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Último especial "Linha Direta Justiça" lembra médium Zé Arigó

11 de dezembro de 2005 11h02

Antônio Calloni em cena do especial  Linha Direta Justiça. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

Antônio Calloni em cena do especial Linha Direta Justiça
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

A versão "Justiça" do Linha Direta tem atraído a atenção de um público que antes torcia o nariz para o programa. Algumas pessoas de classe sócio-cultural mais elevada, que antes rejeitavam o sanguinolento Linha Direta, agora batem ponto na frente da telinha quando os casos retratados envolvem personalidades da História nacional, como a estilista Zuzu Angel ou o médium Chico Xavier, por exemplo.

"O programa adquiriu credibilidade. Só ter violência incomodava e como ele deixou de ser raivoso, as pessoas passaram a ter menos preconceito", analisa o apresentador Domingos Meirelles, que também costuma sugerir pautas para o programa. "O caso Bateau Mouche, por exemplo, fui eu que sugeri", destaca o jornalista.

Mas segundo o diretor geral do programa, Milton Abirached, a audiência, que costuma ter média de 23 pontos e share de 41%, se altera aproximadamente em torno de dois pontos apenas. "O diferencial desses 'especiais' não é quantitativa na audiência, mas qualitativa", constata Milton. Segundo o diretor, a parte do público normal que não se interessa por essas edições especiais é substituída na audiência por pessoas que normalmente não vêem o programa.

Para ficar bem na foto e passar uma imagem institucionalmente mais defensável, que conseqüentemente agrada a emissora, a produção chega a gastar numa edição do Linha Direta Justiça ou do Linha Direta Mistério o dobro do custo de um Linha Direta comum. "Queremos mostrar casos polêmicos e realmente gastamos um pouco mais com eles", ressalta Milton.

Na verdade, o que encarece as produções são as reproduções normalmente de época, que exigem maior cuidado não só com a reconstituição cenográfica e de figurino, mas um detalhado trabalho de pesquisa por parte da Central Globo de Jornalismo. Este é o caso do último Linha Direta Justiça do ano, que vai ao ar no próximo dia 15 e conta a vida do médium Zé Arigó, nascido em Congonhas, interior de Minas Gerais.

Nas gravações sobre a trajetória da vida do médium que ficou conhecido no início da década de 70, quando passou a fazer cirurgias espirituais - que, segundo ele, eram realizadas pelo médico alemão Dr. Fritz - o clima era de muita concentração. Para encarnar o médium que se dizia católico e atendia a milhares de pessoas por semana, Antônio Calloni assistiu a diversos vídeos com a íntegra de cirurgias do agricultor mineiro - que nunca teria cobrado nada pelas cirurgias.

Em um deles, Zé Arigó enfia uma faca enferrujada no olho de um menino com catarata e faz uma cirurgia na frente de todos, sem derramar uma gota de sangue nem usar anestesia. "Nessas horas meu envolvimento é absolutamente emocional. Me atiro de cabeça e acredito", entrega o diretor Edson Erdemann.

Mas o astral das gravações não refletia um clima religioso, mas curiosamente místico, com um certo suspense. Na cena em que Zé Arigó, vivido por Calloni, decide realmente assumir que vai passar a atender a população que se aglomera na porta do seu casebre, um simples ensaio com o diretor Edson Erdemann foi suficiente.

Zé Arigó beija a cabeça da esposa Arlete, interpretada por Tereza Seiblitz, pega um antigo crucifixo e sai da simples casa de tristes tons pastéis para atender os doentes. Muitas vezes, na fila dos enfermos, personalidades como o Presidente Juscelino Kubitschek e o cantor Roberto Carlos aguardaram sua vez. "Ele é absolutamente fascinante porque mexe com a crença de um povo com fatos reais. Está tudo documentado e agora faz parte dessa minha fase JK", analisa Calloni, que na minissérie ¿JK¿, prevista para estrear no dia 3 de janeiro, interpreta Augusto Frederico Schmidt, braço-direito de Juscelino.

Na cena seguinte, gravada nesta seqüência externa, Zé Arigó é preso, acusado de exercício ilegal da Medicina. Na cena, gravada de primeira, apenas uma câmara fazia a seqüência, recurso bastante utilizado em documentários e no cinema. "Adoro trabalhar em plano-seqüência. É uma delícia para o ator porque dá para ter o controle da cena. Principalmente numa história especial como essa, que nem a Ciência explica", elogia Tereza Seiblitz, quase derretendo sob um calor de aproximadamente 40º C.

TV Press