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Natália Lage: "A Lua Me Disse é um bungee-jump"

24 de julho de 2005 15h17

Natália Lage tomou um susto daqueles ao ler a sinopse de A Lua Me Disse. Nele, o perfil de sua personagem, a garçonete Beatriz, era descrito em duas míseras linhas. Sem saber por onde começar, pediu ajuda a Miguel Falabella. Em vão. O autor foi de uma concisão atroz... "Ela não vale nada!", limitou-se a avisar.

Com a experiência de quem já faz novela desde os onze anos ¿ quando estreou no gênero em O Salvador da Pátria -, Natália achou melhor não esquentar a cabeça. Sorte a dela. Hoje, Beatriz disputa o amor de Gustavo, o galã da novela interpretado por Wagner Moura, com a própria irmã, Heloísa, a mocinha da história vivida por Adriana Esteves. "Não é à toa que costumo comparar novela a bungee-jump. Você se joga e nunca sabe onde vai parar...", brinca a atriz, hoje com 26 anos.

Laconismos à parte, Falabella bem que tinha razão: Beatriz não vale nada mesmo... Para ficar com Gustavo, a moça inventou até uma falsa gravidez. A própria atriz não sabe se o que Beatriz sente por Gustavo é amor mesmo ou se tudo não passa de uma vingança contra Heloísa.

"Quando soube que a mulher por quem o Gustavo é apaixonado é a própria irmã, ela perdeu os limites. Afinal, a Heloísa sempre teve tudo aquilo com que ela sonhou. Inclusive o pai", explica. Com uma personagem dessas, a repercussão não poderia ser das mais calorosas. "Ator é bicho carente. Gosta de um elogio. Mas bem que a Zezé Polessa me avisou: para se fazer vilão na tevê, tem de estar com a auto-estima lá em cima", diverte-se.

Nos últimos anos, Natália Lage limitou-se a fazer participações pouco especiais em novelas como Da Cor do Pecado, Kubanacan e A Padroeira. O último personagem de destaque foi a Marina, de Malhação, em 2000. Neste período, os melhores trabalhos da atriz foram realizados no teatro e no cinema. No palco, ela encenou Zastrozzi, montagem de Selton Mello e Daniel Herz para texto do canadense George Walker. Na telona, participou de O Homem do Ano, adaptação de José Henrique Fonseca para o romance O Matador, de Patrícia Melo.

"As pessoas vivem me perguntando por que parei de trabalhar. Mas quero deixar bem claro que não sou nenhuma coitadinha. É bacana fazer uma novela das oito, mas isso não é tudo na vida de um ator. Há todo um universo paralelo muito interessante também...", valoriza.

Em O Homem do Ano, inclusive, Natália ousou fazer um papel bem diferente daquele que o público televisivo está acostumado a ver. Magérrima, protagonizou algumas cenas de nudez e outras de sexo com Murilo Benício, que interpretou Maiquél, um matador de aluguel. "Acredito que esse filme tenha servido para desfazer a imagem que as pessoas têm de mim. Algo do tipo: 'Opa, não é que ela virou mulher mesmo?' Pelo menos, para mim, funcionou como um divisor de águas", sublinha. No Projac, porém, tudo continua como antes. Por vezes, os estúdios da Globo mais parecem aquelas reuniões familiares de final de ano... "Sempre aparece alguém para repetir: 'Puxa, vi você pequenininha, hein?' ou, então, 'Nossa, como você cresceu!' Só falta beliscarem a minha bochecha...", graceja.

Mas, de menininha, Natália Lage não tem mais nada. Exceto pelo fato de ainda morar com os pais na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Fora isso, a garotinha que estreou na tevê aos 9 anos no seriado Tarcísio & Glória namora Dani Hu, um mestre de kung-fu 24 anos mais velho, e cursa o terceiro período de Ciências Sociais na PUC do Rio de Janeiro.

"Doido tem em tudo que é lugar. Tanto na PUC quanto na Globo. Mas esse curso, é bom que se diga, me deixa com os dois pés no chão", ressalva. Em vez de reclamar da sorte ¿ e, principalmente, dos altos e baixos da profissão ¿, Natália prefere olhar para a frente. Ambiciosa, planeja voltar a produzir teatro. Admiradora de Joana D'Arc, estuda textos de Bernard Shaw e Bertold Brecht sobre a heroína francesa. "Ao contrário de muitos, não explodi de repente. Minha carreira foi gradual. Por isso, não crio expectativas. Isso pode levar qualquer um à loucura", pondera.

Talento precoce

A infância de Natália Lage Vianna Soares foi atípica. Enquanto a maioria das crianças de sua idade corria para a frente da televisão quando terminava o colégio, ela entrava numa Kombi da Globo e rumava para a emissora.

Durante o trajeto, trocava os livros de Português e Matemática pelo roteiro de gravação de Tarcísio & Glória, seriado exibido entre abril e dezembro de 1988 e protagonizado pelo mais famoso casal da tevê brasileira.

"Eu sabia que aquelas pessoas eram famosas. Mas eu não chegava a ser fã de nenhum dos dois. Para mim, tudo aquilo não passava de uma grande brincadeira", recorda.

Na verdade, a "grande brincadeira" começou mesmo cinco anos antes, quando o pai de Natália, o administrador de empresas Horário Soares, resolveu incentivá-la a fazer publicidade. De teste em teste, passou para o da Caixa Econômica Federal. A partir daí, Natália não parou mais. De comercial de refrigerante a creme dental, fez de tudo um pouco. "Mesmo assim, posso dizer que tive uma infância tranqüila. Quando não estava estudando ou trabalhando, brincava de Barbie com minhas amigas, lá em Niterói", lembra Natália.

A primeira novela só veio aos 11 anos, quando interpretou a rebelde Regininha de O Salvador da Pátria, de Lauro César Muniz. Ao longo da carreira, fez 12 produções do gênero, como O Mapa da Mina, Tropicaliente e Cara & Coroa.

Duas de suas favoritas são Perigosas Peruas, de Carlos Lombardi, e O Amor Está no Ar, de Alcides Nogueira. Nesta última, disputou o amor de Rodrigo Santoro com a própria mãe, Betty Lago. "Adorava quando tinha de viajar para Avaré. Lá, ficávamos passeando de helicóptero, lancha, jet-ski...", enumera, saudosa.

Instantâneas

# Natália Lage Vianna Lage nasceu em 30 de outubro de 1978. Filha do administrador Horácio Soares e da designer Martha Lage, ela é de Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro.

# O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, não foi o único trabalho de Natália Lage no cinema. Recentemente, fez também Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, de Moacyr Góes.

# No filme O Homem do Ano, Natália contracenou também com o ator Wagner Moura. "Infelizmente, ele morreu logo no comecinho e quase não deu para aproveitar", lamenta.

# Fumante desde os 15 anos, Natália largou o vício há um mês. Como tem facilidade para engordar, freqüenta academia. "Gosto de me cuidar por uma questão de saúde. Não quero virar escrava da estética", ressalva.

# Natália cursa o terceiro período de Ciências Sociais na PUC. Aluna do turno da manhã, costuma sair da faculdade direto para os estúdios do Projac.

TV Press