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 Morre Brendan Mullen, pilar da cena punk de Los Angeles
14 de outubro de 2009 11h32 atualizado às 18h13

Brendan Mullen morreu nessa segunda-feira (12). Foto: Divulgação

Brendan Mullen morreu nessa segunda-feira (12)
Foto: Divulgação

Ben Sisario

Brendan Mullen, que ajudou a criar a cena punk de Los Angeles nos anos 70 ao abrir a casa noturna Masque e mais tarde se tornou cronista oficial de sua história por meio de livros e artigos em jornais, morreu na segunda-feira (12), em Ventura, Califórnia. Ele tinha 60 anos e vivia em Los Angeles.

A causa foi um derrame, informou sua companheira Kateri Butler. Nascido em Paisley, Escócia, Mullen começou uma carreira jornalística em Manchester, Inglaterra, mas se transferiu a Los Angeles na metade dos anos 70. Em junho de 1977, enquanto procurava um lugar barato onde tocar, Mullen, que tocava bateria, encontrou um porão de 1,1 mil metros quadrados, nos fundos de um cinema pornô no Hollywood Boulevard.

Ele transformou o espaço em estúdio de ensaio para bandas locais, mas a partir de agosto do mesmo ano começou a usá-lo para produzir shows. Como Mullen e o co-autor Marc Spitz descrevem em seu livro We Got the Neutron Bomb: The Untold Story of L.A. Punk, de 2001, o Masque logo se tornou o centro nervoso para as jovens bandas punk e new wave da cidade, como os Germs, X e Weirdos. Até mesmo as Go-Go tocaram na casa.

Ainda que a cena punk de Los Angeles não tenha sido tão celebrada quanto as de Londres ou Nova York, o período foi bastante movimentado em termos musicais. Com o Masque como polo, as bandas da cidade começaram a desenvolver um estilo distintivo, que refletia o desconforto dos jovens forçados a viver em uma megalópole imensa e dada a brilhos fúteis.

"Era o som dos subúrbios ferrados, dos desajustados sexuais, dos fugitivos que faziam terrorismo artístico e carregavam fotos dos Pistols e Siouxsie", escreveu o crítico Barney Hoskyns em uma resenha de "We Got the Neutron Bomb" para o jornal Village Voice. "Era uma cena inimiga dos jeans, inimiga do sol, inimiga de tudo mais."

Depois que o Masque fechou, em 1979, Mullen promoveu shows por algum tempo em um espaço chamado The Other Masque. Nos anos 80, ele passou a operar o Lingerie Club e o Variety Arts Center, onde a mistura de punk, blues e músicos de jazz vanguardistas como Sun Ra que programava refletia o seu gosto eclético.

Ao longo de sua carreira, ele sempre defendeu firmemente a música de Los Angeles. "Eu nunca consegui convencê-lo a ouvir o Strokes", disse Spitz em entrevista na terça-feira (13).

Pela metade dos anos 90, Mullen havia passado a trabalhar com jornalismo musical. Contribuía para o LA Weekly e outras publicações, e seus livros incluem, além de We Got the Neutron Bomb,os títulos Whores: An Oral Biography of Perry Farrell and Jane's Addiction (2005) e Live at the Masque: Nightmare in Punk Alley, com Roger Gastman (2007).

Ele estava trabalhando em um livro com o Red Hot Chili Peppers, disse Butler. Além de Butler, Mullen deixa três irmãs: Pauline Mullen e Nuala Rainford, ambas de Manchester, Inglaterra; e Una Earley, de Leeds, Inglaterra.

The New York Times
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