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Atriz diz não fazer plástica "para não ficar com cara de peixe"

16 de setembro de 2007 11h00 atualizado às 11h01

Elizabeth Savalla é contra cirurgias plásticas. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias/TV Press

Elizabeth Savalla é contra cirurgias plásticas
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias/TV Press

Elizabeth Savalla vive a personagem mais vaidosa de sua carreira na novela Sete Pecados. Enquanto Rebeca, a mãe da patricinha Beatriz (Priscila Fantin), faz de tudo para parecer cada vez mais jovem por meio de uma infinidade de tratamentos de beleza, a atriz que a encarna é famosa por ser da turma dos que preferem manter-se ao natural.

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Mas afirma que já foi ao consultório de um cirurgião plástico. Só para fazer laboratório para a novela mesmo.

"Ele me contou cada detalhe terrível sobre estes procedimentos! Estou fora!", conta, aos risos. "Se ficar toda dura, sem expressão, como vou atuar?", questiona.

Com o intuito de tornar mais reais todos os tratamentos que Rebeca realiza ao longo da trama, que vão desde implante de silicone nos seios até experiências mais exóticas, como aulas com uma personal trainner para ginástica facial, Elizabeth tem recorrido a apetrechos que nunca sonhou que usaria.

"Quando a personagem colocou silicone, por exemplo, usamos enchimentos. Sempre tive muito busto. Agora estou na moda!", afirma.

Sete Pecados é sua quarta novela seguida do Walcyr Carrasco. O que te motiva a repetir a parceria mais uma vez?
Descobri o trabalho do Walcyr na Manchete, no início dos anos 1990. Ainda nem o conhecia pessoalmente. Quem trouxe o Walcyr para a Globo foi o Walter Avancini, com quem eu comecei, em Gabriela. Depois desta novela, fiz vários trabalhos com o Avancini. Foi a pessoa que me ensinou tudo que alguém poderia aprender com aquela idade, naquela época. Ele me fez. Eu costumo dizer que o Avancini é meu pai na televisão. A vida vai te dando presentes. O Walcyr foi o presente que o Avancini me deixou. A qualidade das novelas do Walcyr é inegável, é um texto cheio de sensibilidade. Antes de aceitar fazer a Rebeca, nós conversamos muito.

Sobre o quê?
Quando recebi a proposta da personagem, senti uma grande semelhança com a Jezebel, de Chocolate Com Pimenta, que acabou de passar no Vale a Pena Ver de Novo. As duas são mulheres extremamente vaidosas e num tom acima do real. Para marcar essa diferença, contei com a ajuda do Jorge Fernando. A todo momento, ele me dizia: 'Menos, Savalla!', até eu encontrar o tom certo da Rebeca.

A Rebeca é viciada em tratamentos estéticos e produtos cosméticos. Como você encara a busca incessante pela beleza?
Ela é um espelho da realidade, é um alerta para o comportamento humano atual. A pessoa que está um pouquinho mais gorda se sente o último dos moicanos. Já ultrapassamos a barreira da vaidade, estamos virando narcisos. Virou uma coisa tão absurda, ninguém mais quer envelhecer. Estou feliz porque ainda não fiz plástica nenhuma, não quero ficar com cara de peixe no aquário. Vão sobrar as avós e as bisavós para eu interpretar, não vou ficar sem emprego (risos). Acho que a gente tem de envelhecer com dignidade e bom senso. Também não é para descuidar, mas é necessário moderação. Eu, por exemplo, contratei um personal trainner antes da novela.

Para se preparar para a personagem?
Não, pela saúde mesmo. Já tenho 52 anos. Meus filhos ficam brigando comigo, dizem que tenho que me cuidar mais. Até tentei fazer dieta antes de começar Sete Pecados. Mas por causa do monólogo Friziléia, Uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos, não foi possível. Quando estou em temporada, a peça termina tarde, fico sem horários certos para comer, aí já viu...

Por que teve de interromper a temporada da peça?
Gravo muito nesta novela. Enquanto estava em Alma Gêmea, quase enlouqueci, mas deu para fazer. Estou há quatro anos com esta peça. Já fizemos apresentações dela em lonas culturais da prefeitura do Rio de Janeiro, a peça foi montada para fazer nestas lonas populares. Os responsáveis por este tipo de espaço diziam que não ia dar para fazer teatro lá, porque o público não ia escutar. Mas deu muito certo, as senhas acabavam em 15 minutos. Já apresentei Friziléia até em praça pública, para mais de 10 mil pessoas!

Por muito tempo, você priorizou a tevê. Depois isso mudou um pouco, certo?
Logo que estreei na TV, em Gabriela, tive que dar uma parada no teatro, que fazia desde a época de escola. Logo depois, praticamente emendei em O Grito, Estúpido Cupido, e assim por diante. Nunca dava para fazer teatro. Mas aos 30 anos, resolvi me dedicar aos palcos. Naquela época, já era considerada velha para ser protagonista. Por outro lado, estava morrendo de medo de voltar ao teatro porque ele é implacável. Se você abandona o palco, o palco te abandona. No fim das contas, acho que foi legal fazer essa opção. Fiquei um bom tempo sem fazer novelas porque queria mesmo me aprimorar como atriz.

Você citou Gabriela, onde teve uma personagem de destaque. Quais são suas lembranças desse período?
Em 1974, fiz uma figuração em um programa dirigido pelo Antonio Abujamra. Dias depois ele me ligou dizendo que o Cassiano Gabus Mendes precisava de uma protagonista para um especial, O Chá das Quatro, e passei no teste. No ano seguinte, o Walter Jorge Dust disse que estava precisando de alguém para viver a Malvina em Gabriela. E o Abujamra me indicou. Quando a personagem bombou, tinha uma bagagem de anos de teatro por trás. Não foi de repente.

A atuação era vista de forma bem diferente quando você estreou na televisão, em 1975...
Quando entrei para a Escola de Arte Dramática, na USP, meu pai disse que ia me deserdar. Na época, atriz era mulher da vida. Tanto que a carteirinha profissional era do Sindicato de Diversões, como a de prostituta. Só em 1978 foi regulamentada a profissão. Não é como hoje, que virou moda entre as meninas, ganhou todo esse glamour. Essa é uma profissão muito, muito difícil. O mercado continua restrito. Para ser ator tem de começar no palco, tem de gostar de palco antes de tudo. Porque o diretor não ensina a atuar. É como um tocar piano, tem de ter um dom, não basta ter beleza.

Durante muito tempo você só fez mocinhas. Foram escolhas suas?
Não, acho que tinha cara de boazinha. A mocinha é aquela idiota que todo mundo sabe o que está acontecendo, menos ela. Tem que chorar muito, e chorar é uma coisa desgastante. Não sei chorar com colírio, choro pra valer. Já inundei esses estúdios da Globo, de tantas lágrimas das minhas personagens. Quando se chora muito, chega-se em casa com dor de cabeça, acabada. E ainda tem texto para decorar para o dia seguinte. Quero deixar bem claro que fazer a mocinha é um porre! Para conseguir a primeira vilã, a Bruna de Pão Pão, Beijo Beijo, foi uma briga. Quase tive de pedir demissão, achavam que o público não ia me aceitar fazendo papel de má. Mas foi ótimo. Aliás, essa é uma das vantagens de não ter mais idade para ser mocinha, posso fazer personagens mais divertidas.

Hoje você está em sua 17ª novela. Qual foi seu grande aprendizado até agora?
Sinceramente, o maior aprendizado - talvez eu não consiga colocá-lo em prática todos os dias - é o da humildade. A cada dia que passa, percebo que sei menos. Que cada experiência é nova, um personagem novo para dar vida. Nada vem pronto. Para o ator, é imprescindível ser humilde. A ponto de esquecer quem ele é para poder viver outra pessoa. Em segundo lugar, não pode ter preconceito. Cada personagem tem algo a ensinar. Só quando o ator percebe isso ele pode fazer melhor seu trabalho. Apesar das loucuras da Rebeca, eu aprendo muito com ela.

Lembranças d'além mar
Já em sua primeira novela, Gabriela, em 1975, Elizabeth Savalla ganhou destaque como a jovem contestadora Malvina. Foi agraciada com o Prêmio APCA de Atriz Revelação e passou a ganhar papéis cada vez maiores.

Como se não bastasse, conquistou fama em terras lusas. Três anos após estrear por aqui, a adaptação televisiva do romance de Jorge Amado foi a primeira novela brasileira a ser exibida em Portugal, alcançando ótima aceitação do público.

Tanto que quando Elizabeth e Fulvio Stefanini, que vivia o Tonico, foram divulgar a trama naquele país, foram surpreendidos pela recepção.

"O presidente português na época, Mário Soares, veio nos receber no aeroporto. Era tapete vermelho, a gente saindo de Rolls-Royce... Parecia coisa de filme", recorda.

Só rindo
Em sua volta às novelas depois de cinco anos longe da TV, Elizabeth Savalla descobriu uma nova faceta da profissão de atriz: fazer rir. Desde a dona-de-casa em busca de vingança Auxiliadora de Quatro Por Quatro, passando pela ambiciosa Jezebel de Chocolate Com Pimenta, até a Rebeca de Sete Pecados, ela se mostrou um talento também na comédia.

"É maravilhoso interpretar papéis tragicômicos, exagerados. Adoro poder criar 'micagens'", diverte-se, fazendo um neologismo para se referir às caretas de suas famosas personagens.

Trajetória televisiva
# Gabriela - (Globo, 1975) - Malvina
# O Grito - (Globo, 1975) - Pilar
# Estúpido Cupido - (Globo, 1976) - Angélica
# O Astro - (Globo, 1977) - Lili
# Pai Herói - (Globo, 1979) - Carina
# Plumas & Paetês - (Globo, 1980) - Marcela
# O Homem Proibido - (Globo, 1982) - Sônia
# Pão Pão, Beijo Beijo - (Globo, 1983) - Bruna
# Partido Alto - (Globo, 1984) - Isadora
# De Quina Pra Lua - (Globo, 1985) - Mariazinha
# Hipertensão - (Globo, 1986) - Renata
# Meu Marido - (Globo, 1991) - Maria
# Sex Appeal - (Globo, 1993) - Margarida
# Quatro Por Quatro - (Globo, 1994) - Auxiliadora
# Quem É Você - (Globo, 1996) - Maria Luiza
# A Justiceira - (Globo, 1997) - Ângela
# A Padroeira - (Globo, 2001) - Imaculada
# Chocolate Com Pimenta - (Globo, 2003) - Jezebel
# Alma Gêmea - (Globo, 2005) - Agnes
# Sete Pecados - (Globo, 2007) - Rebeca.

TV Press