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"Tenho liberdade na Record", diz Juliana Silveira

30 de junho de 2007 10h00

Juliana Silveira vive Nina na novela  Luz do Sol , da Record. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

Juliana Silveira vive Nina na novela Luz do Sol, da Record
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/TV Press

A veterana Juliana Silveira se destaca em meio à profusão de atrizes na faixa dos 27 anos de idade. Com 14 anos de carreira, desde que estreou como angeliquete, assistente de palco da Angélica - no extinto Casa da Angélica, no SBT -, a loira nascida em Santos pondera cada frase a ser dita da mesma forma que traça os passos de sua carreira com uma perspicácia pouco comum.

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Desde que protagonizou Malhação, na Globo, em 2003, a atriz, com seu jeito acelerado de falar, garante que colocou os pés no chão. Mesmo com novelas como Pecado Capital e Laços de Família no currículo, Juliana não estourou como atriz na época. Mas bastou sair da emissora "campeã de audiência" para fechar contratos milionários como a ingênua Flor, protagonista da novela Floribella, na Band, que lhe "rendeu" a gravação de três CDs e os dividendos pelo uso de sua imagem em bonecas e em uma infinidade de outros produtos.

Tanto que, recentemente, Juliana não aceitou um papel na novela das oito da Globo. A recusa teve um motivo aparentemente óbvio: depois da angelical Flor, a Globo lhe ofereceu o papel de uma prostituta. Esperta, Juliana preferiu investir na "patricinha" Nina, a descolada cantora de Luz do Sol, da Record, que sobe nos palcos com o pseudônimo de Lucky Star.

"Sou totalmente fã da Madonna e me inspirei na estética dela no início de sua carreira para compor a Nina. Acho que a Lucky tem potencial para fazer tanto ou mais sucesso que a Flor", avisa, antes de emendar: "Estou só no comecinho do meu contrato com a Record. Nessa emissora, tenho abertura para dialogar. É o início de uma grande parceria", avalia, com o esboço de um sorriso.

Leia a seguir a entrevista com a atriz:

Após a Flor, a Nina é sua segunda atuação consecutiva como cantora e ambas parecem ser personagens de musicais. Como tem sido atuar nessa linha pouco explorada em novelas?
É bem original. Hoje nem sofro tanto. Para a Nina, me inspirei na linguagem da MTV, ela tem um lado "sexy", canta músicas bem americanas porque morou nos Estados Unidos e é da geração videoclipe. É muito difícil conciliar gravações de clipes e musicais fazendo TV, porque eles normalmente levam três dias para serem gravados. Na novela, temos de gravar clipes em apenas uma hora, é outro ritmo. Com a Flor foi difícil no início, porque era um mundo muito novo. Ela era mais lúdica, tinha um universo infantil, de muita magia.

Com o término de Floribella você chegou a ser sondada para fazer uma novela na Globo, mas optou por fechar contrato com a Record para fazer Luz do Sol. Por quê?
Tive um namoro com a Record, com a Globo e com a Band. A Band me ofereceu um projeto parecido com Floribella. Mas iria demorar e eu não quis. Na Globo, me chamaram para fazer Paraíso Tropical. Como a personagem que me ofereceram não tinha nada a ver com o público infantil, isso pesou um pouco para mim e recuei. Preferi fazer um contrato de quatro anos com a Record. Tudo bem que na emissora ainda não tenho nada definido para o público infantil, mas na Record eu tenho mais abertura com a direção. Tenho liberdade para trocar idéias, o que eu não teria agora na Globo. Isso ficou claro na reunião com a Globo e foi decisivo.

O que ficou claro?
Na Record, fui para fazer a Nina, que se transforma numa cantora. Quando tive a reunião com a Globo, eles me ofereceram uma prostituta. Era isso ou nada. Não teria a menor possibilidade de atrair o público infantil. Isso seria muito triste para mim. Depois da Flor, precisava continuar fazendo uma personagem boazinha. Fora isso, o Roger, meu namorado, está na Record - interpreta o Félix em Vidas Opostas. Com isso, fui segura e feliz, contente com minha decisão.

Mas você estreou como atriz com uma prostituta, a Dagmar de Pecado Capital, na Globo, em 1998.
Ela era uma prostituta "light", se vestia de colegial. Não tinha nudez ou violência. O diretor Wolf Maya conduzia a história dela para o lado da comédia. A cena mais quente foi um strip-tease, com a Dagmar vestida de Mamãe Noel, dançando num "inferninho" de Copacabana. Foi divertidíssimo. Até esquecia que ela era prostituta. Talvez, na novela das oito da Globo, tivesse de "pagar" peitinho. Não seria o momento ideal, ainda mais logo depois de Floribella. Lá na frente, quando eu tiver 30 ou 35 anos, faço todas as prostitutas e fico nua se quiserem. Mas, nesse momento, estaria jogando um trabalho de dois anos no lixo. Cheguei a pedir outra coisa para a Globo, mas eles disseram que só tinham isso.

Você preferiu ir para a Record do que para a Globo. Há cinco ou dez anos, essa decisão provavelmente seria impensável para as atrizes, pois a Globo sempre monopolizou o mercado de novelas. Essa concorrência entre as emissoras é um fator recente. Isso influenciou na sua decisão?
Isso é louco, né? Como atriz fico contente e orgulhosa com essa liberdade de escolha que antes a gente não tinha. Dá para ter um planejamento de carreira. Há algum tempo, você tinha de aceitar e fazer um trabalho mesmo não estando a fim, pois não tinha outra opção. A gente pensava primeiro nas contas para pagar no final do mês. Vai fazer o quê? Talvez, se não existissem as outras emissoras, eu teria aceitado a prostituta na Globo e ainda agradeceria o papel. Na verdade, essa postura ainda existe, de agradecer a Globo por um convite para uma novela das oito. Mas é libertador e um grande alívio poder optar. Não foi uma esnobada, é apenas uma opção. Meu auge profissional não foi na Globo, foi na Band. Fiz uma protagonista em Malhação que não foi o maior sucesso da minha carreira. Se alguém quiser estourar, não precisa mais estar na Globo. Nunca tive esse deslumbramento.

Floribella foi o auge da sua carreira até agora. Como você reagiu quando a novela chegou ao fim?
Tive até de fazer terapia para me livrar da Flor. Precisava me libertar dessa personagem, que ficava comigo 12 horas por dia, de segunda a sábado. Era complicado quando uma criança me olhava sem os cachos e começava a chorar e gritar: "Não é a Floribella! Nem tem o tênis da sorte!". Nem sabia mais a hora que eu era Juliana. Ambas se confundiram. Mas sempre tive os pés no chão. Não sei o que me aguarda, da mesma forma que não esperava e nem sonhava com tanto sucesso.

O êxito da Flor deu frutos, como a boneca Floribella, três CDs gravados, o lançamento do tênis da sorte e de diversos outros produtos. Existe algum projeto da Record para lançar a Lucky Star como uma marca?
O projeto da Floribella, na época, já tinha sido comprado pela Band com um pacote que poderia englobar os produtos. Na Record, não sei se isso pode acontecer. Estou começando agora na emissora. Mas acho que essa personagem possibilita muitas coisas, como bonecas, shows pelo Brasil e um CD completo. Poderíamos até sentar e conversar sobre isso. Mas não sei se gostaria e se agradaria o público infantil.

Como as crianças que acompanhavam a Flor têm recebido a Lucky Star?
As crianças estão cada vez mais precoces. As de 10 e 12 anos gostam das mesmas coisas dos adolescentes de 15. Elas têm adorado. Recebo mensagens positivas o tempo inteiro, de diversas formas. Elas se identificam porque a Nina é "sexy" sem ser vulgar, sem agredir as crianças e os pais. Essa nunca foi a proposta. Acho que tenho transitado bem tanto no universo infantil quanto no adolescente. Elas me curtem mesmo sem que eu vista roupas cor-de-rosa e use cachinhos. Isso também atrai os mais velhos. Meu público cresceu.

Sem reparos
Juliana Silveira assume que ser loira de olhos azuis limita na escalação de personagens para as novelas. Muitas vezes comparada com a atriz americana Alicia Silverstone, a atriz, apesar de já ter feito uma menina de rua num episódio do extinto Você Decide, na Globo, sempre interpreta garotas ricas ou protótipos de "bonecas", como a própria Flor, uma espécie de Barbie "teen" do mundo da fantasia.

Ou mesmo a "patricinha" Nina, que virou cantora pop em Luz do Sol, na Record. Apesar de ter cara de boneca, os diretores sempre colocavam defeitos no tipo físico da atriz no início de sua carreira. "Televisão é um meio muito ingrato. Um diretor já disse que eu tinha de fazer lipoaspiração. Tudo bem que meu quadril era grande nessa época, quando eu tinha 17 anos. Mas meu corpo estava se transformando por causa da idade!", justifica, impávida.

Como se não bastasse, quando Juliana protagonizou Malhação, na Globo, na pele da destemida Júlia, chegou a ouvir também de diretores que deveria colocar silicone nos seios. "Se eu tivesse feito isso, não poderia fazer uma personagem como a Lolita. Seria o quê? Uma boneca? Tira e põe carne? Fui mais feliz quando aprendi a ter ouvido seletivo", comemora, antes de emendar: "Imagina se eu tivesse colocado silicone? Como iria abaixar para falar com as crianças com um peitão? Ah, não dá! Até a Xuxa já disse que se arrependeu", exemplifica.

Infância em foco
O início da carreira de Juliana Silveira como angeliquete foi profético, segundo a atriz. Aos 13 anos de idade, quando atuava como assistente de palco do extinto programa Casa da Angélica, do SBT, a atriz jamais imaginou que um dia iria encabeçar projetos na tevê para o público infantil. Depois de atrair o interesse das crianças com a divertida e ingênua Floribella, na Band, Juliana assume que continua focada em empreendimentos para esta faixa etária. Tanto que só assinou contrato com a Record quando soube que seria possível um projeto nesta linha. "Nada na minha vida até agora foi comparável com os cinco pontos de audiência de 'Floribella'. Este assédio não é fácil de conseguir quando se fala com criança", valoriza.

Trajetória televisiva
# Casa da Angélica (SBT, 1993) - Angeliquete
# Pecado Capital (Globo, 1998) - Dagmar
# Laços de Família (Globo, 2000) - Nanda
# O Quinto dos Infernos (Globo, 2002) - Rosalva
# Malhação (Globo, 2003) - Júlia
# Floribella (Band, 2005/2006) - Flor
# Luz do Sol (Record, 2007) - Nina

TV Press