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Liliana Castro se acostuma com a fama

02 de maio de 2004 23h11

A atriz Liliana Castro. Foto: Pedro Paulo Figueredo/TV Press

A atriz Liliana Castro
Foto: Pedro Paulo Figueredo/TV Press

Liliana Castro sempre se considerou uma pessoa ansiosa. Mas acha que a carreira de atriz a está ajudando a mudar. Em pouco tempo de tevê, ela aprendeu que não adianta ficar se martirizando porque as coisas não acontecem na hora em que ela gostaria. E até admite que tudo tem acontecido na hora certa em sua profissão.

Foi assim com a Olívia, de Da Cor do Pecado. A atriz estava "reservada" para a novela desde o início. Sem notícias do trabalho durante meses, no entanto, ela achava que o autor João Emanuel Carneiro tivesse desistido da personagem. "É normal isso acontecer em tevê, já tinha até relaxado", minimiza Liliana, que voltou da excursão do espetáculo Casca de Noz num domingo e começou a gravar a novela no dia seguinte. "Foi tudo perfeito!", surpreende-se.

Na hora de compor a personagem, Liliana também fez de tudo para deixar a ansiedade de lado. Afinal, ela não teve nem uma semana entre o dia em que soube que entraria na trama e o início das gravações. Além disso, temia o fato de começar um trabalho ao lado de atores que estavam há mais de dois meses convivendo com seus personagens.

"Comecei gravando e tentando conhecer a Olívia ao mesmo tempo. Nos primeiros dias, só queria entender o ritmo, o tom e o que ela representa na história", explica, feliz com a receptividade de atores como Tuca Andrada e Giovanna Antonelli. "Fui recebida com muito carinho", comemora, risonha.

Na trama, no entanto, a chegada de Olívia não é motivo de satisfação para Bárbara, a vilã interpretada por Giovanna Antonelli. O fato de a personagem ter de disputar o coração de Kaíke com a megera foi o que mais preocupou Liliana durante a composição. "Por que ele largaria aquela mulher lindíssima que é a Bárbara? Afinal, a Olívia é modelo, mas eu não sou e isso não dá para fingir!", dispara, com naturalidade.

Para compensar o que ela considerava uma "desvantagem", o jeito foi caprichar na simpatia, no bom humor e na garra da personagem, já bastante enfatizados pelo autor da trama. "Esta vitalidade atrai os homens, e principalmente o Kaíke, que não agüentava mais a Bárbara sempre tramando coisas para se dar bem", compara, animada.

Aos 24 anos, Liliana considera que já aprendeu muito desde sua estréia como atriz na tevê, no infantil Ilha Rá-Tim-Bum. Dois dias depois do final de sua participação no programa - em mais uma demonstração de que as coisas têm acontecido no momento certo -, ela começou a gravar como a Laiza de Sabor da Paixão.

Apesar de já estar habituada às câmaras, o choque com o aumento do assédio do público foi grande. "Aquilo era completamente fora da minha realidade. Cheguei a um ponto em que não queria nem sair. Dava aflição", lembra. Hoje, em sua segunda novela e depois de uma participação no seriado A Grande Família, ela já consegue lidar melhor com a repercussão de seus trabalhos. "Entendi que é importante para as pessoas. E sempre tem gente que vem falar coisas legais, que vale a pena ouvir", pondera.

Segundo suas expectativas, o trabalho em Da Cor do Pecado deve ser mais "tranqüilo" que em Sabor da Paixão. Não só porque ela já consegue ter mais segurança em cena, mas também porque tem gravado menos. Como Laiza circulava por quase todos os núcleos da trama, ela gravava praticamente todos os dias da semana. "Agora, posso viver minha vida também", celebra a atriz, que gosta de freqüentar livrarias com "cafés aconchegantes", onde se senta para ler um bom livro.

Por conta da novela, Liliana vai ter de ficar de fora do próximo espetáculo de sua companhia teatral, a Armazém, atualmente em processo de ensaios. Mas ela não abre mão de participar das apresentações de Casca de Noz, em cartaz em horário alternativo na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

"É mais fácil conciliar a novela com um trabalho já pronto. Ensaio exige muita dedicação e não quero atrapalhar ninguém", pondera, consciente. Assim que sobrar um tempinho, no entanto, Liliana não vai ficar parada. "Quero produzir alguma coisa, uma peça ou um curta-metragem. Estou com uma energia criativa que preciso botar para fora", justifica, com um largo sorriso.

Nos palcos da vida
Liliana Castro nunca parou para pensar se queria ser atriz. Desde os cinco anos de idade, a interpretação era uma de suas "matérias" prediletas na escola. Daí para frente, só ficou longe dos palcos entre 13 e 14 anos. "Não por acaso, foi o pior período da minha vida", conta, sem qualquer peso.

Foi só entender o motivo da tristeza, no entanto, para Liliana mergulhar de cabeça no teatro. Depois de alguns anos fazendo teatro amador, a estréia profissional aconteceu em 1998, no grupo Os Privilegiados, à época dirigido por Antônio Abujamra. Logo depois, ela ingressou na companhia Armazém, para substituir a atriz Carolina Kasting na peça Alice Através do Espelho.

"Acredito muito na linguagem da companhia e me identifico muito com a maneira de fazer teatro que a gente pratica lá", derrama-se a atriz, que costuma "ralar" também na construção de cenários e figurinos, como todos os integrantes da Armazém.

Nem sempre é fácil conciliar a tevê com o dia-a-dia do trabalho em grupo, mas Liliana conseguiu firmar uma espécie de pacto na companhia. "Eles sabem que tenho muito a aprender e quero experimentar muitas coisas ainda. Mas nunca os deixo na mão. Se sinto que vai ser complicado conciliar um trabalho, fico de fora de uma peça e volto na próxima", explica, com tranqüilidade.

A vontade de aprender, aliás, é tão grande que Liliana pretende fazer uma "parada estratégica" assim que terminar o trabalho na novela. A idéia é estudar o máximo que puder. "Trabalho direto desde os 16 anos e tenho muita vontade de estudar. O ideal seria parar dois anos, mas acho que uns seis meses eu consigo", planeja, empolgada.

Instantâneas

  • Antes da estréia no programa Ilha Rá-Tim-Bum, Liliana Castro atuou durante três anos como VJ da Fox Kids, canal Net e TVA. "Paguei muito mico, mas fui muito feliz nestes três anos", lembra a atriz, aos risos.
  • Filha de diplomata, Liliana Castro nasceu no Equador e já morou em diversos países.
  • Liliana Castro estudou Interpretação na UniverCidade, do Rio de Janeiro. Depois, começou a cursar Teoria do Teatro na Uni-Rio, mas teve de trancar a matrícula quando entrou em Sabor da Paixão.
  • Liliana Castro é fã de Rosi Campos, com quem acha que não vai ter a oportunidade de contracenar em Da Cor do Pecado. "Sou fascinada por ela, fico até com vergonha. Mesmo que não contracene com meus ídolos, só saber que estou numa novela com gente legal já me deixa feliz da vida", derrama-se.
  • TV Press