Elenco de 'Caminho das Índias' aprende exóticos costumes

31 de agosto de 2008 • 09h00 • atualizado às 09h14
Juliana Paes e Márcio Garcia protagonizarão a novela global Foto: Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias/TV Press
Juliana Paes e Márcio Garcia protagonizarão a novela global
28 de agosto de 2008
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias/TV Press

Mariana Trigo

Rio de Janeiro


Os olhos atentos de quase todo o elenco de Caminho das Índias fitavam na mesma direção. Quase sem pestanejar, atores como Tony Ramos, Juliana Paes, José de Abreu, Vera Fischer e Cláudia Jimenez, por exemplo, não desviavam a atenção do palestrante numa conferência sobre a Índia.

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Leandro Karnal, doutor em história pela USP e professor da Unicamp, regia a platéia de "aprendizes" da próxima novela das oito da Globo - ainda sem data de estréia - como um maestro clássico controla cada conversa entre instrumentos. Através de um telão que reproduzia gráficos com informações sobre a economia, números de habitantes, acontecimentos históricos e fotos do povo indiano, o palestrante hipnotizava a atenção de todos com um humor ácido e profundo conhecimento de minúcias daquela nação milenar. No processo de composição de seus personagens, cada ator tentava absorver informações mais precisas sobre a cultura daquele país. "Nesse workshop, vamos fazer uma passagem rápida pela história, como o domínio britânico, as ocupações, o Império Mughal, o budismo e o Hinduísmo", enumerava Leandro.

A cada assunto que o historiador aprofundava, envolto em piadas inteligentes e alusões freqüentes à cultura ocidental, os atores, diretores, toda a equipe de produção da novela e a autora Glória Perez se desdobravam em gargalhadas. Com uma didática apurada, Leandro também foi alvo de questionamentos por parte de vários atores. Tony Ramos, por exemplo, que vai interpretar Opash, um indiano orgulhoso, se preocupava com a informação das tradições destes costumes para o público. O ator arguciava o historiador: "Como vamos mostrar milênios de tradições em doses homeopáticas de um folhetim sobre um assunto absolutamente complexo?", indagava Tony. A cada pergunta, Leandro, com respostas informativas, esbanjava seu domínio sobre o assunto. "Nunca teremos o controle da informação. Cada um absorve o que lhe interessa. Algumas pessoas assistem aos programas para reforçar seus universos e não para transformá-los", rebatia o palestrante.

Pouco antes da enxurrada de perguntas iniciada pela autora Glória Perez, Leandro também mostrou diversas imagens de costumes exóticos dos indianos, como o respeito que este povo tem pelos ratos. Uma foto de uma criança de aproximadamente dois anos oferecendo uma imensa tigela de leite para dezenas de ratazanas, quase causou um alvoroço na platéia, que reagia com "arghs", "ecas" e "uis". Em seguida, a atriz Cláudia Jimenez argumentou: "Por que eles dão essa moral toda para os ratos?". Com um esboço de sorriso, Leandro retorquiu: "É possível que um indiano pergunte por que dão tanta moral aos poodles da Barra da Tijuca. A estranheza de alguns templos com ratos não reflete o outro, mas como você se enxerga. O outro é sempre o estranho?", devolveu, com sutileza.

Quando grande parte da platéia já se acostumava em aceitar costumes diferentes dos ocidentais, Leandro começava a criar elos entre as culturas brasileira e indiana. Além de citar que a arte barroca brasileira conta com traços chineses e indianos, fez leves referências à culinária e lembrou que o açúcar é uma descoberta indiana. Outro tema bastante citado foi o comportamento das mulheres e a inserção delas na sociedade. Juliana Paes, que interpreta a protagonista Maya, se envolve com Bahuan, de Márcio Garcia, é de uma casta - ou seja, uma camada social hereditária - diferente de Maya. Por isso, não é aceito pela família dela. "Estou lendo muitos livros, assistindo a documentários e aprendendo a meditar para entrar numa fase de autoconhecimento como se prega na Índia", explica Juliana Paes.

Dentre diversas informações sobre sáris - vestimenta das mulheres indianas que chegam a ser feitas com oito metros de tecidos - e a posição das mulheres na hierarquia, Leandro afirmou que a Índia é um país tão machista quanto o Brasil. "Mas eles já tiveram uma primeira ministra. Nós não tivemos nenhuma mulher presidente do país", comparava. "Para vivenciar uma cultura tão diferente da nossa, temos de nos despir dos nossos valores", acrescentava o diretor da trama, Marcos Schechtman.

TV Press
 
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