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Paulo Nigro está no elenco da nova "Malhação"

11 de janeiro de 2004 13h14

Paulo Nigro vive o judoca Murilo em  Malhação. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Paulo Nigro vive o judoca Murilo em Malhação
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/TV Press

Toda vez que o judoca Murilo sobe no tatame em Malhação, o ator Paulo Nigro recorda com saudade os tempos em que foi campeão brasileiro. Tudo bem se não fosse por um "detalhe": Paulo ganhou o título lutando kung fu e, até ser escolhido para o papel, não conhecia um único golpe de judô. "As posições de luta são muito diferentes. Corto um dobrado para convencer que sou bom judoca", valoriza, bem-humorado.

O ator deve ter, pelo menos, mais um ano inteiro para aperfeiçoar suas habilidades. É que ele já está confirmado para a nova temporada de Malhação.

Na verdade, as habilidades esportivas de Paulo pouco pesaram para a sua entrada no "folheteen". Ele foi escolhido por teste, fazendo uma cena em que Murilo desmanchava-se por Luiza, personagem de Manuela do Monte - que não emplaca na próxima fase. "No teste, a Luiza era uma parede. Eu olhava para a parede e fazia altas declarações!", lembra, aos risos.

Desde 1997, quando terminou de gravar Chiquititas, no SBT, o ator paulistano já vinha lutando por uma oportunidade na Globo. Foram incontáveis testes e decepções. Certa vez, Paulo chegou até a mudar-se para o Rio de Janeiro e fazer uma prova de figurino, pronto para fechar contrato. "Mas não rolou", lamenta.

O ator, contudo, já sabia que decepções fazem parte da carreira. Afinal, ele começou a trabalhar com apenas dois anos, em campanhas publicitárias. Aos 12, integrou o elenco de apoio de Colégio Brasil, exibida no SBT, em 1996, e aos 14 ganhou o papel do simpático Júlio, de Chiquititas - que o levou a morar um ano na Argentina. Em seguida, entrou no grupo musical As Crianças Mais Amadas do Brasil - formado por dissidentes da novela do SBT.

De fato, o rapaz tem uma trajetória um tanto eclética. Em 2001, por exemplo, Paulo chegou a atuar nos bizarros episódios de As Aventuras de Tiazinha, na Band, ao lado da performática mulher mascarada. "Numa das histórias, ela foi o Batman e eu, o Robin...", entrega, bem-humorado.

Felizmente, ele não teve tempo de sentir saudades da precária produção da Band. Logo foi chamado para atuar no infantil Ilha Rá-tim-bum, da TV Cultura. Paulo encarnou o valente Gigante, líder da turma e um exímio lutador. "Foi a primeira vez que fiz uso das artes marciais como ator", orgulha-se o rapaz que, na carona do seriado, viveu o mesmo papel no longa "Martelo de Vulcano", de Eliana Fonseca.

Depois de passar por três emissoras, o chamado para a Globo foi mais que bem-vindo. "Me avisaram com uma semana de antecedência, mas só acreditei quando estava no vôo. Vim só de mochila nas costas", conta, com um indefectível sotaque paulistano.

Foi justamente o sotaque da terra da garoa que mais preocupou o ator no início das gravações de Malhação. Freqüentemente, ele era repreendido pelos diretores. "Não precisava falar como carioca. Só não podia derrapar num 'Você está me entendeendo?', porque o Murilo não é paulistano", explica o ator, que pela primeira vez mora sozinho - num apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A vida "independente", por sinal, tem sido a experiência mais valorizada por Paulo nos últimos tempos. Aos 19 anos, ele orgulha-se de dizer que é um bom "dono-de-casa". Lava, passa e cozinha. "Pego o que tem estragando na geladeira, misturo e dá certo! Pelo menos ninguém reclama quando prova...", gaba-se, sem um pingo de modéstia.

Mas não deve ser nada fácil ser vizinho do ator. Freqüentemente, ele pega a guitarra para criar e gravar suas próprias composições. Nada demais se não fizesse isso depois da meia-noite. "Que fazer? É a hora que bate a inspiração", justifica, suspendendo os ombros. Outra noite, na "hora da inspiração", a campainha de casa tocou.

"Achei que fosse levar uma multa, mas era um vizinho que também é músico e adorou meu som", conta, vaidoso. Não demorou para os dois começarem a tocar juntos, com planos de formar uma banda. E a multa, até agora, não chegou...

TV Press