Jackson fazia lavagens estomacais e se envolvia com seita, diz babá

28 de junho de 2009 • 07h50 • atualizado às 11h27
Babá contou para a mãe e para a irmã de Jackson sobre o vício do cantor, mas foi demitida por ele Foto: Getty Images
Babá contou para a mãe e para a irmã de Jackson sobre o vício do cantor, mas foi demitida por ele
26 de junho de 2009
Foto: Getty Images

Grace Rwaramba, que trabalhou para Michael Jackson por 17 anos e foi babá de seus três filhos, contou em entrevista neste domingo (28) que o cantor era dependente de remédios e tinha um contato crescente com a seita islâmica heterodoxa Nação do Islã.

Em declarações aos jornal britânico The Sunday Times, Grace, de origem ruandesa, explica que frequentemente tinha que fazer lavagem estomacal no artista após ele ter consumido um coquetel de remédios.

A assistente de 42 anos viajou no sábado (27) de Londres aos Estados Unidos, onde espera se reunir com os três filhos de Jackson. Ela deve ser interrogada pelas autoridades como testemunha sobre a morte do rei do pop. "Peguei essas crianças no colo no dia que elas nasceram", disse Grace. "Elas são meus bebês".

A babá contou como era a vida do cantor em seus últimos meses, nos quais aparentemente levou uma vida nômade, de hotel em hotel, sem ter consciência de sua situação financeira, além de tomar diversos compostos químicos. "Houve um período em que ele estava tão mal que não deixei que as crianças o vissem. Ele sempre comia pouco", contou a babá.

Grace, que começou a trabalhar para o artista como secretária, explica que uma vez ligou para a mãe e uma das irmãs do cantor, Katherine e Janet, para que as duas ajudassem o cantor a deixar o vício. Mas, segundo o jornal, Jackson considerou isso uma traição e a demitiu, o que aparentemente fez em várias ocasiões, a última delas em dezembro.

Apesar disso, a babá continou fazendo visitas às crianças, Prince Michael Jr., 12 anos, Paris, 11, e Prince Michael II (apelidado de Blanket), 7. Ela conta que, recentemente, o filho mais novo do cantor decidiu fazer um show para ela. "Ele foi uma graça, cantou Billy Jean e outras músicas do pai", disse Grace.

A babá revela que os filhos tinham uma relação difícil com o pai. "O Michael sempre ficava nervoso", disse ela. Mas, para a ex-funcionária do cantor, o mais chocante era a forma como ele conduzia a educação dos filhos. "Eles não tinham um professor que os ensine as coisas do mundo", falou Grace.

Sobre os 50 shows previstos para Londres, Grace assinala que o cantor não era consciente dos compromissos que adquiria. "Disse a ele: 'Cinquenta shows? O que você está fazendo?', e ele respondeu: 'Só assinei por dez'", relata a assistente. "Ele não sabia o que estava assinando. Nunca o soube", disse.

Grace comentou ainda que Jackson estava sob a influência de um grupo religioso-político com sede em Chicago, o Nação do Islã, uma cisão do islã tradicional dirigida à população negra que tem crenças controversas, como a de que esta raça é superior.

Segundo a babá, a seita fez Jackson acreditar que o valor pago por ele no aluguel de sua mansão em Los Angeles era de US$ 100 mil por mês. Segundo ela, casas do mesmo padrão do bairro eram alugadas por até quatro vezes menos. De acordo com a informação publicada pelo jornal, o grupo lhe proporcionava guarda-costas e supostamente tinha intimidado a casa de leilões que tinha tentado vender seus objetos.

"Michael não tinha nem ideia sobre dinheiro. Aceitou uma proposta para fazer uma aparição no Japão por US$ 1 milhão. Depois que todo mundo tirou sua parte, ficou com só com US$ 200 mil", disse a babá. Em outra ocasião, ela conta que viajou até Florença, na Itália, e gastou US$ 1 milhão em antiguidades. "Mas como não tínhamos casa para morar, simplesmente colocamos todos os objetos num armazém", conta.

A babá conta ainda que todo o dinheiro ganho pelo cantor era colocado em sacos plásticos pretos de lixo e colocados sob o carpete de sua mansão em Los Angeles. "A Katherine Jackson (mãe do cantor) me ligou às 7h para perguntar onde estava o dinheiro do filho", contou Grace. "Queria evitar que ele fosse roubado".

Adeus ao rei do pop
Os rumores sobre a morte de Michael Jackson começaram a aparecer por volta das 13h (horário de Los Angeles), 17h em Brasília, da última quinta, 25 de junho, quando uma ambulância foi chamada para socorrer o cantor em sua casa, no bairro de Bel Air. Momentos depois da chegada de Jackson ao UCLA Medical Center, o site de celebridades TMZ publicou a notícia de que o cantor havia morrido.

Em seguida, o jornal Los Angeles Time confirmou a informação. A morte de Jackson só foi oficialmente divulgada por volta das 15h (19h em Brasília), quando o Instituto Médico Legal da cidade confirmou o falecimento do ídolo pop. O tenente Fred Corral, porta-voz do IML local, disse à rede de televisão CNN que Jackson foi declarado morto às 14h26 (18h26 em Brasília).

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