"Pra que pular a cerca? Sou homem de uma mulher só", diz Ronnie Von

Ronnie Von foi o entrevistado do 'Tas Ao Vivo' nesta quarta-feira (20) Foto: Marcelo Pereira / Terra
Ronnie Von foi o entrevistado do 'Tas Ao Vivo' nesta quarta-feira (20)
Foto: Marcelo Pereira / Terra
 
Marina Azaredo
Direto de São Paulo

Ele é um homem à moda antiga. Ronnie Von não conhece o hit Ai se eu te pego, de Michel Teló, aprecia um dry martini ao som de música clássica e diz que é homem de uma mulher só. "Seja por um dia, por um mês, por um ano, pela vida inteira", garante o cantor e apresentador de televisão, que atualmente está no comando do Todo Seu, exibido diariamente nas noites da TV Gazeta.

Ele esteve na redação do Terra nesta quarta-feira (20) para uma participação no programa Tas ao Vivo, com Marcelo Tas. Antes, em entrevista com a redação, contou detalhes sobre a sua rotina, falou do assédio das fãs que, segundo ele, está muito pior hoje do que quando era jovem, e revelou por que não deixa a TV Gazeta, embora garanta já ter recebido propostas tentadoras.

Em uma entrevista anterior ao Terra, você disse que são saiu da TV Gazeta por te darem o espaço que você almeja, mas que já recebeu propostas tentadoras. Que propostas foram essas?
Dinheiro, é claro, mas o meu conforto emocional com a Gazeta me impediu de tomar qualquer tipo de atitude nesse sentido. A televisão hoje caminha por uma estrada de equívocos e eles são determinados por uma coisa chamada audiência. Toda a televisão hoje pensa apenas em audiência e esquece do conteúdo. Se eu não se preocupar com o conteúdo, eu vou ganhar muito dinheiro numa emissora e não vou me olhar no espelho, não vou conseguir falar de informação, de prestação de serviço, de arte, de literatura, de cultura em geral. E eu confesso que não tenho talento para apresentar certo tipo de coisa que hoje é lugar-comum na televisão.

O que você não faria?
A escatologia, a pornografia, o sangue, o bizarro, eu não sei fazer, não tenho esse talento. Então o que vou fazer? Por isso não saio do lugar, do conforto emocional, onde é claro que me cobram alguma audiência, mas com qualidade. A grande escola do brasileiro é a televisão. Então nós temos um comprometimento com a cultura nacional e com o social. Isso é dever. A televisão para mim é uma coisa absolutamente passional, prazerosa, me sinto bem. Eu me divirto na televisão. Se eu tiver um compromisso e for cobrado por audiência, não vou mais fazer com prazer e talvez não faça bem feito. Por isso, ainda não saí.

A televisão brasileira cumpre bem esse dever com os cidadãos?
Vocês já devem ter ouvido falar inúmeras vezes que são um agente emburrecedor, mas há grandes autores de novelas que têm consciência disso e trazem temas de comprometimento social para a população. Certo tipo de doença, certo tipo de atitude comportamental em função de problemas psicológicos, a homossexualidade, enfim, há um monte de coisa que eles levam e mostram qu estão de alguma maneira comprometidos também com certo problemas sociais. Mas não acontece em todas as emissoras. É raro, na verdade.

Você também já declarou que o assédio das mulheres hoje em dia é pior, porque as abordagens são mais sérias.
Hoje é perigoso. Na época de garotão, vinte e poucos anos de idade, cabelo grande, rock¿n¿roll na veia, a coisa era muito festa e era muito divertido, porque não oferecia um comprometimento de maior densidade psicológica. Era o assédio pelo assédio, pelo namorico, por um affair, por um casinho, por uma transa, qualquer coisa, mas era efêmero. Hoje o assédio é muito pesado. Com essa independência feminina, as mulheres partem mesmo para o ataque. E você tem que ser muito sagaz numa hora dessas, porque senão você dança. Eu já tive muita confusão na minha vida, já fui pai de uma centena de crianças que não tinham nada a ver comigo. Hoje, com o exame de DNA, isso não existe mais. Mas pra que pular a cerca? Eu sou homem de uma mulher só, seja por um dia, por um mês, por um ano, pela vida inteira. Eu não pulo cerca, definitivamente. Eu me dou, não me empresto.

E a sua mulher, como encara o assédio?
Ela é minha amiga de infância. Somos casados há 27 anos e era o sonho das duas famílias que a gente se casasse. Eu casei pela primeira vez aos 19 anos, quando ela tinha 9. Mas ela me esperou. Ela era minha confidente, então eu contava tudo pra ela: "sabe fulana? Peguei! Sabe a ciclana?". Tadinha, apaixonada por mim e ficava sabendo de tudo. Então ela me conhece e sabe que eu cansei dessa vida de galho em galho. Eu dou a confiança que ela precisa. E nem tem por que eu fazer algo. A amizade é a sublimação do amor. Eu não acredito em casamento sem sexo de jeito nenhum, mas e depois? E a mão dada? E você ouvir o trecho de uma peça bonita, de um Vivaldi, de um Bach, de um Mozart de mãos dadas tomando um dry martini? Isso não existe! Eu cansei de ver aquela gata e pensar "se um dia eu pego", como é aquela música?

Ai se eu te pego.
É isso aí, ai se eu te pego. Aí você pegava e queria chamar o táxi pra levar a moça de volta. Então pra quê? Chega. Não quero mais isso.

Como você vê a nova juventude musical brasileira? Acompanha os novos movimentos, como o sertanejo universitário, e agora o tecnobrega, que está em evidência?
Acho que todos esses momentos têm uma conotação mercantilista, são comerciais. Tudo bem, vale, porque tem público, mas acho que o último grande movimento de música popular no nosso País foi a Tropicália. De lá para cá, é tudo moda. Não acredito que sejam movimentos musicais de grande peso.

Como é a sua rotina diária com o programa?
Chego na TV às 17h30, preparo as pautas, estudo a vida dos entrevistados e o programa está indo para o ar às 22h20. Eu vou para lá me divertir, mostrar serviço, fazer um entretenimento sadio e, priincipalmente, jantar. Janto impecavelmente. Os maiores chefs de cozinha do mundo vão ao meu programa e levam o que existe de melhor. Além disso, tomo grandes vinhos toda noite e tenho a oportunidade de ouvir música de qualidade, principalmente rock. Trago muitos artistas internacionais que não têm espaço em outros lugares.

Você já passou por algum constrangimento durante o Todo Seu? Uma resposta atravessada de algum entrevistado?
Não, eu não dou essa abertura, porque eu tento ser mais o mais cortês, o menos polemizador possível, não faço contestações. Acho que todo mundo tem direito ao seu pensamento. Não contesto, não discuto, simplesmente deixo que a pessoa apresente a sua opinião. A minha eu dou depois do programa.

Você já discutiu com algum entrevistado depois do programa?
Nunca. Também não faço isso. Nem sempre da discussão nasce a luz. Pode sair um soco também. Então não é bem a minha praia.

Na sua história na televisão, que momentos mais lhe marcaram?
Teve um momento engraçado. Quando começaram a chamar o Geraldo Alckmin de chuchu, eu pedi para um grande chef de cozinha desenvolver um picolé de chuchu deslumbrante. E nós tomamos um picolé de chuchu no programa, morrendo de rir. No dia seguinte, foi uma das maiores mídias espontâneas que eu tive na minha vida. Levar grandes astros, gente que eu admirava muito, tudo isso é importante. Fiz uma entrevista muito bonita com a Lygia Fagundes Telles, levei o Ney Matogrosso, que é um artista que eu gosto muito. Foram muitas coisas boas. Aliás, as coisas superaram em grande número as coisas ruins. Porque, quando trabalhamos em uma empresa que não é nossa, é claro que somos obrigados a fazer coisas de que não gostamos. Às vezes temos que engolir alguns sapos, que até são maleáveis. O duro mesmo é quando temos que engolir crocodilos, com aquela boca cheia de dentes e aquela pata com garra. Também acontece, mas é mais raro.

Você pode contar um exemplo de um ¿crocodilo¿ que já teve de engolir?
Eu não deveria, mas foi um político.

Que político?
Ah, isso eu não posso dizer!

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