José dos Campos (SP). Às 16h30, será realizada uma cermônia no local. O cemitério informou que, como as causas da morte ainda estão sendo investigadas, aguarda uma autorização judicial para cremar o corpo e que, se ela chegar a tempo, a cremação acontecerá ainda hoje. 

O ator Walmor Chagas foi encontrado morto em sua chácara, em Guaratinguetá, cidade localizada no Vale do Paraíba, interior de São Paulo (SP). A Sala de Comunicações da Polícia Civil da cidade chegou a divulgar que o óbito foi devido a um tiro no peito, mas no final da noite, corrigiu dizendo que foi na cabeça. A polícia investiga o caso e inicialmente trabalha com a hipótese de suicídio. O ator tinha 82 anos.

Legado
Nascido em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 28 de agosto de 1930, Walmor Chagas estrelou diversas novelas de sucesso ao longo de sua carreira televisiva, entre elas Locomotiva, na pele do personagem Fábio, Coração Alado, como Alberto Karany, e Salsa e Merengue, dando vida a Guilherme Amarante. Mas foi no teatro que o ator começou e no palco que se consagrou como um dos grandes atores da dramaturgia brasileira. Estreou no final dos anos 1940 e neles esteve até o final da década de 1990, mais de 50 anos depois. 

Também atuou em diversos filmes, entre eles Xica da Silva (1976), como o Comendador João Fernandes, Asa Branca: Um Sonho Brasileiro (1980), além de adaptações para livros de Machado de Assis, casos de Um Homem Célebre (1976) e Memórias Póstumas (2001). 

Apesar de ter se mantido bastante ativo como ator até 2009, quando trabalhou na novela Mutantes: Promessas de Amor, exibida pela TV Record, Chagas se distanciou dos palcos, sua grande paixão, na última década. Em entrevista concedida há poucos anos ao programa Starte, da Globo News, Chagas explicou ter se afastado do teatro por uma escolha pessoal, já que o universo teatral não seria mais o mesmo.

"A partir dos 80 anos, você percebe que faz parte de uma outra geração e a geração nova é que está com o teatro nas mãos hoje. São eles que fazem o teatro", afirmou. "O teatro que eu fazia não se faz mais, então comecei a me sentir deslocado da vida artística teatral brasileira. Poderia não ser assim, eu poderia continuar fazendo comédias, isso e aquilo, mas sempre fui muito exigente do ponto de vista intelectual, sempre tive um repertório artístico de altíssima qualidade. E isso me obrigava a fazer o tipo de teatro maravilhoso que a gente fez - e que eu acho que hoje já não se faz mais. Se faz outro teatro: maravilhoso, fantástico, da época de agora, que não é a minha época mais."

Chagas foi casado com a atriz Cacilda Becker, morta em 1969, aos 48 anos, em decorrência de um derrame cerebral. Com ela, o ator teve sua única filha, Maria Clara Becker Chagas.

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