Globo aposta na amizade como tema de minissérie

17 de fevereiro de 2008 • 15h25 • atualizado às 15h31
Deborah Bloch e Dan Stulbach estão no elenco de  'Queridos Amigos' Foto: Rede Globo/Divulgação
Deborah Bloch e Dan Stulbach estão no elenco de 'Queridos Amigos'
15 de fevereiro de 2008
Foto: Rede Globo/Divulgação

Gabriela Germano

Rio de Janeiro


Maria Adelaide Amaral foi pega de surpresa ao ouvir um não da Globo para a sua idéia de escrever uma minissérie sobre Maurício de Nassau. Logo a emissora, que sempre investiu em superproduções e já retratou períodos remotos da história do Brasil. Era preciso traçar outro plano.

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O que a autora não tinha pensado é que seu livro, Aos Meus Amigos, publicado em 1992, poderia render uma história de 25 capítulos para a televisão.

Dan Stulbach, que leu a obra, convenceu-a de que sim. E, no próximo dia 18 de fevereiro, depois do Big Brother Brasil 8, vai ao ar o primeiro capítulo de Queridos Amigos, uma história que privilegia o tom intimista e humanista, em vez de cenas com ação ou da produção grandiosa de outras minisséries.

"O maior desafio desse trabalho é fazer com que o público acolha e entenda personagens e conflitos diferentes do que costumamos ver na televisão", resume Maria Adelaide.

Com a sacada, Dan se deu bem e ganhou o papel principal da trama. Ele interpreta Léo, um homem que descobre ter uma doença grave e, no lugar de procurar tratamento, resolve reunir os amigos com quem viveu intensamente a década de 70 para celebrar a amizade.

O reencontro acontece em 1º de novembro de 1989 e reserva ao grupo momentos de alegria e de rancor. "Ao saber que a morte está próxima, a vida passa a ser mais urgente para ele, que quer fazer tudo para ontem", explica o ator sobre a postura de seu personagem.

As décadas de 70 e 80 guardam momentos políticos fervilhantes no Brasil e no mundo. A ditadura, as primeiras eleições diretas desde Jânio Quadros e a queda do Muro de Berlim são passagens que, inevitavelmente, fazem parte dessa história. Mas funcionam mesmo como pano de fundo para os dramas pessoais de cada personagem.

"Esse trabalho é um reencontro com o início de minha carreira, antes de fazer os épicos ou as superproduções. É a retomada do olhar focado no ser humano", filosofa a diretora Denise Saraceni.

Ela conta que recebeu a sinopse na semana da morte dos cineastas Bergman e Antonioni, algumas de suas fontes de inspiração. "Nossa minissérie é inspirada no requinte das imagens simbólicas de Bergman. De Antonioni eu peço licença para buscar o belo", valoriza a diretora.

A minissérie se passa em uma época recente, mas que não deixa de ser histórica. Afinal, de 1989 para cá, já se passaram 19 anos. Para a equipe de cenografia e produção de arte, alguns cuidados foram indispensáveis ao gravar externas e preparar locações. Boa parte do trabalho foi feita em São Paulo, cidade onde se passa a maior parte da trama.

"Muito do que é trivial hoje em dia não existia. Os orelhões eram de cor laranja e os letreiros não eram de plástico. Tivemos de desmontar vários", conta a cenógrafa May Martins.

Já a equipe de figurino e caracterização se preocupou em não alimentar estereótipos da moda da época, como cores vibrantes e vestidos justos. "Nossos personagens são intelectuais, mais clássicos. Por isso investimentos em modelos e tons sóbrios e monocromáticos", justifica a figurinista Gogóia Sampaio.

Em meio a um elenco que reúne ainda Matheus Nachtergaele, Débora Bloch, Maria Luisa Mendonça, entre outros, Denise Fraga também é uma das amigas da história.

A atriz, que há um bom tempo vinha fazendo trabalhos ligados ao humor na Globo, comemora a oportunidade de encarnar aquela que considera a personagem mais dramática da história. "A Bia foi presa e violentada, mas luta para ser feliz apesar de tanta tragédia. Estou muito feliz com esse papel", afirma Denise.

Mesmo os que não fazem parte da "panelinha dos amigos" na minissérie prometem bons momentos nessa história. Entre os "coadjuvantes', há atores como Juca de Oliveira e Fernanda Montenegro. A atriz viverá uma viúva que dá um show de jovialidade em pistas de dança da cidade."É uma mulher totalmente à frente de seu tempo", simplifica a veterana.

O zelo também não foi menor com a trilha-sonora, que traz Gonzaguinha, Elis Regina e Milton Nascimento. "As canções são fundamentais porque a música popular brasileira cantou as transformações dessa época de uma maneira muito forte", valoriza Denise Saraceni.

TV Press
 
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