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Leonardo Vieira passa de herói a vilão em "Prova de Amor"

06 de novembro de 2005 11h33

Problema de saúde fez Leonardo Vieira passar de mocinho a vilão na nova novela da Record. Foto: Globo/Divulgação

Problema de saúde fez Leonardo Vieira passar de mocinho a vilão na nova novela da Record
Foto: Globo/Divulgação

Leonardo Vieira já tinha começado a gravar Prova de Amor, da Record, quando foi pego no contrapé por uma hérnia. O problema é que seu personagem, o impoluto Daniel, seria um praticante de surfe e artes marciais, com muitas cenas de intensa atividade física - coisa que o recém-operado ator não poderia mais encarar.

A tristeza só não foi maior porque, ainda no leito do hospital, ficou sabendo que seria mantido na novela. E não com um papel qualquer, mas com o do vilão da trama Lopo Jr, justamente aquele que vive para destruir Daniel. "O que mais me deixa feliz nessa história é que o Tiago me queria na novela de qualquer jeito", contenta-se Leonardo, referindo-se ao autor Tiago Santiago.

De fato, além de continuar no elenco de Prova de Amor, Leonardo tem a chance de interpretar também o primeiro vilão de sua carreira. Desde que despontou na tevê, em 1993, quando interpretou o coronelzinho José Inocêncio de Renascer, só fez colecionar tipos virtuosos e acima de qualquer suspeita. O mais recente deles foi o conflituado Leandro, de Senhora do Destino.

Sem renovar com a Globo, foi um dos cinco atores da novela de Aguinaldo Silva a fechar com a Record - os outros foram Heitor Martinez, Luiz Henrique Nogueira, André Mattos e Jéssica Sodré. "Quanto mais, melhor. Mais entretenimento para o público, mais mercado para o ator e mais assunto para jornais e revistas", valoriza ele.

Pergunta - A princípio, você faria o Daniel e o Marcelo Serrado, o Lopo Jr. O que achou do troca-troca?
Resposta - Achei ótimo. As coisas são como têm de ser. Não tem jeito. Da primeira vez que o Tiago me chamou para fazer a novela, era para ser o vilão. Mas depois, não sei o que aconteceu, a Record achou melhor entregar o Daniel para o Marcelo Serrado. Por mim, tudo bem, faço o mocinho sem o menor problema. Mas, aí, sofri a hérnia inguinal, tive de ser operado às pressas e o médico me proibiu de fazer qualquer esforço físico. O que me deixa mais feliz nessa história toda foi que o Tiago me queria na novela de qualquer jeito.

P - Você já tinha, inclusive, gravado como Daniel. Como foi a transição do mocinho para o vilão?
R - Foi rápida e tranqüila. Demorei apenas um dia para me acostumar à idéia. Ainda estava hospitalizado quando a Record sugeriu que eu fizesse o Lopo. De fato, para fazer o Daniel, eu não teria condições. Ele é muito atlético, esportivo, pratica várias lutas. Se insistissem para eu o fizesse, teria de usar muito dublê. Não ficaria legal. Já o Lopo não faz nada que possa prejudicar a minha recuperação. Pelo contrário. Ele só manda fazer (risos).

P - O Lopo Jr. é o primeiro vilão de sua carreira. Você sempre teve vontade de fazer um personagem mau?
R - Não necessariamente. Sempre gostei de fazer bons personagens. Independentemente de eles serem bons ou maus. O que me interessa é que ele seja bom, interessante, desafiador. Se o vilão for assim, é claro que eu quero fazê-lo. Mas, se não for, por que haveria de querer? Só para fazer por fazer? Já fiz mocinhos maravilhosos que me deram muita satisfação e orgulho.

P - E onde você foi buscar inspiração para criar o Lopo Jr?
R - Basicamente no texto do Tiago Santiago. Quando componho um personagem, não tenho o hábito, por exemplo, de ver filmes. Não trabalho com uma única referência. Aliás, sempre busco referências em mim mesmo, na minha experiência de vida. Além disso, sou um ator. Não sou cópia de ninguém. Nem quero imitar ninguém. Quero fazer o meu e ponto final.

P - Ano passado, você fez Senhora do Destino, da Globo. O que o motivou a trocar de emissora?
R - O que mais me motivou foi o mercado de trabalho. Nesta área, ninguém é de ninguém. Eu, por exemplo, sou de mim mesmo e de mais ninguém. Sou ator e, como tal, quero ter liberdade de escolha. Quero continuar trabalhando em vários lugares como sempre trabalhei. Embora tenha feito muitos trabalhos na Globo, passei também pela Manchete e RTP, de Portugal. Quem me dera poder trabalhar também na Band, no SBT e onde mais houver espaço para teledramaturgia no Brasil.

TV Press