Michael Jackson no Brasil

26 de junho de 2009 • 07h57 • atualizado às 07h57
Michael Jackson gravou um videoclipe no Rio Foto: Agência A Tarde/O Dia
Michael Jackson gravou um videoclipe no Rio
26 de junho de 2009
Foto: Agência A Tarde/O Dia

A passagem do cantor americano Michael Jackson pelo Rio foi um misto de polêmica e emoção. A gravação do clipe da música They Don´t Care About US foi comandada pelo "exército" do traficante Marcinho VP - assassinado há seis anos - no dia 11 de fevereiro de 1996, no Dona Marta, zona sul do Rio. O cenário escolhido foi a laje de um ambulatório na comunidade. Até hoje conhecida como "a laje do Michael Jackson".

Para a realização do videoclipe, o cineasta Spike Lee, diretor da gravação, pediu autorização do traficante e admitiu que a produção pagou aos bandidos para garantir a segurança do popstar nas filmagens. Mas para os moradores o que importou foi a naturalidade do astro, que fugiu do script, subindo e descendo as escadarias da comunidade.

À época, a autorização dada pelo traficante causou mal-estar. O então chefe da Polícia Civil, delegado Hélio Luz, chegou a chamar Lee de "otário", por ter pago ao tráfico pelo serviço. "Fiz a coisa certa. A polícia não poderia garantir a nossa segurança ou a de Michael Jackson", reagiu Lee, na ocasião, que não revelou quanto foi gasto no "aluguel" da locação. Durante as cinco horas em que ficou no morro, Michael não permaneceu apenas na laje: caminhou livremente pelos becos, sempre acompanhado por 60 homens - que teriam sido selecionados pelo tráfico.

Em meio a tanto tumulto, um morador tentou vender um plano de saúde para o astro hipocondríaco. "Antes de subir o Dona Marta, faça um seguro saúde", dizia. Apesar do carinho, Michael usou máscaras e andava sempre acompanhado de seu sósia para tentar confundir seus admiradores. Quem vencia o forte esquema de segurança logo era barrado por um dos traficantes. Terminada a gravação, o artista conheceu a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Além do Rio, o clipe foi gravado em Salvador. Michael convocou a banda afro Olodum para tocar percussão pelas ruas do Pelourinho. O presidente do Olodum, João Jorge, lamenta a morte do cantor. "Ele foi muito importante para o sucesso do Olodum. Ajudou a levar o nome do grupo a mais de 181 países, por causa do trabalho que fizemos juntos. Tivemos uma dimensão internacional. O mundo perde um grande músico", diz ele, contando que 215 percussionistas participaram das gravações, que duraram dois dias.

A primeira vez em que Michael veio ao Brasil foi em setembro de 1974, quando se apresentou com os irmãos no então grupo Jackson 5, durante uma turnê pela América Latina. Em 1993, o cantor retornou ao País já conhecido como o "rei do pop" e fez dois shows no estádio do Morumbi, em São Paulo.

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