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Marcos Caruso dá nota para Carlão de "Mulheres"

03 de agosto de 2003 15h40

A alegria de Marcos Caruso ao ser lembrado para Mulheres Apaixonadas foi tanta que ele sequer se interessou em saber sobre o personagem. O ator se deu por satisfeito só por voltar a trabalhar com Ricardo Waddington, com quem fez sua primeira novela na Globo, Coração de Estudante, e com Manoel Carlos, de quem se considera o fã número 1. De bônus, ainda pegou um personagem que possibilita as mais pertinentes discussões, como respeito à terceira idade e a iniciação sexual dos jovens. "Para o Maneco, novela não é só entretenimento. Ele também gosta de colocar o dedo em certas feridas sociais", ressalta.

O que já era bom ficou ainda melhor quando Caruso recebeu o roteiro da famosa surra de Dóris, personagem de Regiane Alves. "Pronto! Não preciso de mais nenhuma cena nessa novela...", chegou a pensar. Mas Caruso está enganado se pensa que as dores-de-cabeça de Carlão já acabaram. Nos próximos capítulos, ele vive outro dilema ao saber que a filha está saindo justamente com Marcos, interpretado por Dan Stulbach. "A Dóris vive num mundo de consumismo. Ela quer ter carro, dinheiro, marido rico... Essas coisas escapam das mãos do Carlão como escapariam das mãos de qualquer pai", pondera.

Aos 60 anos de idade e 30 de profissão, Caruso é um dos atores mais bissextos da tevê. Autor de Trair e Coçar É Só Começar, em cartaz em São Paulo há 17 anos ininterruptos, ele garante que consegue sobreviver confortavelmente do teatro. "Só não fiquei rico porque tudo que ganho invisto nas peças que produzo", ressalva. Na tevê, Caruso já se aventurou também como autor de novelas: Braço de Ferro, da Band, e A História de Ana Raio e Zé Trovão, da Manchete. "Quantitativamente, tive mais tristezas que alegrias na profissão. Mas, qualitativamente, as alegrias são maiores...", avalia.

P - Você já se identificou com alguma das cenas do Carlão?
R - Ah, muitas! A cena em que a Dóris dorme fora de casa e ele fica preocupado. Às seis da manhã, o Carlão liga para Deus e o mundo atrás da filha. Isso já aconteceu comigo. Comigo e com todo mundo. Falo coisas na novela que já falei para os meus filhos. "Enquanto você estiver morando nesta casa, vai ter de me obedecer". Evidentemente, que nunca bati num filho de cinto. Mas já bati em filho. Já repreendi, castiguei... Não tem quem não se identifique...

P - Como foi a gravação da surra da Dóris? É verdade que você chegou a machucar a Regiane Alves?
R - É verdade, sim. Primeiro, nós gravamos a cena com um cinto cenográfico, de feltro. O Ricardo não gostou. Ele queria a maior veracidade possível. Regravei a cena, então, com um cinto de verdade. Embora estivesse mirando na cama, a última "cintada" acertou a Regiane. No final da cena, nos abraçamos chorando. A técnica toda ficou em silêncio. Depois, liguei para a Regiane e sugeri que colocasse gelo na perna.

P - Qual deve ser o papel do pai na sociedade de hoje?
R - O pai dever ser um sinalizador para o filho. Como se fosse um sinal de trânsito. Por aqui, pode. Por aqui, não. E assim por diante. Eduquei meus filhos da seguinte maneira: "Tudo pode. Mas nem tudo deve". Porque, assim, a decisão passa a ser dele. Só dou o norte. Só sinalizo. Pai que reprime ou libera demais não é pai. É padrasto ou amigo. Mas pai tem de ser pai.

P - O que você achou da cena em que o Carlão conversa com o filho sobre virgindade?
R - Quando o Maneco escreveu a cena da surra da Dóris, pensei: "Pronto! Não preciso mais de nenhuma cena nessa novela. Já estou satisfeito". Afinal, o público reivindicava aquela surra. Depois, ganhei outra cena emocionante, a da conversa com o Carlinhos. Aquela cena foi oportuna porque pôs em discussão um assunto que, muitas vezes, é tabu entre pais e filhos: a iniciação sexual.

R - Que nota daria ao Carlão?
R - Olha, eu daria dez. Afinal, ele só quer o melhor para a família. Se ele erra é porque não tem curso para pai. Quando erra, o Carlão dá o braço a torcer e diz: "Putz, errei! Vou tentar me corrigir". Por mais que você crie os filhos no caminho certo, eles são, muitas vezes, desviados pelo próprio mundo. Quantos pais têm cinco filhos e um é completamente diferente do outro? Pois então, eu daria 10.

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