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"Cidadão Brasileiro" tende a cair no gosto do público

19 de março de 2006 10h00 atualizado às 10h10

Gabriel Braga Nunes é o protagonista da novela  Cidadão Brasileiro. Foto: Luiza Dantas/TV Press

Gabriel Braga Nunes é o protagonista da novela Cidadão Brasileiro
Foto: Luiza Dantas/TV Press

Na luta para consolidar o seu núcleo de teledramaturgia, a Record estreou, no último dia 13, o segundo horário dedicado às novelas. Escrita pelo veterano Lauro César Muniz, Cidadão Brasileiro é a mais nova aposta da emissora. Satisfeita com os resultados de Prova de Amor - a média nacional de audiência é de 14 pontos -, a Record, é claro, pretende repetir o truque. O que, aliás, até conseguiu logo de cara.

Leia o resumo de Cidadão Brasileiro
Conheça os personagens

No capítulo de estréia, a novela atingiu média de 14 pontos e pico de 18. Se os número não chegam a incomodar a concorrente Belíssima, da Globo, que mantém uma média de 42 pontos, mesmo assim, Cidadão Brasileiro demonstra que tem os elementos necessários para que a história que caia no gosto do público.

Para não fazer feio na hora de retratar a trajetória de sucessos e fracassos do protagonista Antônio Maciel, vivido por Gabriel Braga Nunes, Lauro César se cercou dos mínimos cuidados. Isso porque a novela está dividida em três fases distintas e ele precisa contar histórias convincentes para mostrar as agruras do personagem principal entre os anos de 1955 e 2006. Não por acaso, o autor explora um enredo bem folhetinesco, com tramas de amor, vinganças e traições.

Dessa forma, Lauro César se "arma" de "temperos" considerados infalíveis, porém corriqueiros, como é o caso do triângulo amoroso envolvendo Antônio Maciel e as personagens Carolina e Luiza, interpretadas por Carla Regina e Paloma Duarte. Além disso, não deixa de explorar os romances paralelos e as disputas políticas envolvendo famílias rivais da fictícia Guará. O autor também não se esquece, obviamente, de incluir as figuras dos vilões, personificados na "pistoleira" Fausta, de Lucélia Santos, e no líder político Atílio, de Floriano Peixoto.

Pontuada por uma trilha sonora que destaca sucessos da época, Cidadão Brasileiro aparentemente não vai decepcionar. Com uma direção segura, comandada por Flávio Colatrello, a novela conta com belas imagens rurais e não se detém em planos longos. Muito pelo contrário. Apesar de contar com cenas contemplativas das paisagens de cafezais, por exemplo, os cortes são feitos na hora certa e valorizam cada uma das tomadas. A direção de atores, por sua vez, também procura "imprimir" carga dramática na dose certa, sem arroubos interpretativos ou excessos. O elenco, aliás, não desafina e conta com atuações que prometem. É o caso de Lucélia Santos, na "pele" de Fausta, e de Paloma Duarte, como a jovem Luiza. O protagonista Gabriel Braga Nunes, apesar de não ser uma figura carismática, inicialmente consegue convencer como Antônio Maciel.

Já a direção de arte é um capítulo à parte. Os cenários estão ricamente ornamentados e realçam em detalhes cada um dos ambientes da novela. Sejam nos casarões das luxuosas fazendas, sejam nos humildes quartos de hotel freqüentados por Antônio Maciel, os objetos cênicos estão bem dispostos e nada fica fora do lugar ou excessivamente decorado. Além disso, a direção caprichou na escolha dos automóveis que "passeiam" pela trama. Para os amantes de carros antigos, é uma diversão extra tentar reconhecer os vários modelos que circulam pela cidade fictícia. Os figurinos, por sua vez, exploram bem a moda usada nos anos 50 e não fazem feio. Ao contrário: não se vê personagens vestidos de maneira exagerada ou fora dos padrões da época.

Com diversos pontos positivos, Cidadão Brasileiro, apresenta um bom conjunto. O capricho, até momento, é bastante perceptível, o que não poderia deixar de ser. Afinal, em se tratando de uma novela de época, onde esse quesito é de fundamental importância, todos os cuidados devem ser tomados para não deixar a produção "capenga" e afastar os telespectadores.

TV Press