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Vídeo do artista Martín Sastre revive Lady Di em favela uruguaia

24 de agosto de 2005 14h41

Lady Di vive. Numa favela de Montevidéu, mas vive. O novo trabalho do artista uruguaio Martín Sastre, famoso por seu engajamento satírico a favor da arte latino-americana, dá voz ao poder das mulheres, criando uma fábula sobre uma irmandade secreta de freiras que resolve salvar seu membro mais importante, a princesa Diana.

O vídeo "Diana — The Rose Conspiracy" terá sua primeira exibição na América Latina na próxima quinta-feira, na Galeria Leme, em São Paulo.

Na mostra, intitulada "Fantastic", haverá também nove fotografias expostas, feitas a partir das filmagens em Montevidéu. Cada uma estará à venda por 3.000 dólares.

No filme de 15 minutos e nas fotos está uma sósia brasileira de Diana, escalada entre agências de modelos em São Paulo, com ajuda da Galeria Leme. Ela não fala, apenas aparece em cenas inusitadas, como levando sacolas de compras no meio de uma favela, comendo churros com um namorado latino mais jovem, sempre usando roupas surradas, como um moleton rosa encardido e um jeans desgastado.

Em tom de documentário e entre imagens de arquivos da princesa, redes de televisão transmitem "ao vivo" a grande notícia do ano — que Lady Di não morreu no acidente de carro em 1997.

Ao mesmo tempo, vizinhos aparecem para contar aos jornalistas o dia-a-dia de Diana, que dá aulas de ioga e joga futebol com os meninos do bairro.

"Diana deveria ter escapado de seus inimigos, assim como nos contos de fadas, quando as princesas se escondiam dos malvados e terminavam em cabanas perdidas no bosque, como Branca de Neve ou a Bela Adormecida", disse Martín Sastre por email.

"A tradução contemporânea de uma cabana no bosque da Idade Média seria hoje uma favela sul-americana, onde nem a polícia nem a lei poderiam entrar porque funcionam com suas próprias regras."

SEJA UM ARTISTA LATINO

A América do Sul funciona como um celeiro criativo para Sastre, que hoje vive e trabalha em Madri. Ele ficou famoso como a criação de diversas obras irônicas, porém engajadas, como a série de vídeos intitulada "Trilogia Ibero-americana".

Dentro dessa série, o artista decretou o fim de Hollywood e sua substituição pela produção latino-americana, em "Videoarte: a lenda ibero-americana", e ele próprio virou desenho animado para lutar com o artista norte-americano Matthew Barney, em "Bolivia 3: Confederation Next", exibido na última Bienal de São Paulo.

"(A arte latino-americana) é a melhor do mundo porque a colonização cultural está dando a volta e, agora, é nosso momento", disse o artista, que prepara seu próximo vídeo na Inglaterra, intitulado "Freaky Freaks".

Sastre, que abusa de referências dos anos 1980, música pop, Hello Kitty e cinema em seus trabalhos, expôs em diversos cantos do mundo, como Nova York, Londres, Shangai, Melbourne, Oslo, Paris e Havana.

Ele também é diretor da Fundação Martín Sastre, que apóia a obra de jovens artistas da América do Sul e organiza o projeto de intercâmbio "Be A Latin American Artist" (Seja um artista latino-americano), trazendo artistas de países do primeiro mundo para trabalhar em Montevidéu.

Pela primeira vez, neste ano, o projeto levou ao Uruguai três estudantes alemãs da Universidade Bauhaus para desenvolverem seus projetos no país, vivendo com um salário de 100 euros.

Reuters
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