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Natália Lage grava caso do "Linha Direta": "É assustador"

22 de abril de 2006 12h49 atualizado às 12h57

Natália Lage e Carmo Dalla Vecchia atuam em  Linha Direta - Justiça. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/TV Press

Natália Lage e Carmo Dalla Vecchia atuam em Linha Direta - Justiça
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/TV Press

No Rio Grande do Sul dos tempos do Império, um serial killer e sua esposa se tornaram figuras lendárias. Na próxima quinta-feira, dia 27, o jornalístico Linha Direta Justiça exibe a história do casal que marcou o ano de 1864 como um dos mais sangrentos da capital gaúcha.

Veja fotos dos bastidores!

O terceiro episódio de época do programa da Globo, intitulado Os Crimes da Rua do Arvoredo, terá como protagonistas os atores Carmo Dalla Vecchia e Natália Lage, que interpretam José Ramos e Chatarina Palse, o ex-policial autor de assassinatos em série e sua esposa.

As cenas foram gravadas na cidade do Rio de Janeiro, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, no Teatro Municipal e no Projac, centro de produções da emissora na Zona Oeste carioca.

Nos bastidores da produção, o mesmo ar sombrio que certamente será um dos pontos fortes do episódio.

"É uma história que virou lenda no Sul. Os pais contavam para os filhos, os avós para os netos. Enfim, as crianças tinham medo do caso, que é realmente assustador!", impressiona-se Natália Lage.

Em 1864, o ex-policial catarinense José Ramos trabalhava em um açougue de Porto Alegre e era casado com uma belíssima mulher, a húngara Chatarina Palse, cuja origem e história de vida eram desconhecidas.

Frios e alheios ao meio social, os dois foram presos após a polícia encontrar pedaços dos corpos esquartejados no porão da residência do casal.

Para transmitir um clima de suspense às cenas e também aos atores, a direção do programa colocou durante as gravações algumas músicas do grupo inglês Radiohead, que serão trilha do episódio.

"Isso não é por acaso. As músicas do Radiohead foram escolhidas com a intenção de aproximar a história da realidade, por mais de época que ela seja", explica o diretor-geral do programa, Milton Abirached.

Para reconstituir o crime, os trabalhos de pesquisa da equipe do Linha Direta foram amplos. A produção buscou informações nos arquivos públicos do Rio de Janeiro e de Porto Alegre e verificou desde recibos da época e passaportes, até as autópsias dos corpos das vítimas.

No período, os processos eram escritos com pena e tinteiro e não existia luz elétrica na região. A cidade era iluminada por lampiões a óleo e, dentro das casas, a população utilizava lamparinas e castiçais. No episódio, tudo foi cuidadosamente observado, para evitar furos.

"Apesar das diferenças entre as populações de cada região do Brasil, a herança portuguesa possibilita se chegar a um lugar-comum. Ao privilegiá-la, a margem de erro na reconstrução de períodos passados é bem menor", assegura o produtor de arte do programa, José Artur.

Caso de repercussão internacional, a histórica série de assassinatos brutais na Porto Alegre do Século XIX não será retratada pela primeira vez na TV.

No Rio Grande do Sul, a RBS - retransmissora da Globo no estado - já produziu um documentário sobre o caso e outro trabalho independente foi produzido.

A história inspirou também os livros Cães da Província e O Maior Crime do Mundo, de Luiz Antônio De Assis Brasil e Décio Freitas, respectivamente.

Para Carmo Dalla Vecchia, o episódio do Linha Direta será mais uma "brincadeira" com as distintas versões da história. Neste, em especial, se discutirá se o assassino fazia ou não lingüiça com os corpos das vítimas, conforme chegou a se dizer na época.

Para interpretar José Ramos, Carmo conta que inspirou-se no livro O Retrato de um Assassino, de Patrícia D. Cornwell.

"Esse livro me ajudou muito, pois ele revela essa pessoa extremamente fria que, depois de cometer o primeiro assassinato, passa a matar sem nenhum pudor", sintetiza o ator.

TV Press