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"Quero ter um programa na Record", afirma Babi Xavier

07 de junho de 2008 09h40

Babi Xavier interpreta Dra Juli em  Os Mutantes. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias/TV Press

Babi Xavier interpreta Dra Juli em Os Mutantes
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias/TV Press

Experimentar é com Babi Xavier. Ela já trabalhou como modelo, lançou o disco Do Jeito Que Eu Quero, escreveu o livro E Aí, Um Papo Aberto Entre a Gente e apresentou programas bem-sucedidos e fracassados na TV.

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Agora, prova pela primeira vez o gostinho de interpretar uma vilã em uma novela. Mas não é uma malvada comum. É a doutora Julia, de Caminhos do Coração, rejuvenescida 30 anos.

Em Os Mutantes - Caminhos do Coração, Babi aparece como Juli, uma médica que se alia aos mutantes do mal e leva à frente suas experiências de mutação genética.

A atriz não nega que, inicialmente, ser escalada para a trama de Tiago Santiago a surpreendeu. "Quando você pensa que já fez tudo dançando no Faustão ou fazendo novela de faroeste como Bang Bang, colocam na sua mão uma vilã em um universo que você não tem noção do que é", conta Babi.

Em sua segunda novela na Record - a primeira foi Vidas Opostas, em que interpretou a advogada Patrícia -, e depois de passar por emissoras como Band, Globo, MTV e SBT, Babi não nega que em televisão é preciso manter os pés no chão e mostrar trabalho a todo momento.

Ao se auto-intitular uma apresentadora que gosta de atuar, ela diz que agora se dedica incondicionalmente à personagem que vai encarnar. Mas não nega que já contou para a direção da Record o seu desejo de ter um programa.

"Tenho várias idéias mas não gosto de pressionar ninguém. Quando pintar um projeto que tenha a ver comigo, será natural me chamarem", prevê Babi.

Em Os Mutantes - Caminhos do Coração, você interpreta a Dra. Juli, papel que foi de Íttala Nandi na primeira fase da novela. Como é dar continuidade a uma personagem feita inicialmente por outra atriz?
É uma experiência inédita na minha carreira. Faço a Doutora Julia jovem, que sofreu uma mutação a partir do soro da juventude que ela mesma desenvolveu. Para escapar da cadeia ela toma o soro e reaparece na história 30 anos mais jovem como uma milionária paulistana recém-chegada da Europa chamada Juli di Trevi.

Na verdade minha personagem tem uma cabeça de 60 e poucos anos e um corpo de 30. O complicado vai ser todo mundo me pedindo a receita desse soro, porque em casa a minha mãe já está me pedindo. Enfim, minha personagem vem para dar continuidade aos projetos que a doutora Julia desenvolvia na primeira fase da novela.

Como você se preparou para esse trabalho?
Para esse início de trama tive de acompanhar a construção da personagem feita pela Íttala. Analisei a maneira como ela fala porque isso não pode mudar. Já as atitudes sofrem alguma transformação porque agora a personagem tem os hormônios de 30 anos correndo em suas veias e está mais impetuosa. Acompanhei a gravação de algumas cenas da Íttala e também conversamos bastante. Além disso estou lendo tudo o que posso sobre genoma e engenharia genética. Comprei um livro chamado Médicos Extraordinários, com a história de pessoas que fizeram a diferença na medicina.

Você teme comparações em relação à performance da Íttala Nandi na primeira fase?
Acho que nem dá para comparar porque a Íttala Nandi tem uma experiência fabulosa enquanto eu sou uma atriz iniciante. Na verdade sou uma apresentadora que gosta de atuar. Existe um peso que eu mesma me coloco. Sou a minha maior carrasca.

A apresentadora Babi não estaria pronta para esse papel?
Como apresentadora a gente tem de ter um rebolado e um jogo de cintura bem grandes porque acontecem situações surreais em entrevistas. Por mais que a gente tenha se preparado previamente, lido e pesquisado, algo sempre acontece diferente. Espero ter esse mesmo jogo de cintura e versatilidade para fazer essa novela também.

Antes de ser escalada para o folhetim você acompanhava Caminhos do Coração ou seriados como Heroes?
Sempre gostei de X-Men, mas por falta de tempo só vi o primeiro episódio de Heroes e quero conseguir em DVD todas as temporadas para ver no meu ritmo, em casa. Aliás, entendi bastante Caminhos do Coração depois que vi Heroes. Porque quando começou a novela eu conversei com alguns amigos como André di Biasi e Paulo Nigro para perguntar como era participar de uma novela que foca uma realidade tão diferente. Eles me disseram que era preciso embarcar na história para acreditar que o velociraptor está vindo na sua direção. E acho que é por aí mesmo. O ator tem de embarcar na história e aí ele consegue se mostrar.

Você chegou a se assustar quando foi chamada para integrar o elenco?
Fui escalada há pouco tempo, o diretor Alexandre Avancini conversou comigo oficialmente por volta de um mês atrás. Quando você pensa que já fez tudo, já dublou, já participou da Dança dos Famosos no Faustão, já fez novela de faroeste como Bang Bang, cai nas suas mãos a oportunidade de fazer uma vilã que vive em meio aos mutantes, um universo que não tenho noção de como é. Porque uma coisa é interpretar a vilã que é a malvada do bairro, e que já tem suas dificuldades. Outra coisa bem diferente é ser vilã nesse universo de Caminhos do Coração. Nunca fiz uma vilã e nem fui a antagonista. Minha personagem é a líder da liga bandida e se une ao Taveira, Metamorfo, Medusa e outras figuras más. O que posso garantir é que estou bastante animada.

Caminhos do Coração é um folhetim que chamou a atenção, mas também foi muito criticado justamente por apresentar uma realidade fantasiosa demais. E você, teme críticas?
Não quero menosprezar os críticos, mas não vou ler nada para não me influenciar. A minha maior crítica está em casa. É a minha mãe, a Dona Graça, que não me dá mole. Tudo o que é novo sofre críticas e por isso Caminhos do Coração foi criticada. Vidas Opostas, novela que eu fiz, também sofreu críticas no começo e depois foi considerada um ótimo folhetim. A questão é que as pessoas ficam se perguntando porque não tiveram a coragem ou a idéia para fazer antes. Estou feliz de fazer parte desse elenco e, no meu caso, não tenho vergonha de pedir ajuda aos colegas ou ao diretor quando não sei direito como fazer ou quando sinto alguma dificuldade.

Você se auto-intitula uma apresentadora que gosta de atuar. A Record a enxerga assim?
Acho que a emissora me reconhece como apresentadora mas me contratou, pelo menos a princípio, como atriz. Eu me sinto muito querida na emissora, meu contrato vai até 2009 mas realmente espero que dure por muito mais tempo porque estou vivendo experiências novas na casa. Acho que quando pintar o projeto de um programa que tenha a ver comigo, vai ser um processo natural eles me chamarem. Mas apesar de não ficar dividida entre o atuar e o apresentar porque me considero uma apresentadora, não quero deixar de trabalhar como atriz.

Mas você já deixou claro para a direção da emissora o seu desejo de comandar um programa?
Nunca escondi o meu interesse e conversei com o diretor artístico da Record, o Paulo Franco, que me recebeu muito bem em São Paulo. Se você chega em uma empresa, faz o seu trabalho e vai embora para casa, a tendência é as pessoas acharem que você está satisfeita. Portanto, se você quer alguma coisa a mais, tem de mostrar para o seu chefe esse interesse. Foi isso que eu fiz. Mostrei o meu interesse em apresentar. Tenho várias idéias de programa, mas não gosto de pressionar ninguém. Só disse que eu estou à disposição. Mas nesse momento, só posso pensar mesmo é em fazer bem a Juli.

Altos e baixos
Este ano Babi Xavier completa 15 anos de carreira artística. Tudo começou como modelo, quando ela precisou trabalhar para ajudar em casa, com seus pais recém-separados.

Do curso de letras na Universidade Federal Fluminense, na cidade de Niterói onde nasceu, migrou para as passarelas e os estúdios de fotografia em 1993. De lá para cá, parar ela não parou. Enfrentou, no entanto, alguns momentos de baixa. Mas sempre conseguiu se reerguer ao adotar uma postura que diz não abandonar.

"A gente tem de manter os pés no chão e ter consciência de que é preciso mostrar trabalho continuamente", resume a moça.

A estréia nas novelas foi em Perdidos de Amor, da Band, em 1996. No ano seguinte ela esteve em Por Amor, da Globo, como a secretária Aninha. Mas foi só quando migrou para a MTV, em 1998, que Babi passou a ter visibilidade maior na carreira à frente de programas como o Erótica.

E foi aí que também conquistou a segurança financeira. "Comprei meu primeiro carro e fiz minha primeira viagem para Nova Iorque", lembra. Depois disso, no entanto, veio um período de reconhecimento seguido de esquecimento no SBT.

Ela substituiu Serginho Groisman no Programa Livre, esteve à frente do duvidoso Ilha da Sedução e depois foi colocada na geladeira por Silvio Santos.

Nesse meio tempo, cantou, dublou, lançou livro, dançou. E não foge de trabalho. "Apresento evento também. Gosto dos profissionais que fazem diversas coisas. Mas o mercado no Brasil ainda não se abriu para isso", lamenta.

Sem parar
Logo que terminou a novela Vidas Opostas, em que interpretou a advogada Patrícia, Babi participou de um curta-metragem chamado Onírico, do diretor Márcio Rocha.

Esse trabalho gerou o longaA Mulher do Sonhador, que será rodado no final de 2008 e já exige que Babi demonstre mais uma faceta, o talento para outros idiomas. "Vou ter de falar francês no filme e já estou fazendo aulas aos sábados na Aliança Francesa", conta toda animada.

Mas essa não é a única empreitada de Babi pelo cinema. Em Dores e Amores, de Ricardo Pinto Silva, ela também terá uma personagem ainda não definida pelo diretor. "Mas confio na escolha dele e topo", antecipa.

Com tantos projetos paralelos, só não sobrou tempo mesmo é para o teatro. "Cheguei a ensaiar Negócios Inacabados. Mas não tinha noção do tamanho da Juli na novela e não sou pretensiosa ao ponto de querer fazer tudo ao mesmo tempo", explica Babi.

Trajetória Televisiva
# Perdidos de Amor (Band, 1996) - Ivea
# Por amor (Globo, 1997) - Aninha
# Sintonia Fina (Sky, 1998) - Apresentadora
# Erótica MTV (MTV, 1998) - Apresentadora
# Mochilão MTV (MTV, 1999) - Apresentador
# Supermodel (MTV, 1999) - Apresentadora
# Programa Livre (SBT, 1999) - Apresentadora
# Ilha da Sedução (SBT, 2001) - Apresentadora
# Bang Bang (Globo, 2005) - Marylin Corroy
# Vidas Opostas (Record, 2006) - Patrícia
# Os Mutantes - Caminhos do Coração (Record, 2008) - Doutora Juli

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